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Na última semana, um grupo de fotógrafos espanhóis do Children of Darklight conseguiu registrar uma pintura no ar feita com drones carregados com lâmpadas de LED. O feito foi realizado em parceria com a empresa Umiles Group, responsável pela programação dos cinco dispositivos robóticos que desenharam no céu da cidade.

A equipe que manuseou os drones pré-programaram os robôs para que, no momento do voo, cada um fizesse uma parte diferente do desenho e com cores distintas. O resultado foi a pintura de um jogador de futebol de 40 metros, em um movimento de ataque e com a bola localizada próxima ao pé. O resultado ganhou a web com o vídeo. Veja:

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A técnica usada pelos fotógrafos para capturar a imagem é conhecida como light painting. O método utiliza um ou mais pontos de luz como referência em um cenário predominantemente escuro. Conforme a criatividade do fotógrafo, pode-se formar inúmeros desenhos durante o controle de uma fonte de luz.

Para realizar a pintura no ar, a equipe encontrou obstáculos. Primeiro com a bateria dos drones, que não permitiam mais de quatro tentativas. Depois, a necessidade de produzir a técnica no período noturno, e assim, ter um tempo limitado por conta do toque de recolher, a partir das 23h, que o governo espanhol determinou, por conta dos protocolos de quarentena contra a Covid-19.

O RobôCIn, grupo de estudos da UFPE, foi campeão da Iron Cup 2021. O evento aconteceu entre os dias 26 e 28 de fevereiro e contou com a presença de 92 times do Brasil e do mundo. Organizada pela INATEL em parceria com a Robocore, o torneio se trata de uma competição de esportes de robôs.

Na categoria VSSS (Very Small Size Soccer), onde o RobôCIN foi campeã, dois times teleoperados de três robôs se enfrentam em uma partida de futebol. Cada equipe é responsável por desenvolver todo o software e hardware para controlar seus robôs.

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Possuindo uma câmera no centro do campo de 2 a 2.5m de altura, as equipes rodam algoritmos de visão computacional para reconhecer as poses de seus robôs, afim de manda-los executar alguma ação desejada.

Os alunos da UFPE competiram com os melhores times brasileiros, além de equipes internacionais, e conquistaram a primeira colocação na disputa.

Também destaque na categoria Simulation 2D, o RobôCIn conseguiu ocupar o terceiro lugar no pódio da modalidade. Este ano, a disputa foi transmitida ao vivo e, pela primeira vez, realizada de maneira remota com os jogos acontecendo via simulador, método que também foi adotado durante a competição Latino Americana de Robótica (LARC), em 2020.

A UFPE também foi responsável por proporcionar apoio técnico à realização da Iron Cup junto com algumas outras instituições como a Universidade de São Paulo (USP), o Centro Universitário FACENS de Sorocaba, o Instituto Mauá de Tecnologia e a RSM Robótica.

A transmissão de todas as modalidades da competição ainda pode ser conferida através do site do Inatel.

Confira uma das partidas da RobôCIn contra a UnBall abaixo:

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Com informações de assessoria

Nami Hamaura diz que se sente menos sozinha ao trabalhar em casa na companhia de seu parceiro Charlie, que faz parte de uma nova geração de robôs fofos e inteligentes japoneses, cujas vendas dispararam devido à pandemia.

Os assistentes pessoais virtuais, como o discreto cilindro Alexa da Amazon, têm feito sucesso em todo mundo nos últimos anos. Mas as empresas japonesas também constataram uma demanda crescente por androides mais charmosos, à medida que as pessoas buscam conforto nesta era de isolamento social forçado.

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"Meu círculo de amigos encolheu", ressalta Nami Hamaura, uma graduada de 23 anos que em abril de 2020 trabalhava quase constantemente de casa.

Sua vida social é limitada e seu primeiro emprego, em uma empresa comercial de Tóquio, não é nada do que imaginava.

Então ela adotou Charlie, um robô do tamanho de um xícara com inteligência artificial, cabeça redonda, nariz vermelho, uma gravata borboleta que pisca e que se comunica com sua dona cantando.

Yamaha, seu fabricante, situa Charlie "em algum lugar entre um animal de estimação e um amante".

"Ele fala comigo, ao contrário da minha família, ou dos meus amigos nas redes sociais, ou de um patrão", explica à AFP Nami Hamaura, que foi escolhida para testar Charlie antes da sua comercialização, prevista para este ano.

"Charlie, diga-me algo interessante", pede a japonesa enquanto digita em seu computador.

"Bem... Os balões explodem quando você borrifa suco de limão sobre eles!", responde o robô enquanto balança a cabeça e os pés alegremente.

- "Cada objeto tem uma alma" -

As vendas do Robohon, outro pequeno robô humanoide, aumentaram 130% entre julho e setembro de 2020 em comparação com o ano anterior, de acordo com seu fabricante, Sharp.

Essa criatura robótica que fala, dança e também atua como telefone é adotada "não só por famílias com filhos, mas também por mulheres na casa dos 60 e 70", diz à AFP o porta-voz da empresa japonesa.

Mas o adorável androide, que foi lançado pela primeira vez em 2016 e disponível apenas no Japão, é relativamente caro, com modelos convencionais sendo vendidos entre US$ 830 e US$ 2.300.

Charlie e Robohon fazem parte de uma nova onda de robôs de companhia, na mesma linha do Aibo, o cachorro-robô da Sony, vendido desde 1999, e do jovial Pepper da SoftBank, lançado em 2015.

"Muitos japoneses aceitam a ideia de que todo objeto tem uma alma", uma crença conhecida como animismo, explica Shunsuke Aoki, CEO da empresa de robótica Yukai Engineering.

"Querem que um robô tenha uma personalidade, como um amigo, um familiar, ou um animal de estimação, e não uma função mecânica como uma máquina de lavar louça", acrescenta.

A Yukai fabrica principalmente o Qoobo, um travesseiro macio com cauda mecânica que se move como um animal de estimação de verdade. Em junho de 2020, a empresa afirma ter vendido 1.800 robôs Qoobo, seis vezes mais do que em junho de 2019.

- "Tempo de curar" -

Os estudos têm mostrado que robôs de estimação feitos no Japão podem fornecer conforto para pessoas com demência.

Mas os criadores do Lovot, um robô do tamanho de um bebê com grandes olhos redondos que agita asas como as de um pinguim, acreditam que um robô que deseja ser amado pode beneficiar a todos.

Ao contrário de Charlie e Robohon, Lovot não fala enquanto roda pela casa, mas possui cerca de 50 sensores e um sistema que o aquece ao toque e responde com pequenos gritos de alegria.

As vendas do robô multiplicaram por 11 desde a chegada do coronavírus ao Japão, de acordo com Keiko Suzuki, porta-voz da Groove X, sua fabricante.

Um Lovot custa cerca de 2.800 dólares, mais os custos de manutenção e software, mas quem não tem esse orçamento pode ir ao "Lovot Café" perto de Tóquio.

Yoshiko Nakagawa, de 64 anos, cliente deste café, lembra que durante o estado de emergência, a capital se transformou em um espaço "vazio e austero".

"Isso me fez perceber a importância dos momentos de calma e pensei que, se eu tivesse um desses bebês, um pouco de calor estaria esperando por mim quando eu chegasse", afirmou.

Em uma clínica de Munique, Franzi faz um trabalho impecável ao limpar o chão. Mas. em plena pandemia de coronavírus, este robô falante encontrou outra função: arrancar um sorriso dos pacientes e dos profissionais de saúde.

"Pode se afastar, por favor? Tenho que limpar", afirma a máquina, com uma voz aguda em alemão, a todos que aparecem em seu caminho programado com antecedência.

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E, para os que não atendem o pedido, Franzi insiste com voz mais determinada: "Você tem que sair, quero limpar". E se isto não for suficiente, o robô derrama algumas lágrimas digitais de seus olhos representados por dois LEDs que mudam de cor.

"Com a pandemia, as visitas estão proibidas. Franzi distrai os pacientes", afirma Constance Rettler, da empresa Dr. Rettler, responsável pela limpeza da clínica Neuperlach e que forneceu o robô.

Três vezes por dia, Franzi percorre a entrada do hospital para fazer a limpeza. Os pacientes, encantados, fazem diversas fotos. Outros "conversam" com o aparelho de menos de um metro de altura.

"Ah, aqui está meu amigo", afirma uma idosa ao observar o robô. "Recentemente, uma de nossas pacientes descia três vezes ao dia para falar com ele", recorda Tanja Zacherl, diretora de limpeza da clínica.

