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Manifestações, estradas bloqueadas pela queima de pneus e greves: no Iraque, a revolta popular se inflamou nesta segunda-feira contra um governo paralisado e sob pressão de seu padrinho iraniano.

Enquanto o poder afunda na paralisia entre os pró-Irã, que querem impor seu candidato, e o presidente da República, que resiste, os manifestantes voltaram às ruas após várias semanas de calma.

As cidades do sul voltaram a ser envolvidas por espessa nuvem de fumaça negra: pneus queimados bloqueiam o tráfego, sinal do descontentamento dos manifestantes que querem derrubar todo o sistema e seus políticos.

São milhares de pessoas bloqueando estradas, pontes e o acesso a prédios públicos "por ordem do povo", apesar de uma grande campanha de intimidação travada, segundo a ONU, por "milícias", com assassinatos e sequestros de militantes.

A desobediência civil foi novamente decretada em Diwaniya, Nassiriya, al-Hilla, Kut e Amara, todas as cidades do sul do país, onde as portas das escolas e administrações públicas permanecem fechadas.

"Estamos endurecendo a mobilização porque recusamos o candidato da classe política que está nos roubando desde 2003", disse à AFP Ali al-Diwani, um jovem manifestante.

Para os iraquianos nas ruas desde 1º de outubro, o sistema político estabelecido pelos americanos após a queda de Saddam Hussein em 2003 e agora tomado pelos iranianos está sem fôlego.

Em 16 anos, o renascimento econômico prometido nunca aconteceu, enquanto mais da metade das receitas do petróleo foram desviadas por políticos e empresários corruptos.

"Queremos uma coisa muito simples: um primeiro-ministro competente e independente, que nunca esteve envolvido com partidos desde 2003", disse à AFP Mohammed Rahmane, engenheiro de Diwaniya.

Mas as facções pró-Irã, com grande influência no Iraque, pressionam por um homem: o ministro do Ensino Superior, Qussaï al-Suheil.

O presidente Barham Saleh, que deve assinar a nomeação do primeiro-ministro, opõe um veto categórico a um candidato rejeitado pelas ruas, assegurou à AFP uma fonte dentro da presidência.

E ele não é o único: o turbulento líder xiita Moqtada Sadr, que lidera o primeiro bloco no Parlamento, recusa pessoalmente Qussaï, um ex-tenor de seu movimento que depois passou para o lado do seu inimigo jurado, o ex-primeiro-ministro Nuri al-Maliki, pró-Irã.

Para obter a renovação da classe política que reivindicam, os manifestantes exigem uma revisão da lei eleitoral.

O governo e o Parlamento iniciaram minuciosamente a reforma do sistema, que mistura proporcionalidade e listas, favorecendo os grandes partidos e seus líderes de lista.

Os manifestantes querem uma eleição uninominal "para garantir a entrada na política de uma nova geração capaz de limpar tudo o que os partidos no poder corromperam", continua Mohammed Rahmane.

O Parlamento se reunirá no final da tarde para discutir a lei eleitoral e talvez discutir o cargo de primeiro-ministro, que deveria ter sido designado há quase uma semana, mas cuja nomeação foi adiada.

Esses arranjos com a Constituição acentuam a ameaça de um retorno da violência que já causou 460 mortos e 25.000 feridos, a grande maioria manifestantes.

"Os líderes não estão trabalhando seriamente para romper o impasse, então continuaremos a nos mobilizar", advertiu Saad Nasser, um funcionário público de 30 anos.

A mobilização contra a reforma previdenciária na França nesta quinta-feira (19) entrou em sua terceira semana e as negociações entre o governo e os sindicatos continuam estagnadas, distante da perspectiva de uma "trégua" para o Natal.

Esta quinta-feira marca 15 dias de greve nos transportes e, embora tenha havido uma ligeira melhora, as paralisações ainda eram um desafio para os franceses, especialmente na capital.

Duas das oito linhas do metrô parisiense que estavam fechadas até agora funcionavam novamente, mas seis ainda continuam fechadas.

Os trens suburbanos circulavam, mas apenas nas horas mais movimentadas. E apenas dois dos cinco trens de alta velocidade, que conectam Paris a grandes cidades como Bordeaux, Marselha ou Lyon, estavam em operação.

Menos de 48 horas após o início das férias escolares de Natal, muitos franceses esperavam para saber se eles terão trens para sair de férias ou passar as férias de Ano Novo em família.