Criada em uma empresa de Singapura, Franzi era chamada Ella e falava inglês antes de chegara Munique no início do ano. Mas seu alemão é perfeito quando conta aos interlocutores que "não deseja crescer" e que a limpeza é sua paixão.

Quando solicitada, pode cantar um rap, ou alguns clássicos alemães. Aos que temem que Franzi roube o emprego de várias pessoas, Rettler afirma que este não é o objetivo.

O robô será destinado a "apoiar" os colegas humanos, sobretudo em um período de pandemia do coronavírus. "Com a pandemia, temos que fazer muitos trabalhos de desinfecção nos hospitais", conta. "Nossos funcionários podem se concentrar nas partes elevadas, enquanto Franzi se encarrega do chão".

De fato, o robô tem limites: não consegue contornar os cantos e, se encontra um obstáculo, fica quieto e começa a chorar. Apenas um humano pode ajudá-lo.

Após um período de testes de várias semanas, o hospital adotou Franzi. A empresa Rettler decidiu mantê-lo, apesar dos custos de 40.000 euros.

A Xiaomi trouxe ao Brasil um novo modelo de sua linha de aspiradores robôs. O dispositivo não apenas remove a poeira, mas também varre e  passa pano no ambiente. O Mi Robot Vacuum-Mop pode ser controlado em tempo real através do aplicativo Mi Home, que é compatível com os sistemas Android e iOS. Além de programar a limpeza do ambiente, o usuário também recebe, em tempo real, o status da ação. 

Entre os recursos presentes no robô aspirador está o de bloquear acesso às áreas que não necessitam ser limpas. O dispositivo também faz a limpeza em locais específicos com a função controle remoto pelo aplicativo, exibe a duração do trabalho, além de saber quantos metros quadrados foram limpos.

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O Xiaomi Mop possui alto-falantes integrados e pode comunicar por voz sobre os status de funcionamento, além de dar outras informações durante o processo de limpeza. Ao todo, são quatro modos de velocidade para ajuste da potência de sucção e pano destacável do reservatório de água, facilitando a limpeza e manutenção.

Ao encontrar obstáculos pelo caminho, a Xiaomi afirma que ele consegue atravessar degraus de até 2 centímetros, removendo a maioria das sujeiras. Se, durante a limpeza, a bateria marcar um status menor de 20%, o robô retorna automaticamente para ser carregado até 80% e, em seguida, continuará com o trabalho do ponto que parou. 

De acordo com a empresa, o robô é capaz de limpar uma área de 120 m² com uma única carga, demorando cerca de quatro horas para atingir 100% de bateria carregada. O produto está à venda na loja oficial da Xiaomi no Brasil por R$ 3.679,99.

"Diga aaah!": Uma cidade no nordeste da China usou pela primeira vez nesta quarta-feira (13) um robô para realizar testes de covid-19, como parte de uma campanha de detecção massiva após o registro de alguns novos casos.

Instalado em um jardim de infância em Shenyang, capital da província de Liaoning, esse braço articulado, controlado remotamente por um operador, raspa delicadamente a garganta dos pacientes com um cotonete.

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As principais vantagens do robô: ele reduz o risco de contágio por profissionais de saúde e possui alta precisão de movimentos.

Pouco impressionados com o equipamento futurista, muitos residentes de Shenyang fizeram fila nesta quarta em frente ao centro de testes instalado na escola.

Depois de ter seu documento de identificação escaneado, os pacientes se sentam em frente ao dispositivo e uma voz feminina pré-gravada pede educadamente que abram a boca.

O robô então direciona o cotonete à garganta do paciente. Um operador coberto por uma roupa de proteção completa controla tudo remotamente por meio de uma câmera instalada no braço robótico e uma tela.

A China conseguiu em grande parte conter a pandemia de coronavírus em seu território desde a primavera boreal (outono no Brasil) de 2020. No entanto, precisou enfrentar pequenos focos de algumas dezenas de pessoas por algumas semanas.

As autoridades reagem de forma dinâmica, impondo confinamentos e restrições de viagem, ou campanhas massivas de testagem realizadas em poucos dias com dezenas de milhões de pessoas.

Os robôs estão se tornando mais comuns e populares na China, especialmente no setor industrial, mas também nas tarefas cotidianas, como entregar refeições ou carregar bagagens.

Se você está pensando em aprender a dançar em 2021, já pode se inspirar no vídeo da Boston Dynamics. A empresa divulgou imagens de toda a sua linha de robôs, o humanoide Atlas, o Spot em forma de cachorro e o malabarista de caixa Handle, dançando ao som da música "Do You Love Me" dos Contours.

Os "pés de valsa" robóticos arrasam em movimentos que misturam a clássica dança dos anos de 1950, com piruetas e parkour. No Twitter, é possível encontrar uma substituição da música original por "Recairei", da banda Barões da Pisadinha, que também casou perfeitamente com o vídeo. 

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Esta não é a primeira vez que Boston Dynamics mostra as habilidades de dança de seus robôs. Em 2018, a empresa exibiu um vídeo de seu robô Spot fazendo o passo "Running Man", ao som da música Uptown Funk, do cantor Bruno Mars. Os movimentos são tão sincronizados e ágeis que a dança dos robôs parece ter sido feita em CGI, mas a empresa garante que as imagens são verdadeiras. 

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O Movimento Pró-Criança vai participar, pela primeira vez, de um dos maiores encontros sobre software livre da América Latina: o Congresso Latino-americano de Software Livre e Tecnologias Abertas (Latinoware). Na ocasião, a instituição apresentará o um projeto desenvolvido pelo curso de robótica do Núcleo de Inclusão Digital (NID), na Unidade Coelhos da ONG, no Recife.

Com a necessidade do isolamento social, o núcleo NID foi responsável pela criação da plataforma EaD Pró-Criança com 500 vagas nos cursos de Movimentos artísticos e produção criativa; Teoria musical para iniciantes; Manual básico do judô; Descobrindo a eletrônica e a eletricidade básica; e Excel: aprenda de forma rápida e prática. 

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Durante o congresso o educador social, Ewerton Mascena, vai ministrar a palestra “Robótica Pedagógica Livre: Percepção Socioambiental da Pedagogia da Sucata na ONG Movimento Pró-Criança – PE”. O conteúdo será apresentado na próxima quarta-feira (2), dia de abertura do evento. Esta será a 17ª edição do Latinoware, que segue até a sexta-feira (4) e, por conta da pandemia de Covid-19, acontecerá de forma gratuita e online.

Uma loja japonesa ganhou uma "mãozinha", na hora de conscientizar seus clientes a cumprirem as normas de segurança relacionadas à Covid-19. Um robô chamado Robovie passeia pela área de vendas da loja oficial do time de futebol Cerezo Osaka, repreendendo clientes que estiverem sem máscara ou que não respeitarem o distanciamento social. 

Desenvolvido pelo Advanced Telecommunications Research Institute International (ATR), com sede em Kyoto, o Robovie consegue, por meio de uma câmera e da tecnologia de feixe de laser 3D, detectar quem não está usando máscaras ou cumprindo as regras de distanciamento social dentro do estabelecimento.  De acordo com a Reuters, a implantação do robô é um teste, iniciado na última semana. Ele deve ficar ativo até o final do mês de novembro, podendo ter seu uso estendido. 

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Até agora o Japão contabilizou cerca de 120 mil casos notificados de coronavírus e 2 mil mortes. As autoridades do país oriental estão pedindo vigilância após o ressurgimento de casos, principalmente, com a chegada do inverno na região.

Engenheiros tunisianos desenvolveram uma mão biônica capaz de fornecer soluções inovadoras para as necessidades dos deficientes, graças a seus dedos de plástico movidos pelos músculos do braço, peças impressas em 3D fáceis de substituir e com uma bateria movida a energia solar.

Mohamed Dhaouafi, de 28 anos, concebeu seu primeiro protótipo de projeto universitário enquanto estudava na Escola Nacional de Engenharia de Susa, no leste deste país do Magreb.

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"Tínhamos planejado criar uma plataforma de distribuição de produtos farmacêuticos", lembra o engenheiro, explicando que "um membro da equipe tinha uma prima que nasceu sem uma das mãos, e os pais não tinham condições de comprar uma prótese para ela, até porque ela estava crescendo. Então decidimos projetar uma mão".

Depois de terminar a universidade, Dhaouafi criou sua startup Cure Bionics, em 2017, em seu quarto na casa de seus pais, enquanto muitos de seus colegas preferiam emigrar e procurar trabalho no exterior.

"Queria não apenas mostrar a mim mesmo que podia fazer isso, mas fazer algo importante e mudar a vida das pessoas", diz este jovem, que hoje trabalha em um escritório ao lado da universidade que reúne várias pequenas empresas inovadoras.

- Inteligência Artificial -

Dhaouafi conseguiu contratar quatro funcionários, graças ao dinheiro arrecadado em concursos e ao investimento de dezenas de milhares de dólares feito por uma empresa americana.

Sua mão biônica funciona por meio de sensores que detectam movimentos musculares. Um programa então os interpreta e transmite as indicações para a mão artificial, composta por um pulso e por quatro dedos com impulsos musculares. O polegar, com junta mecânica, deve ser manipulado manualmente.

A Inteligência Artificial permite reconhecer os impulsos musculares de movimentos complexos e, assim, facilitar o uso da prótese.

A Cure Bionics espera lançar sua invenção dentro de quatro meses. Começará pela Tunísia e, depois, espera exportá-la para outros países da África, onde mais de 75% das pessoas com deficiência que precisam de assistência técnica não lhe têm acesso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O objetivo é que seja acessível financeiramente, mas também geograficamente", explica o engenheiro, que faz parte da lista de empreendedores inovadores com menos de 35 anos distinguida em 2019 pela MIT Technology Review.

Sua invenção custará entre US$ 2.000 e US$ 3.000 por unidade, um preço alto, mas inferior ao de outras próteses biônicas importadas da Europa.

- Impressão em 3D: futuro das próteses? -

A Cure Bionics pretende fabricar seu produto o mais próximo possível de seus consumidores, contando com a presença de técnicos locais que permitam adaptar a mão às necessidades de seu usuário, imprimindo suas peças em 3D para se adaptarem à morfologia de cada um.

"Uma prótese importada representa hoje várias semanas, ou até meses, de espera após a compra e também a cada reparo", alega Dhaouafi.

Por esse motivo, ele desenhou uma mão com múltiplas peças montadas que podem ser obtidas com impressoras 3D, permitindo que sejam facilmente trocadas em caso de quebra, ou na adaptação de crianças em crescimento.

Já usada desde 2010 na fabricação de mãos mecânicas rudimentares, a impressão 3D está-se tornando cada vez mais comum na fabricação de próteses.

"A tecnologia ainda está em desenvolvimento, mas uma grande mudança está começando", celebra Jerry Evans, chefe da empresa canadense Nia Technologies, especializada em impressão em 3D de próteses inferiores.

"Os países menos desenvolvidos provavelmente passarão de técnicas arcaicas para esse tipo de tecnologia, que é muito mais barata" e permite poupar tempo, acrescenta.

Evans adverte, no entanto, que a impressão em 3D não é uma solução mágica, já que a fabricação de próteses realmente úteis exige notáveis conhecimentos médicos.

Foi lançada oficialmente nesta terça-feira (15), através de um evento virtual, a rede europeia para pesquisas em inteligência artificial. Chamada de Ellis, um acrônimo para European Laboratory for Learning and Intelligent Systems (Laboratório Europeu de Aprendizagem e Sistemas Inteligentes, em tradução livre), a iniciativa conta com 30 laboratórios espalhados por 14 países.

A Itália participa da ação com três unidades de pesquisas: uma formada pelo Instituto Italiano de Tecnologia e a Universidade de Gênova, com o laboratório do Politécnico de Turim e o terceiro é o da Universidade de Modena.

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"Hoje, celebramos o início da parceria Ellis, nascida há dois anos. Unindo as forças, todos darão a sua contribuição até que a Europa possa competir no campo da inteligência artificial, sobretudo com a China e com os EUA", destacou o cofundador da rede e diretor do Instituto Max Planck da Alemanha, Bernhard Scholkopf.

Para o alemão, a Ellis permitirá que sejam criadas "novas oportunidades de colaboração entre os cientistas de toda a Europa" e também vai "fundamentar o desenvolvimento de uma inteligência artificial em linha com valores das sociedades abertas europeias".

A nova rede já colocou à disposição um financiamento comum de cerca de 300 milhões de euros para um período de cinco anos. As atividades de pesquisas vão desde o desenvolvimento das máquinas à programação dos equipamentos e a criação de uma linguagem natural da robótica.

Da Ansa

A relevância da inteligência artificial (IA) e os riscos da sua adoção vêm ensejando movimentos por governos para implantar ações ou regular essa tecnologia. Nos últimos anos, diversos países lançaram estratégias, políticas nacionais ou legislações que atingem de forma geral ou parcial tais soluções técnicas. No Brasil, o governo colocou em consulta pública uma proposta de estratégia, que após receber contribuições deverá ser publicada em breve.

Parte dos países possui políticas mais amplas que incluem IA, em geral, focadas em indústria 4.0. É o caso da Iniciativa Digital da Dinamarca, do Programa Holandês para Empresas Inteligentes e da Plataforma Indústria 4.0 da Áustria. Contudo, com o crescimento da IA e a aposta nesses equipamentos em áreas diversas, da economia à política, os Estados passaram a debater políticas específicas sobre o tema.

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Um dos pioneiros foi a China. O governo do país lançou em 2017 o “Plano de Desenvolvimento da Inteligência Artificial da Próxima Geração”. A meta era que o país se equiparasse ao líder global na área, os Estados Unidos, em 2020 e chegasse em 2030 dominando o campo. Um órgão foi criado para coordenar a implementação (Escritório de Promoção do Plano de IA) e um comitê de aconselhamento. A integração com o setor privado conta com uma “Aliança para o Desenvolvimento da IA”.

O plano indica a necessidade de elaborar uma “nova geração de teoria básica sobre a IA no mundo”, além de construir uma tecnologia de IA de forma cooperativa, elevando a capacidade técnica do país em relação ao restante do mundo, envolvendo soluções em realidade virtual, microprocessadores, processamento em linguagem natural. Uma plataforma integrada foi elencada como base para dar apoio a aplicações e soluções a serem desenvolvidas por atores públicos e privados no país. Entre as metas está a aceleração da formação de talentos em ocupações de ponta na construção de sistemas de IA e o fomento a bens e serviços como hardware inteligentes (a exemplo de robôs), carros autônomos, realidade virtual e aumentada e componentes da Internet das Coisas.

Europa e EUA

Em 2018, a Comissão Europeia lançou sua estratégia e um plano coordenado para o tema, visando orientar a construção de políticas nacionais dos estados-membros e fortalecer seu esforço de consolidar um mercado digital único. Sua abordagem foi afirmada como “centrada nos humanos”. A estratégia é focada em quatro frentes: ampliar os investimentos na área, preparação para impactos socioeconômicos, desenvolvimento de um arcabouço ético e de um modelo regulatório adequado.

O plano assume que o bloco precisa ampliar investimentos para não perder a corrida global pelo domínio da tecnologia, instituindo uma meta de aportes de empresas e instituições públicas na casa dos US$ 20 bilhões por ano. Entre os focos estão repasses para startups inovadoras e tecnologias de ponta. Para incentivar o desenvolvimento, a Europa atua para robustecer e integrar centros de pesquisa com estudos sobre o assunto, bem como promove projetos-piloto para testar as soluções propostas, no âmbito da criação de “hubs” de inovação digital no bloco.

As iniciativas de preparação envolvem a mitigação dos riscos trazidos por essas tecnologias. É o caso das mudanças no trabalho e das habilidades necessárias para as atividades produtivas. Uma das medidas será a ampliação de mestrados e doutorados em IA. Outro eixo é a construção da confiança por meio de um ambiente seguro de fluxo de dados.

Em 2018, entrou em vigor o Regulamento Geral de Proteção de Dados do bloco, considerado modelo de legislação protetiva. Contudo, o fato dos dados serem matéria-prima da IA demanda o uso de muitos registros, criando desafio de facilitar o fluxo de informações sem descuidar do respeito aos direitos dos titulares. Para além dos dados, são necessários computadores para operar o processamento. A Europa possui uma iniciativa de computação de alta performance visando avançar na sofisticação de sua estrutura informatizada com redução do consumo de energia. No plano regulatório, o intuito é construir modelos “flexíveis o suficiente para promover inovação enquanto garantam altos níveis de proteção e segurança”.

Já os Estados Unidos divulgaram sua estratégia nacional “IA para o Povo Americano” baseada em cinco pilares:

» Promover pesquisa e desenvolvimento sustentáveis no tema;

» Liberar recursos para o campo;

» Remover barreiras para a inovação em IA;

» Empoderar os trabalhadores americanos com educação focada em IA e oportunidades de treinamento, e;

» Promover um ambiente internacional que dê suporte da inovação e uso responsável da IA pelos EUA.