A empresa ferroviária nacional SNCF anunciará nesta quinta-feira aos usuários que já compraram passagens para trens programados entre 23 e 26 de dezembro se eles são mantidos ou não.

O gatilho para essa crise social é uma reforma controversa do sistema previdenciário, que planeja mesclar os 42 esquemas de aposentadoria existentes em um único sistema e passar a idade de aposentadoria de 62 a 64 anos em dois anos para receber uma pensão integral.

Para o executivo, é uma reforma "necessária" para garantir um equilíbrio financeiro do sistema de pensões, mas os sindicatos muito poderosos da França denunciam uma "regressão social".

- Diálogo de surdos -

Após uma primeira rodada de negociações entre o governo e os sindicatos na quarta-feira, sem grandes resultados, o primeiro-ministro Edouard Philippe os receberá novamente nesta quinta-feira. Todo mundo espera uma solução para a crise antes do feriado.

"Entre Philippe e os sindicatos, o diálogo dos surdos continua", intitulou o jornal Le Figaro. "Entendemos que a determinação dele está intacta, mas a nossa também", disse o secretário-geral da Força de Trabalho, Yves Veyrier, na noite de quarta-feira, depois de deixar a reunião com Philippe.

"Estamos muito, muito longe de um acordo", disse Laurent Berger, número um do CFDT, que apoia a ideia de um plano de pensão universal, mas se recusa a adiar a idade da aposentadoria para usufruir de uma pensão completa.

O presidente Emmanuel Macron, que deixou seu primeiro-ministro encarregado das negociações, disse quarta-feira que ele poderá fazer algumas concessões, mas que não retirará seu texto.

Os carteiros britânicos iniciaram nesta segunda-feira (19) uma greve que pode se tornar a mais longa de sua história, e se somaram, assim, aos grevistas do setor ferroviário e da British Airways, às vésperas das festas de Natal.

Um total de 3.500 funcionários dos Correios (Post Office, público), membros do sindicato CWU, protestam até sexta-feira contra a supressão de postos de trabalho e mudanças em seu regime de aposentadoria. O movimento afetará centenas de agências em todo o país em meio à aproximação do Natal, o período mais movimentado do ano.

Mil funcionários do grupo postal Royal Mail (privatizado em 2013), encarregados da distribuição, ameaçam se solidarizar com seus companheiros do Post Office.

Por sua vez, os membros do poderoso sindicato RMT (Rail, Maritime and Transport Union) da companhia Southern Railways anunciaram que prosseguiam com sua greve lançada na semana passada, e que afeta os 300.000 usuários dos trens que unem o sul da Inglaterra e Londres.

Centenas de milhares de passageiros ficaram sem serviço de trens na última sexta-feira pelo terceiro dia na semana anterior.

No setor da aviação, cerca de 2.000 membros da tripulação da companhia aérea British Airways - 15% - votaram por entrar em greve, em particular no dia de Natal, para pedir um aumento do salário.

O sindicato Unite, que convocou o movimento, afirma que os funcionários contratados a partir de 2010 têm salários tão baixos que precisam dormir em seus carros entre os voos.

No entanto, serão realizadas negociações nesta segunda-feira entre os funcionários e a empresa.

Pilotos da companhia Virgin Atlantic e funcionários do serviço de bagagens ameaçam realizar ações similares.

- Incerteza econômica -

O caos provocado pela greve ferroviária levou um deputado do mesmo partido da primeira-ministra conservadora Theresa May a pedir o endurecimento das leis para fazer greve em infraestruturas essenciais.

Um vídeo que mostra o presidente do sindicato RMT declarando que deseja "derrubar o governo", divulgado no domingo pelo Sunday Times, aumentou ainda mais as tensões.

Uma fonte no seio de Downing Street considerou, no entanto, nesta segunda-feira que apenas a negociação pode colocar fim a estes movimentos sociais: "Convocamos os sindicatos a vir se sentar à mesa de negociações", indicou o jornal The Guardian.

As causas das diferentes greves - que vão desde o tema das aposentadorias até as condições de trabalho - não têm relação aparente entre si, opina Tom Kerr Williams, assessor em assuntos de emprego no gabinete PwC, citado pelo jornal City A.M.

No entanto, estes movimentos "têm em comum que afetam funcionários que sofrem uma incerteza provocada pela pressão econômica", acrescenta.