O plano estabelece ações para fomento da tecnologia na indústria, focando em alguns setores: transporte, saúde, manufatura, finanças, agricultura, previsão do tempo, segurança e defesa nacionais. Entre iniciativas estão a facilitação dos procedimentos para a operação de carros autônomos em estradas do país, aceleração de autorização de equipamentos de IA no sistema de saúde e atuação específica do escritório de patentes para viabilizar novos registros de soluções em IA.

Brasil

No Brasil, há legislações que tratam de temas relacionados à IA, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O governo lançou uma consulta pública no fim de 2019 sinalizando diretrizes e apresentando indagações aos participantes sobre os caminhos que uma estratégia nacional deveria seguir. Segundo o texto da consulta, a estratégia deve ter por objetivo “potencializar o desenvolvimento e a utilização da tecnologia para promover o avanço científico e solucionar problemas concretos do país, identificando áreas prioritárias nas quais há maior potencial de obtenção de benefícios”.

A sondagem busca colher subsídios sobre determinados temas que são comuns às políticas nacionais, como incentivo à pesquisa e desenvolvimento e iniciativas para a requalificação da força de trabalho. 

Um dos desafios colocados pela consulta é a identificação dos segmentos econômicos com potencial de gerar ganhos econômicos ao país e obter protagonismo na concorrência global. “Essas áreas possibilitam dar visibilidade para o país em termos internacionais, gerar empregos com maiores salários, atrair grandes empresas da área de TI[tecnologia da informação], gerar produtos e aplicações da IA para as diversas necessidades dos setores público e privado e, também, preparar o país para a necessidade de requalificação que a tecnologia vem impondo em nível global”, pontua o texto.

Na segurança pública, área objeto de intensas polêmicas no campo, a consulta reconhece os questionamentos internacionais no tocante a aplicações como reconhecimento facial e técnicas como policiamento preditivo, evitando adotar uma posição e questionando os participantes acerca das melhores respostas.

O texto indica a necessidade de instituir um ecossistema de governança de IA tanto no setor público quanto no privado para observar critérios como a explicabilidade, o combate aos vieses e a inclusão de parâmetros de privacidade, segurança e direitos humanos no desenvolvimento dos sistemas. Tomando o debate internacional sobre valores, princípios éticos e abordagens de direitos humanos aplicadas à IA, a consulta indaga os participantes sobre quais mecanismos são os mais adequados à concretização desses princípios e ao estabelecimento de salvaguardas, questionando se seria o caso de uma lei geral para o assunto.

Para pesquisadores, empresários e ativistas consultados pela Agência Brasil, o tema é complexo e enseja distintos mecanismos de políticas públicas e regulação para promover soluções adequadas e evitar consequências prejudiciais a indivíduos e grupos sociais.

O cientista de dados da startup Semantix, que comercializa aplicações de IA, defende que as políticas públicas limitem-se ao apoio às empresas atuando na área. “É importante fazer alinhamento com o estímulo à inovação, dar estímulo para startup que adota IA. Assegurar que essas empresas tenham incentivo fiscal ou incentivo a fundo perdido. Hoje estamos distantes do que ocorre nos outros países. Precisamos diminuir essa diferença para atingir inovação”, recomenda.

Um dos aspectos é o da garantia da concorrência neste mercado. Na avaliação do coordenador da Associação de Pesquisa Data Privacy Brasil, Rafael Zanatta, um eixo importante da regulação é o tratamento dos dados como ativo econômico. Uma vez que grandes conglomerados se utilizam de grandes bases de dados como vantagens competitivas (como redes sociais e mecanismos de busca), em outros países vem crescendo a discussão sobre o tratamento dos dados como uma infraestrutura pública.

“Organizações internacionais como OCDE, FMI e Banco Mundial têm relatórios dizendo que um dos maiores problemas é a alta concentração econômica, com grupos entrincheirados com grandes bases de dados. Uma das modalidades é aplicar regulações que delimitem conjuntos de dados obrigatoriamente compartilhados. Descentralizar o acesso, mas protegendo dados pessoais”, argumenta Zanatta.

O pesquisador da Fundação Konrad Adenauer e autor de livros sobre o tema Eduardo Magrani acredita que em breve será preciso dar resposta à emergência das máquinas inteligentes como agentes. “Quais as características que nos fazem humanos e em que ponto as máquinas vão ser merecedoras destes direitos? Minha opinião é que no estágio atual a gente ainda não precisa atribuir uma personalidade eletrônica. Mas precisamos preparar terreno porque a IA pode dobrar a cada 18, 24 meses. A medida que for ganhando autonomia a gente vai precisar atribuir alguns direitos e eventualmente até uma personalidade eletrônica”, sugere.

Legislação

Para além da Estratégia Nacional, projetos de lei já foram apresentados no Congresso Nacional visando regular o campo. O PL 5051 de 2019, do senador Styvenson Valentim (PODEMOS/RN) estabelece princípios ao uso da IA no país, como respeito à dignidade humana e aos direitos humanos, transparência e auditoria dos sistemas, garantia da privacidade e supervisão humana. Além disso, responsabiliza os criadores ou proprietários dos sistemas por danos causados por eles.

O PL 2120 de 2020, do deputado Eduardo Bismack (PDT/CE) também estabelece fundamentos e princípios, como desenvolvimento tecnológico, proteção de dados, livre concorrência, respeito aos direitos humanos, não discriminação, explicabilidade, centralidade do ser humano, segurança, transparência e fiscalização do cumprimento das normas legais. As partes afetadas por um sistema passam a ter direitos, como informações claras sobre os critérios adotados e sobre uso de dados sensíveis. Para o deputado, diante do cenário da relevância da IA e de seu potencial, “torna-se apropriada a edição de legislação sobre a matéria, tornando obrigatórios os princípios consagrados no âmbito internacional e disciplinando direitos e deveres”.

Na avaliação do coordenador do Centro de Pesquisa em IA da Universidade de São Paulo e professor da Escola Politécnica da instituição, Fábio Gozman, medidas devem ser específicas em relação aos potenciais prejuízos sob risco de prejudicar a inovação no campo. “É preciso identificar problemas e atuar sobre eles. Seria importante definir claramente o que é uma violação de privacidade, um deepfake [vídeo alterado artificialmente para parecer real]. Isso não significa só proibir coisas, o que pode dificultar ter bônus na sua economia”, observa.

O diretor de relações governamentais da IBM no Brasil, Andriei Gutierrez, vai em sentido semelhante. “Hoje o país não está maduro para você avançar em qualquer regulação geral. Com uma lei geral corre risco de afetar aplicações das quais nossa sociedade depende. Se obrigar revisão de decisões automatizadas por humano, o risco é você ter sérias consequências". Já para a analista de políticas para América Latina da organização internacional Eletronic Frontier Foundation Veridina Alimonti, a ausência de mecanismos que assegurem a revisão humana pode tornar esse recurso figurativo.

Para o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília Sivaldo Pereira, a regulação do tema passa por um amplo debate sobre temas como regras sobre o poder de tomada de decisão das máquinas; níveis de autonomia; mecanismos de controle dos sistemas que podem subverter os seus autores; limites no uso de IA para algumas questões sensíveis, passando ainda por diretrizes sobre a criação de códigos (como necessidade de diversidade étnica, cultural, de classe etc. tanto nas equipes que escrevem códigos quanto no público por meio do qual o algoritmo é treinado, pois isso reflete diretamente nas características do produto final). “É preciso criar uma política regulatória centrada no elemento humano e não apenas deficiência técnica do sistema”, defende o docente.

Com o crescimento da importância e visibilidade da inteligência artificial (IA) estão aumentando também as preocupações com as consequências negativas da utilização dessas tecnologias. Diante dos riscos e efeitos prejudiciais, governos, pesquisadores, associações civis e até mesmo empresas vêm discutindo os cuidados e medidas necessários para mitigar esses resultados prejudiciais.

O arco de riscos e perigos é diverso. Para além do tema mais notório do futuro do trabalho, possíveis complicações vão da discriminação de determinados segmentos até a própria mudança da noção de humanidade e da prevalência desta sobre as máquinas, passando por ameaças à privacidade e danos na organização de mercados e abusos no emprego de armas.

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A inteligência artificial envolve processamento complexo que demanda uma grande quantidade de dados para sua eficácia. Por isso, o funcionamento adequado destes sistemas, e eventuais ganhos advindos, pressiona por uma coleta crescente de informações. Tais soluções podem amplificar a já forte preocupação com a proteção de dados pessoais.

Em agosto do ano passado, foi tornado público que o Google trabalhava em um projeto (Project Nightingale) pelo qual coletava dados de milhões de pacientes dos Estados Unidos por meio de acordos com empresas sem que essas pessoas soubessem. O Google é uma das empresas de ponta nesse campo, utilizando inteligência artificial em diversos produtos, do mecanismo de busca ao tradutor, entre outros.

O Facebook, outro conglomerado importante no emprego de aplicações com inteligência artificial, também vem historicamente aprofundando formas de coleta de informações de usuários. Em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos em abril de 2018, o diretor-executivo, Mark Zuckerberg, admitiu que a empresa coleta dados inclusive de quem não é seu usuário.

Pesquisa do Pew Research Center divulgada em 2019 com cidadãos norte-americanos apontou que cerca de 80% dos ouvidos estavam preocupados com sua privacidade e sentiam-se sem controle de suas informações pessoais frente a empresas e aos governos. Já outro estudo, da Unysis, colocou o Brasil como sexto país em que os cidadãos estão mais receosos em relação ao acesso às suas informações online.

Essas preocupações vêm ensejando a aprovação de leis em diversos países, como o regulamento geral da União Europeia, cuja vigência iniciou em 2018, e a Lei Geral de Proteção de Dados ( lei brasileira Nº 13.709), que entrará em vigor em agosto deste ano. Mais de 100 países já possuem legislações deste tipo, um mapa global pode ser visto no levantamento da consultoria DLA Piper.

Discriminação

Uma vez que os sistemas de inteligência artificial vem ganhando espaço em análises e decisões diversas, essas opções passam a afetar diretamente as vidas das pessoas, inclusive discriminando determinados grupos em processos diversos, como em contratações de empregados, concessão de empréstimos, acesso a direitos e benefícios e policiamento. Uma das aplicações mais polêmicas são os mecanismos de reconhecimento facial, que podem determinar se uma pessoa pode receber um auxílio, fazer check in ou até mesmo ir para a cadeia.

Na China, uma ferramenta chamada SenseVideo passou a ser vendida no ano passado com funcionalidades de reconhecimento de faces e de objetos. Mas a iniciativa mais polêmica tem sido o uso de câmeras para monitorar atos e movimentações de cidadãos com o intuito de estabelecer notas sociais para cada pessoa, que podem ser usadas para finalidades diversas, inclusive diferenciar acesso a serviços ou até mesmo gerar sanções.

No Brasil, soluções deste tipo vêm sendo utilizadas tanto para empresas como o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) como para monitoramento de segurança por câmeras, como nos estados do Ceará, Bahia e Rio de Janeiro. Neste último, no segundo dia de funcionamento, uma mulher foi presa por engano, confundida com uma fugitiva.

Em fevereiro de 2018, dois pesquisadores do renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) e da Universidade de Stanford, Joy Buolamwini e Timnit Gebru, testaram sistemas e constataram que as margens de erro eram bastante diferentes de acordo com a cor da pele: 0,8% no caso de homens brancos e de 20% a 34% no caso de mulheres negras. Estudo do governo dos Estados Unidos, publicado no ano passado, avaliou 189 ferramentas deste tipo, descobrindo que as taxas de falsos positivos eram entre 10 e 100 vezes maior para negros e asiáticos do que para brancos.

Os questionamentos levaram estados e cidades a banir a tecnologia, inclusive São Francisco, a sede das maiores corporações de tecnologia do mundo; e Cambridge, onde fica o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A Comissão Europeia anunciou, no início do ano, a possibilidade de banir o reconhecimento facial, tema que está em debate no bloco. No Brasil, ao contrário, há dois projetos de lei obrigando o reconhecimento facial em determinadas situações, como em presídios.

Projetos de inteligência artificial podem promover a discriminação também em políticas públicas. Na província de Saltas, na Argentina, a administração local lançou uma plataforma tecnológica de intervenção social em parceria com a Microsoft com o intuito de identificar meninas com potencial de gravidez precoce a partir da análise de dados pessoas, como nome e endereço.

“Além dos métodos estatísticos serem malfeitos, a iniciativa tem presunções sexistas, racistas e classistas sobre determinado bairro ou segmento da população. O trabalho é focado em meninas, somente, presumindo que os garotos não precisam aprender sobre direitos sexuais e reprodutivos. Temos que tomar cuidado para que segmentos já segregados não sejam mais discriminados sob uma máscara de opções neutras da tecnologia”, observa a diretora da organização Coding Rights e pesquisadora do Berkman Klein Center da Universidade de Harvard, Joana Varón, que elaborou um artigo sobre a experiência.

A analista de políticas para América Latina da organização internacional Eletronic Frontier Foundation, Veridiana Alimonti, ressalta questões a serem observadas nas decisões automatizadas. Os parâmetros dos modelos são construídos por um humano, que tem concepções e objetivos determinados. E seu emprego em larga escala traz riscos ao devido processo em decisões que afetam a vida das pessoas a partir de sistemas que muitas vezes não possuem transparência tanto no seu desenvolvimento quanto na sua aplicação.

“É preciso que haja resposta a medida em relação a esse tipo de decisão. É preciso ter dimensão do impacto que isso tem e salvaguardas de direitos que precisam ser protegidos, seja antes na escolha da ferramenta ou para ter pessoa específica que possa ter condição de revisão e que seja efetiva, e não que simplesmente se crie um processo em que essa reclamação leve a uma nova análise pelo sistema”, argumenta.

Concentração

A capacidade de influência a partir dessa gama variada de decisões é ainda maior quando um determinado agente possui poder de mercado. Na área de tecnologia, grandes conglomerados dominam seus nichos de mercado e lideram a adoção de inteligência artificial, como Microsoft, Amazon, Google, Apple e Facebook nos Estados Unidos; e Tencent e Alibaba na China.

O Google possui mais de 90% do mercado de buscas e mais de 70% do mercado de navegadores, bem como controla a maior plataforma audiovisual do mundo, o Youtube. O Facebook alcançou 2,5 bilhões de usuários e controla os três principais aplicativos do mundo: Facebook, FB Messenger e Whatsapp, além do Instagram.

Quanto mais participação de mercado e mais usuários, mais dados são coletados. E se essas informações pessoais são consideradas por entidades internacionais como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fórum Econômico Mundial (FEM) um ativo econômico chave, quem controla amplas bases passa a deter uma vantagem competitiva chave, podendo reforçar seu domínio e prejudicar concorrentes.

“Essa nova economia parece muito mais tendente à concentração e centralização. É muito mais difícil vencer barreiras monopolistas neste setor do que em outro. Essa monopolização dos dados significa uma monopolização da capacidade de monetizá-los e gerar novos avanços tecnológicos com base neles. A disputa pelos dados é uma disputa central e parte considerável destes serviços está fazendo pelo mundo todo”, analisa o professor de sociologia econômica da Universidade Federal do Ceará Edemilson Paraná.

Armas autônomas

Um dos riscos objeto de atenção mais forte tem sido o crescimento de armas inteligentes, como drones e tanques autônomos, descritas como a terceira revolução das guerras após a pólvora e as armas nucleares. Entre 2000 e 2017, eles subiram de 2 para mais de 50 em todo o mundo. Os países que mais desenvolvem essas máquinas são Estados Unidos, Israel, Rússia, França e China. Tais aparelhos elevam os riscos das decisões autônomas, uma vez que essas passam a envolver a decisão sobre vida e morte de indivíduos.

Em 2015, mais de mil pesquisadores da área de inteligência artificial e especialistas como o falecido físico Stephen Hawking, o co-fundador da Apple Steve Wozniak e o cérebro por trás da Tesla e da SpaceX Elon Musk assinaram uma carta aberta cobrando que as Nações Unidas banissem o uso de armas autônomas como drones. Uma campanha foi criada para essa finalidade, chamada Parem os Robôs Assassinos, advogando pela proibição da produção e do uso de armas totalmente automatizadas. Em fóruns internacionais e nas Nações Unidas, governos discutem a regulação ou o veto ao emprego dessas tecnologias, ainda sem conclusão.