A apenas doze dias do início da Eurocopa 2016, a agitação social continua na França e levanta preocupação entre os profissionais do turismo, com novas greves planejadas nesta semana no setor dos transportes.

Os protestos contra a reforma trabalhista, que o governo socialista quer levar até o fim, apesar da oposição de alguns de seus próprios deputados, completam nesta segunda-feira (30) quarto meses.

O comitê de turismo de Paris e sua região se preocupam com as consequências destes "eventos sociais", como as manifestações constantes, marchas violentas e bloqueios em estradas ou postos de gasolina, temerosos com a imagem que dão do país.

"As cenas de guerrilha no coração de Paris, transmitidas para todo o mundo, reforçam o sentimento de medo e incompreensão dos visitantes em um contexto cheio de angústia", afirmou seu presidente Frederic Valletoux.

Para ele, após um início de ano marcado pelos ataques terroristas de novembro em Paris, "é hora de salvar a temporada turística colocando um fim aos bloqueios" antes da Eurocopa de 2016 (10 de junho a 10 de julho).

Depois de uma semana marcada pelas dificuldades no abastecimento de combustível, a agitação social se concentra no setor dos transportes, que se somará aos protestos contra a reforma da lei trabalhista.

No setor ferroviário, onde as negociações internas sobre os horários de trabalho dos ferroviários entram na sua fase final, está prevista uma greve com possibilidade de prorrogação começando na terça à noite.

Enquanto isso, os pilotos do sindicato majoritário da companhia aérea Air France votaram nesta segunda-feira uma ou várias greves de pelo menos seis dias para protestar contra a iminente redução dos seus salários.

"Somos o único país que pratica este fenômeno tão francês, que consiste em provocar o caos quando queremos que as pessoas nos visitem", lamentou o deputado da oposição de direita Luc Chatel.

'Um bom texto'

O governo espera que as coisas melhorem antes da Eurocopa. "Não haverá greve dos trens ou do metrô" durante a competição, assegurou no domingo o chefe do Partido Socialista, Jean-Christophe Cambadélis.

"Eu não posso acreditar por um segundo sequer que estão fazendo toda a França refém", declarou sobre os líderes do sindicato CGT, que encabeçada a revolta.

Seu líder, Philippe Martinez, deixa a situação nas mãos do governo. "Nós não vamos impedir que as pessoas assistam às partidas de futebol, mas é necessário que o governo esteja disposto a negociar. Tudo está em (suas) mãos", afirmou.

Depois de analisar o seu projeto original para obter o apoio dos sindicatos, o governo não quis fazer novas concessões e recorreu a um artigo constitucional para passar a reforma sem a votação do Parlamento.

A reforma é "um bom texto", reafirmou nesta segunda-feira o primeiro-ministro Manuel Valls que, juntamente com o presidente François Hollande diz que irá "até o fim", apesar da oposição de parte dos deputados da esquerda.

Pela primeira vez em dois meses, Manuel Valls telefonou no sábado a Phillipe Martinez, que viu este chamado como um "bom sinal" e sugeriu que a retirada de um dos artigos mais controversos da reforma poderia acalmar a situação.

Este artigo permitiria que as empresas negociem diretamente com os seus trabalhadores as condições de trabalho, em vez das negociações gerais por setor. Os críticos do projeto acreditam que essa possibilidade põe em perigo os trabalhadores e promove a insegurança.

Já para o governo, essa lei deve permitir adaptar o código de trabalho à realidade da empresa e, assim, promover a luta contra o desemprego endêmico (10%) no país. A apenas onze meses da eleição presidencial em 2017, o presidente Hollande, cada vez mais impopular, colocou como condição a melhora do emprego para se candidatar à reeleição.

Diante de um governo inflexível, os opositores da reforma trabalhista na França convocaram novas greves e manifestações nesta quinta-feira (19), em uma atmosfera de tensão marcada pela violência contra a polícia no dia anterior.

O primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, pediu "sanções implacáveis" contra os manifestantes que incendiaram uma viatura da polícia na quarta-feira em Paris e pressionou os sindicatos, chamados a "se questionar sobre a pertinência" de algumas manifestações.

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O chefe do governo também declarou que está pronto para remover à força os bloqueios dos portos, aeroportos e refinarias. "Não teria ocorrido nenhuma manifestação e, portanto, nenhum vandalismo se não existisse o projeto de lei", respondeu Jean-Claude Mailly, líder do sindicato Força Operária (FO).