Esse conjunto de riscos, contudo, vem provocando uma atenção relativa das empresas que lidam com inteligência artificial. Levantamento da McKinsey de novembro de 2019 apontou também que 40% das companhias ouvidas identificam e priorizam os riscos relacionados a essa tecnologia. Os impactos negativos que mobilizam maior atenção das empresas ouvidas foram a cibersegurança (62%), cumprimento da lei (50%), privacidade (45%), explicabilidade (39%), reposição de força de trabalho (35%), reputação organizacional (34%) e tratamento justo (26%). Na comparação entre utilizadores intensos de inteligência artificial e demais setores, a preocupação com parâmetros no uso de dados ocorre em 76% dos primeiros e 18% dos segundos. A garantia de mecanismos de explicação foi relatada por 54% dos primeiros, contra 17% do segundos.

Princípios éticos

Esse amplo conjunto de riscos e polêmicas ensejou a ampliação do debate sobre os cuidados e medidas a serem tomadas para mitigar tais ameaças e potencializar o uso de máquinas inteligentes para finalidades adequadas. Centenas de pesquisadores subscreveram um documento chamado Princípios de Asilomar, em referência ao local onde uma conferência foi realizada sobre o tema, na Califórnia em 2017.

O texto afirma princípios como segurança, responsabilidade, privacidade e benefício da sociedade. Pontua também cuidados como explicação e capacidade de auditoria em caso de decisões, falhas e desvios (inclusive no campo jurídico), respeito aos valores e direitos humanos, compartilhamento dos benefícios e ganhos econômicos promovidos por máquinas inteligentes, controle humano e não-subversão das dinâmicas humanas.

Nos últimos anos, empresas de tecnologia também apresentaram suas balizas. A Microsoft, por exemplo, lançou seus princípios: imparcialidade, confiabilidade, transparência, privacidade e segurança, inclusão e responsabilidade. O Google também anunciou valores e diretrizes para o desenvolvimento dessas tecnologias: benefício social, mitigação do reforço de vieses, segurança, transparência, incorporação de princípios de segurança no seu desenho técnico, expressar parâmetros científicos de ponta e ser disponibilizada para usos de acordo com esses princípios.

O principal relatório sobre inteligência artificial no mundo (AI Index, elaborado pela Universidade de Stanford) registrou em sua edição de 2019 que 19% das empresas ouvidas pelo levantamento relataram alguma medida para promover a explicabilidade dos seus algoritmos. Outras 13% informaram atuar para lidar com problemas como vieses e discriminação, buscando formas de amplificar a equidade e o tratamento justo de seus sistemas.

Governos e organismos internacionais também entraram na discussão. Em abril do ano passado, a Comissão Europeia divulgou diretrizes para uma inteligência artificial centrada nas pessoas. Elas reforçam a relevância da participação e o controle dos seres humanos, com objetos técnicos que promovam o papel e os direitos das pessoas, e não prejudiquem estes.

Uma orientação complementar é a garantia de que os sistemas considerem a diversidade de segmentos e representações humanas (incluindo gênero, raça e etnia, orientação sexual e classe social, entre outros) evitando atuações que gerem discriminação.

Segundo o documento, os sistemas de inteligência artificial devem ser robustos e seguros, de modo a evitar erros ou a terem condição de lidar com estes, corrigindo eventuais inconsistências.

Ao mesmo tempo, o texto destaca a necessidade de assegurar a transparência dos sistemas, bem como a garantia de sua rastreabilidade e explicabilidade, para que não haja dificuldades na compreensão de sua atuação. Essas soluções técnicas devem assegurar a privacidade e o controle dos cidadãos sobre seus dados. As informações coletadas sobre um indivíduo não podem ser utilizadas para prejudicá-lo, como em decisões automatizadas que o discriminam em relação a alguém.

Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) defende que a inteligência artificial deve beneficiar as pessoas e o planeta ao promover crescimento inclusivo, desenvolvimento sustentável e bem-estar. O desenvolvimento deve respeitar as legislações e os direitos humanos, valores democráticos e a diversidade, com salvaguardas como permitir a intervenção humana quando necessário.

A OCDE reforça a importância da transparência e da explicabilidade de modo que pessoas possam entender o funcionamento e as decisões tomadas e questioná-las se desejarem. Tais tecnologias devem ser seguras e não oferecer riscos para as pessoas; e os indivíduos, as empresas e as organizações por trás deles devem ser responsabilizados se for o caso.

Joana Varon, da Coding Rights, contudo, pondera que muitas empresas pautam uma agenda de ética e inteligência artificial de modo que tais diretrizes não atrapalhem seus negócios.

“Este debate de ética e inteligência artificial acaba levando a uma interpretação de que a simples autorregulação das empresas seria suficiente. Devemos falar é de direitos humanos e nas relações de poder existentes na sociedade”, advoga.

Uma abordagem mais forte emerge também nas discussões sobre políticas públicas e regulação do tema, objeto de outra reportagem desta série.

A Inteligência Artificial (IA) vem ganhando força como tecnologia já bastante utilizada no presente e com potencial de transformar atividades produtivas e do cotidiano no futuro próximo. Mas na corrida pelo domínio desse campo, o Brasil está atrasado em relação a outros países, tanto na área da pesquisa quanto na das aplicações práticas e do mercado envolvendo tais soluções.

A IA é considerada por especialistas e na economia não somente como um segmento com grande potencial econômico, mas também como um elemento gerador de receitas em diversos segmentos produtivos. Neste sentido, seu desenvolvimento não está relacionado apenas a um setor de tecnologia de ponta, mas a um elemento base da chamada transformação digital, que já atinge agricultura, indústria, finanças e atividades cotidianas.

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Reconhecendo essa importância, Estados Unidos e China travam uma disputa pela liderança global. Os Estados Unidos são o lar das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Amazon, Google, Microsoft, Apple, Facebook e IBM. Mas os rivais asiáticos vêm galgando postos nos rankings com grandes conglomerados digitais. Em seu plano para o tema, a meta é igualar os americanos até este ano.

Na lista das 100 maiores empresas de 2019 da consultoria Price Waterhouse Coopers, as quatro primeiras são companhias de tecnologia estadunidenses: Microsoft, Apple, Amazon e Alphabet (Google), com o Facebook em 6º. Mas no ranking das 10 primeiras, já aparecem duas concorrentes chinesas, Alibaba e Tencent. A primeira é um megagrupo de comércio eletrônico com atuação global. Já a segunda possui algumas das maiores redes sociais do planeta, como QQ e WeChat.

Um exemplo dos ganhos com a adoção de IA é o grupo de serviços financeiros chinês Ant. Controlado pelo conglomerado Alibaba, tornou-se a maior fintech [firma que oferece serviços financeiros por meio de plataformas tecnológicas] do mundo e já atinge um bilhão de clientes em todo o planeta. A empresa utiliza IA para diferentes tipos de serviços, como concessão de empréstimos, gestão de finanças e seguros. A tecnologia é empregada, por exemplo, no exame dos riscos de crédito dos candidatos.

O Brasil não possui firmas de tecnologia no ranking, aparecendo apenas com a Petrobras na 97a posição. Entretanto, o Brasil ficou em terceiro na criação de “unicórnios”, empresas com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão, atrás apenas de EUA e China e empatado com Alemanha. Como base de comparação, os americanos criaram 78 unicórnios em 2019, enquanto os asiáticos tiveram 22 companhias nessa condição no ano passado.

A disputa entre Estados Unidos e China se mostra em aspectos distintos. Na pesquisa, por exemplo, a China ultrapassou os Estados Unidos neste quesito em 2006 e publica mais do que os americanos e a União Europeia, conforme dados do principal relatório internacional sobre o assunto, o AI Index, elaborado pela Universidade de Stanford, nos EUA.

Por outro lado, a América do Norte foi responsável por 60% das patentes nesta área no período entre 2014 e 2018. No ranking de publicações em periódicos científicos em números absolutos, o Brasil aparece em 15ª. Quando considerado este desempenho em relação à população, o país cai para a 36ª posição. Já no ranking de patentes, o Brasil não figura no grupo dos 24 principais países analisados.

"O Brasil tem potencial imenso em termos científicos. Temos excelentes pesquisadores e ótimo público, pois nossa população em geral é muito conectada. Só que me preocupa essa fuga de cérebros que tem ocorrido, a gente vê profissionais e pesquisadores saindo do Brasil por inúmeras questões, além de fracos incentivos na área de pesquisa. Apesar o potencial, vejo Brasil perdendo fôlego nessa corrida de IA", pontua a professora do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jonice Oliveira.

“A IA capacidade e possibilidade de impacto transversal na economia, mas isso depende de vários fatores, como capacidade de investimento das empresas, disponibilidade de profissionais, ecossistema que formação e apoio governamental e público, financiamento público e privado. Se a gente olha para essas necessidades, vemos que o Brasil está radicalmente atrás deste processo”, reforça o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante de uma rede internacional de pesquisa sobre o tema Edemilson Paraná.

Investimentos

No tocante aos investimentos, o desempenho de cada país evidencia uma distribuição bastante desigual. Segundo o IA Index, a partir de bases como Crunchbase e Capiq, do total aportado em projetos envolvendo essas soluções técnicas entre 2018 e 2019, mais de US$ 30 bilhões foram em iniciativas nos Estados Unidos.

Outros US$ 25 bilhões apoiaram empresas e instituições chinesas. Em terceiro lugar aparece o Reino Unido, com menos de US$ 5 bilhões. O ranking é dominado por nações da América do Norte, Europa e Ásia. Do grupo de 27 países, o Brasil aparece em último, com desempenho próximo do zero.

Segundo relatório da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscom) sobre perspectivas de investimento do setor entre 2018 e 2022, dos R$ 345 bilhões previstos em tecnologia de transformação digital, apenas R$ 2,5 bi seriam direcionados para essas aplicações. “Estes números comparados parecem muito modestos”, observa Sérgio Galindo, diretor executivo da entidade.

Força de trabalho

De acordo com o AI Index, o Brasil foi o segundo país com maior crescimento na contratação de profissionais lidando com a tecnologia no período entre 2015 e 2019, atrás apenas de Cingapura. Em seguida vêm Austrália, Canadá e Índia. “Talvez a gente não tenha a formação suficiente, número de pessoas suficiente para atender à demanda”, pontua o cientista de dados da startup Semantix Alexandre Lopes.

Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscom), o setor de tecnologia da informação deve demandar 420 mil novos empregos entre 2018 e 2022. Deste total, contudo, apenas 1,8% seriam em projetos de IA. A prioridade atual no mercado, conforme indicou a pesquisa, é a contratação de programadores de aplicativos em dispositivos móveis, como smartphones.

Experiências

Um dos segmentos com adoção mais avançada da IA é na relação com clientes. Serviços de atendimento de diversas empresas passaram a funcionar com robôs de conversa, ou chat bots, para receber as demandas, fornecer respostas e somente repassar a um atendente em casos em que os sistemas não conseguiram resolver. Diversos bancos lançaram assistentes virtuais, como o Bradesco (Bia), Itaú (AVI), Inter (Babi), Banco Central (Din). De acordo com o Bradesco, seu assistente virtual possuía em 2019 uma taxa de resolução de 95%.

Na saúde, a IA vem permitindo avanços na área de diagnóstico e na realização de procedimentos médicos. Em 2016, o Brasil tinha 30 robôs auxiliando cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Há óculos que podem projetar uma imagem de cirurgia e com isso um médico participar de uma mesma cirurgia. Há luvas que já evitam que um médico trema por um motivo ou por outro. Tem análise de imagem já feita de forma automática. A máquina analisa com bons resultados para tratamento de câncer”, elenca a professora Rosa Vicari, da UFRGS.

Outra área em que a IA vem crescendo é no direito. Partindo da capacidade de compreensão de textos escritos, sistemas passaram a ser utilizados em análises de processos. O Supremo Tribunal Federal (STF) criou um projeto denominado Victor para exame de casos de repercussão geral, como parte de seu programa de transformação digital. Segundo a corte, verificações que levavam cerca de 45 minutos por funcionários do Tribunal passaram a ser processadas em cinco segundos pelo sistema.

“Essa ferramenta promete trazer maior eficiência na análise dos processos com economia de tempo e recursos humanos, além de ter potencial de atuação em todo o Judiciário brasileiro”, declarou o presidente do STF, Dias Toffoli, em palestra sobre o tema realizada em Brasília, em outubro de 2019.

A Petrobras contratou a Microsoft para utilizar IA nos programas de segurança no trabalho, para funcionários atuando em navios-sonda ou em plataformas. Por meio de análise de imagens, o sistema identifica se equipamentos de proteção estão tendo uso adequado. O programa também consegue por meio de imagens conferir se há algum tipo de obstrução de rotas de fuga. “São ambientes críticos e qualquer acidente que ocorrer pode causar risco. Se a gente tiver qualquer rota de fuga, por carga mal posicionada. Isso pode impactar vida de pessoas”, comenta João Thiago Poço, da Microsoft.

As companhias oferecendo soluções no mercado podem tanto ser segmentadas quanto trabalhar com aplicações diversas. No primeiro grupo está a startup Car10. A plataforma dela permite que o cliente tire foto de uma batida de carro, enviando uma estimativa de orçamento. Caso a pessoa fique interessada, pode solicitar uma proposta oficial, que será enviada em até 30 minutos, sem a necessidade de ir até o local para uma avaliação.

No segundo grupo está a Semantix, startup criada a partir do polo tecnológico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre os produtos comercializados está um sistema para padronizar laudos médicos, corrigindo erros, outro para organizar rotas de transporte de cargas em rodovias para otimizar o tempo e os gastos com combustível, uma plataforma para gerir a parte de análise de dados (big data) com segurança e uma solução de detecção de fraudes em vídeo.

“Quando uma pessoa vai abrir uma conta no banco, você precisa mandar um vídeo para eles mostrando seu documento. Nós automatizamos este processo, conseguindo fazer identificação se a pessoa é ela, se o áudio condiz com o texto proposto e se o vídeo é gravação de outro vídeo ou está usando uma máscara”, explica Alexandre Lopes, cientista de dados da Semantix.

Pesquisa

Desde o último ano, novos centros de pesquisa vêm sendo criados a partir do incentivo do governo federal. O maior será o da Universidade de São Paulo, em parceria com a IBM e com outras organizações, como o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), a PUC SP e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O laboratório receberá R$ 4 milhões por ano para financiar estudos a serem desenvolvidos por mais de 120 pesquisadores.

Entre as linhas de pesquisa estão o processamento de linguagem natural em português e métodos de aprendizado de máquina. Mas também haverá investigações relacionadas à área de humanidades. “Vamos procurar fundamentos para avaliar políticas públicas”, conta o coordenador, Fábio Cozman, professor titular da Escola Politécnica da USP. Entre as pesquisas, haverá aplicações direcionadas a setores considerados prioritários em razão do contexto socioeconômico brasileiro: saúde, agronegócio e meio ambiente.

A empresa Israel Aerospace Industries divulgou a criação de tanques de guerra que serão controlado por um joystick de Xbox 360. De acordo com o comunicado à imprensa, os novos modelos foram solicitados pelas Forças Armadas a fim de facilitar o acesso de jovens cadetes.

Os veículos têm como referência os tanques M113 norte-americanos, mas substituem as escotilhas por monitores. Os controles de Xbox 360 vão então auxiliar na escolha de armamentos para diferentes situações de combates.

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Os novatos vão praticar em simuladores 3D, inspirados em jogos como "Fortnite" (Epic Games) e "Apex Legends" (Respawn Entertainment). Além disso, o novo blindado contará com inteligência artificial, que facilitará a locomoção.

O tanque comporta quatro pessoas e está em fase de testes.

Pepper já sabia fazer ligações e dar aulas de ginástica. Porém, com a pandemia da COVID-19 esse robô tem sido programado para ajudar pessoas em isolamento, como parte de um experimento sobre inteligência artificial realizado por uma universidade escocesa.

Assim como o caso de Pepper, os cientistas da universidade Heriot-Watt, situada em Edimburgo, têm programado robôs desenvolvidos no Japão em 2014 para efetuar tarefas normalmente feitas por cuidadores ou pessoas que prestam serviços em casas.

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"Buscamos compreender quais são as necessidades das pessoas mais vulneráveis neste momento, e quais tecnologias podem ser usadas para facilitar a vida delas", explica Mauro Dragone, cientista responsável pelo projeto.

Trata-se também de "aliviar a pressão atual sobre os serviços sociais e de saúde", acrescenta o pesquisador.

O projeto busca soluções para grupos considerados prioritários, que se tornaram ainda mais vulneráveis por causa das medidas de isolamento adotadas na pandemia.

No contexto desta pesquisa, Pepper e outros robôs realizam exercícios em um laboratório universitário que recria um apartamento, com quarto, banheiro, cozinha e sala de estar.

- Confidencialidade -

Trata-se de programar robôs para realizar tarefas domésticas básicas e ajudar pessoas com deficiência visual ou auditiva, ou as que sofrem de demência.