O FO e outros sindicatos de trabalhadores e estudantes continuam exigindo a "retirada" do projeto de lei, que consideram demasiado liberal. O presidente François Hollande excluiu na terça-feira a possibilidade de desistir desta reforma, aprovada à força na semana passada sem o voto do Parlamento.

O chefe de Estado, cuja popularidade está no seu nível mais baixo a menos de um ano das eleições presidenciais, espera que este projeto desbloqueie o mercado de trabalho em um país com um desemprego galopante, girando em torno de 10%.

Desde o início do movimento, cerca de 1.400 pessoas foram detidas e mais de 800 seguem sob custódia. Segundo as autoridades, 19 pessoas da extrema-esquerda foram presas em flagrante nesta quinta-feira de manhã em Rennes (oeste) por vandalismo.

Em Paris, a polícia emitiu novas proibições individuais de manifestação antes de um protesto programado para a tarde. Cinco suspeitos, incluindo três alvos desse tipo de proibição, estão sob custódia na capital, um dia depois do ataque a uma viatura da polícia. Os dois agentes que ocupavam o veículo precisaram sair às pressas.

O incidente ocorreu durante uma contra-manifestação proibida, à margem de um protesto de policiais que denunciavam o clima de ódio aos agentes da segurança. A mobilização contra a reforma trabalhista, que fez com que dezenas de milhares de pessoas saíssem às ruas nos últimos dois meses, ganhou força nesta semana com greves de caminhoneiros e do setor ferroviário.

Zonas industriais, refinarias de petróleo e depósitos: bloqueios de pontos estratégicos foram feitos nesta quinta-feira perto de Marselha (sul), Le Havre (noroeste), bem como em Rennes e Nantes (oeste).

No sudoeste, o acesso ao aeroporto de Toulouse também foi fechado. O tráfego ferroviário foi interrompido em nível nacional, no segundo dia de greve ferroviária. Uma convocação para a greve dos controladores de tráfego aéreo afetava ligeiramente o serviço.

"O acesso aos portos, aos centros econômicos e aeroportos deve ser possível e não podemos tolerar esses bloqueios", declarou Manuel Valls. A violência das últimas semanas alimenta uma polêmica sobre a manutenção da ordem por parte do governo, acusado de laxismo pela oposição de direita e extrema-direita ou suspeito por alguns da esquerda de querer desacreditar o movimento social.

Neste contexto tenso, o Parlamento estendeu pela terceira vez o estado de emergência declarado após os ataques jihadistas de 13 de novembro em Paris (130 mortes). O estado de emergência estará em vigor até o final de julho para garantir a segurança da Euro-2016 e do Tour de France.

Em meio a uma grave epidemia de arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti e a um surto de microcefalia, os moradores do Recife ganharam, na terça-feira, 1º, novos motivos para preocupação. Servidores de diversas áreas da administração municipal decretaram greve por tempo indeterminado. A medida foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Com os salários atrasados há três meses, os médicos do Hospital Maria Lucinda, localizado no bairro do Parnamirim, na zona norte do Recife, paralisaram os atendimentos. De acordo com a Secretaria de Imprensa da Prefeitura do Recife, pelo menos outras duas unidades de saúde vinculadas à administração municipal tiveram o atendimento prejudicado. Já pelas contas do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Municipais da Administração Direta e Indireta da Cidade do Recife (Sindspre), a paralisação atingiu 34 das 169 unidades do Sistema Municipal de Saúde.

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Os servidores municipais pedem aumento de 13,19% nos salários e mais 18,53% no vale-refeição. O governo oferece propostas que variam de 1,5% até 7,5% - condicionadas à receita.

Outros Estados

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Maceió (Sindspref), Alessandro Fernandes, afirmou que o programa de combate ao Aedes aegypti está parado na capital de Alagoas, por causa da greve dos servidores da saúde, que ocorre desde o dia 22. Os servidores pedem reajuste de 14%. A prefeitura diz que só tem possibilidade de pagar 2% e que o combate ao mosquito está "prejudicado, mas não inviabilizado".