Os robôs também podem detectar problemas de saúde e transmitir uma mensagem de alerta em caso de emergência, permitindo que os serviços de saúde tenham uma resposta rápida.

Segundo Dragone, o laboratório usa tecnologia de detecção "invisível".

"Mais do que conectar sensores, usamos tecnologias como o sinal wi-fi para perceber a presença e as atividades das pessoas em sua casa", explica ele.

Isso geralmente permite que o sistema funcione sem hardware específico para ser instalado ou levado até o local.

Os pesquisadores afirmam estar conscientes dos problemas de confidencialidade e ética que esse projeto poderia causar, ressalta o pesquisador.

Um grupo internacional de especialistas em ética em inteligência artificial monitora o experimento, e informou que realizará avaliações "constantes" sobre os riscos dessa tecnologia, à medida que ela for desenvolvida e colocada em prática.

A universidade convidou pesquisadores, prestadores de serviços e usuários dos sistemas de ajuda domiciliar para participar do projeto de forma remota.

"Estamos transformando esse laboratório em um local com acesso remoto aberto a distância, para que possamos continuar trabalhando juntos, apesar da distância física", acrescenta Mauro Dragone.

A Coalizão de Prestadores de Cuidados e Apoio da Escócia, que representa cerca de 80 assistentes voluntários que prestam cuidados a cerca de 200.000 pessoas, incentivou seus membros a colaborar com o projeto.

O novo coronavírus tornou urgente a necessidade de implementar "soluções digitais" no setor de saúde, segundo Emma Donnelly, diretora do programa digital do grupo.

Para ela, o projeto foi recebido "de forma muito positiva" até agora.

"Os profissionais da saúde sabem que o projeto os ajudará a facilitar um pouco a vida cotidiana", explica ela.

Alunos de escolas públicas ou particulares podem participar do Desafio SESI de Robótica Covid-19. O Serviço Social da Indústria (SESI) lançou um campeonato para estimular os estudantes de todo o Brasil a buscarem soluções de enfrentamento aos danos causados pela epidemia do coronavírus. O objetivo é que os estudantes criem à distância, projetos que minimizem os impactos causados pela doença.

O campeonato será feito de forma totalmente virtual e podem participar do campeonato, alunos de 9 a 18 anos em equipes de quatro a 10 estudantes, além de um técnico maior de 18 anos. Na primeira fase do torneio, os participantes terão que escolher uma área impactada pela Covid-19 e elaborar soluções que utilizem a robótica para combater e prevenir os danos causados pela pandemia. 

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Serão avaliados critérios como pesquisa, criatividade e inovação, empreendedorismo e impacto social. Além disso, a equipe deve enviar um vídeo de até dois minutos que será analisado pela banca julgadora. A segunda etapa, marcada para começar no dia 19 de agosto, permitirá que os times escolhidos detalhem a solução do projeto, enviando um vídeo de dois minutos defendendo a ideia. 

Por fim, no dia 25 de setembro, serão divulgados os três primeiros colocados na classificação geral e os que se destacaram nas categorias “Melhor Projeto de Pesquisa”, “Melhor Projeto em Criatividade e Inovação”, “Melhor Proposta de Empreendedorismo” e “Melhor Proposta de Impacto Social”. As inscrições estão abertas no site do torneiro e podem ser feitas até o dia 30 de junho.

Quando os pacientes belgas que temem ter sido contaminados pelo coronavírus comparecem ao hospital universitário da cidade da Antuérpia, o primeiro rosto que observam não é o de uma enfermeira de máscara, e sim o de um robô.

O aparelho, construído pela empresa belga Zorabots, saúda os recém-chegados e lê os dados do paciente proporcionados por um questionário preenchido pelo potencial enfermo.

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O robô mede a temperatura da pessoa e assegura que ela usa a máscara de maneira correta, antes de avaliar a probabilidade e a gravidade da infecção, com o envio para o local apropriado da clínica.

O processo não é um diagnóstico, mas uma etapa útil que reduz os contatos da equipe médica com pacientes potencialmente infectados antes de serem internados no hospital.

"Se o paciente tem uma temperatura elevada ou não usa a máscara corretamente, na tela aparece a mensagem: 'você tem um problema, não pode entrar diretamente no hospital'", explica o médico Michael Vanmechelen.

"Então, a pessoa deve ser examinada. O robô nunca trabalha sozinho, sempre atua em apoio a um funcionário do hospital", completou.

No período de progressivo retorno à normalidade, após um longo confinamento da população, "muitas pessoas deverão ser submetidas a testes", disse Fabrice Goffin, um dos diretores da Zorabots.

Com mais de 9.000 mortes, a Bélgica tem uma das taxas de letalidade mais elevadas do mundo por número de habitantes.

Mas o número deve ser examinado com cautela porque a Bélgica inclui em seu balanço casos não confirmados com teste, apenas suspeitos, quando uma pessoa morre em uma casa de repouso na qual foram detectados casos de coronavírus.

Sem boca, sem nariz e sem mãos, o risco de contágio é nulo. O garçom do Gitana Loca, em Sevilha, é perfeito para servir cervejas durante a pandemia, embora os clientes possam sentir falta do afeto, já que é um robô.

Localizada na entrada do bar, a máquina consiste em um longo braço articulado de cor branca com uma pinça na ponta, ao estilo Capitão Gancho.

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O braço pega o copo de plástico de um dispensador, o coloca meio inclinado sob a torneira de cerveja e o enche até a borda. A cerveja, com vários dedos de espuma, é então depositada em cima do balcão, onde o cliente pode pegá-la.

No coração da capital andaluz, o bar conta com o reforço deste robô desde 11 de maio, quando começou o prudente e gradual desconfinamento da Espanha, um dos países mais castigados pela epidemia com mais de 27.700 mortes.

Sevilha está na primeira das três fases de desconfinamento, na qual os terraços dos bares podem abrir com uma capacidade reduzida e inúmeras medidas de higiene e distanciamento social.

O proprietário do Gitana Loca, um local de baixo custo onde a cerveja custa 70 centavos de euros (0,77 dólar) e as bebidas são recolhidas no balcão, já havia planejado equipar outro de seus estabelecimentos muito antes do confinamento, para agilizar as vendas.

Mas o estado de emergência declarado em meados de março impediu seu plano.

Então, "vimos que seria ideal quando começasse a fase um" do desconfinamento, explica à AFP o proprietário da franquia, Alberto Martínez.

"Como tudo era para evitar o contato entre os clientes e todos os elementos (...), o robô serve muito bem para que no copo de plástico também evitemos o contato e seja fácil de usar e jogar fora, tudo muito focado no autosserviço", explica.

"Agora não é lucrativo estar aberto, por conta das poucas cadeiras que temos. Mas temos que competir com os outros bares e fazer algo diferente", confessa Martínez.

No entanto, há os românticos que preferem o método tradicional.

"Acredito que o tratamento entre cliente e barman, o olho no olho, ver a cerveja caindo quando é servida e tudo o mais, tem um atrativo que está se perdendo com essa máquina robô", opina Manuel Fernández, um jurista de 33 anos sentado no terraço do bar.

"Não sou a favor desse tipo de máquina. Prefiro correr o risco e que sirvam minha cervejinha como foi feito durante toda a minha vida", conclui.

Cientistas de Singapura criaram um robô que imita os gestos humanos para ajudar os profissionais do serviço de limpeza na crise do coronavírus.

O "XDBOT" (Robô de extrema desinfecção) tem a forma de uma caixa retangular montada sobre rodas e dispõe de um braço articulado, movimentado por controle remoto. O equipamento chega a locais difíceis de limpar, como debaixo das camas ou das mesas de um escritório.

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Criado por cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), o robô também contém um tubo para higienizar grandes superfícies.

O robô é comandado por um computador ou tablet, o que reduz o risco de uma infecção pelo vírus que já matou mais de 140.000 pessoas no mundo.

"Ao controlar o novo robô à distância, um operador humano pode manejar com precisão o processo de desinfecção, sem nenhum contato com as superfícies", explica Chen I-Ming, cientista da NTU que coordenou o projeto.

O XDBOT foi testado em um campus universitário e seus criadores desejam testá-lo em locais públicos e hospitais.

Singapura enfrenta uma segunda onda de contágios de Covid-19. Na quinta-feira (16) registrou um aumento recorde de infecções em 24 horas, com 728 novos casos, sobretudo em locais de grande população ou que abrigam trabalhadores estrangeiros, numerosos na cidade-Estado.

O ministério da Saúde informou até o momento 4.427 casos de coronavírus, incluindo 10 mortes.

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