Em Minas, um dos Estados em que a dengue mais preocupa, o Sindicato dos Servidores da Saúde teme que o corte de recursos anunciado pelo governador Fernando Pimentel (PT) afete ações - o governo nega problemas. (Colaboraram Carlos Nealdo e Leonardo Augusto, especiais para AE)

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A volta para casa, nesta quarta-feira (15), na Região Metropolitana do Recife (RMR), pode ser caótica para quem precisa do transporte público. Além da paralisação por tempo indeterminado dos rodoviários, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) garante: se não houver policiamento mínimo nas estações, param as atividades a partir das 16h. 

“Até agora, não tivemos nenhum posicionamento oficial da CBTU, nem da Polícia Militar. Paramos as atividades no último domingo e, até agora, parece que nada aconteceu. (Mesmo com a greve dos ônibus) a gente para, mesmo assim. Quando o metrô para, há reforço do Grande Recife nos ônibus. Acho difícil isso acontecer amanhã”, revelou o presidente do Sindmetro-PE, Diogo Morais. O motivo da paralisação é mais um jogo na Arena Pernambuco, às 22h, entre Náutico e Flamengo. 

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Os metroviários aguardam, através de documentação, a resposta da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e da Polícia Militar quanto à exigência de mais segurança nas estações da RMR. O clima de violência foi acentuado, na manhã desta terça (14), quando um PM foi baleado na estação de Jaboatão Centro. Um suspeito abordou o policial, pegou a arma e atirou na vítima, fugindo do local. 

De acordo com a assessoria de comunicação da PM, a corporação se reunirá, ainda hoje à tarde, para definir o esquema de policiamento para o jogo. Diogo Morais afirmou, por fim, que uma assembleia geral deve ser convocada, para a próxima semana, no intuito de avaliar a necessidade ou não de greve. 

Uma greve de controladores de tráfego aéreo provocou nesta quarta-feira (8) graves problemas na França, onde as companhias se viram obrigadas a cancelar até 40% dos voos previstos. O tráfego nos aeroportos parisienses de Orly e Charles de Gaulle-Roissy seguia com "cancelamentos programados", mas não de último minuto.

Mas, segundo fontes aeroportuárias, os atrasos podem se acumular no decorrer do dia. A companhia Air France manteve 60% dos voos, enquanto a Ryanair cancelou mais de 200 voos.

A greve prosseguirá na quinta-feira, já que o SNCTA, principal sindicato dos controladores aéreos, que representa metade dos 4.000 funcionários, convocou uma paralisação de dois ou mais dias. A próxima está previsto de 16 a 18 de abril e a terceira de 29 de abril a 2 de maio.

O sindicato exige negociações sobre a organização do trabalho e a idade mínima para a aposentadoria dos controladores de tráfego aéreo geral, que é de 57 anos atualmente e que o governo deseja elevar para 59.

Durante sessão plenária nesta quinta-feira (22), em Brasília, o líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho (PE), manifestou  indignação com a falta de rumo do País nas áreas social e econômica. O democrata fez duras críticas à postura da presidente Dilma Rousseff (PT) e citou algumas área defasadas como a segurança, transporte público e as greves que tomam conta do País.

O parlamentar também mencionou o empenho do governo em bloquear a CPI Mista da Petrobras e as greves de ônibus na capital paulista que deixou milhões de pessoas com dificuldade de deslocamento na maior cidade do País e a da Polícia Militar na última semana em Pernambuco que resultou numa série de saques ao comércio e ação de vândalos em Recife e região metropolitana.

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“Isso dentro de um contexto de absoluta omissão do governo federal. O quadro econômico se agrava a cada dia, a inflação está sempre inclinando para cima batendo o teto da meta, incomodando o povo no que diz respeito a alimentos, com taxa na casa de 9%. O crescimento do país é medíocre em comparação com qualquer país da América do Sul (...). Enquanto isso, a presidente está cuidando da articulação política para assegurar apoio à sua reeleição. Para que se candidatar à reeleição se o Brasil está sem rumo sob seu comando? Eu não entendo. E aí toda essa insatisfação vai significar a resposta que o povo dará nas urnas porque ela não será reeleita”, destacou.

Confira o discurso do deputado na íntegra abaixo:

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou que a população do Estado pode ficar tranquila, apesar das paralisações previstas para quarta-feira, 21. "Tenho recebido todas as lideranças sindicais da Polícia Militar, da Polícia Civil e não vejo esse clima de greve no Estado do Rio de Janeiro", disse, ao sair de uma visita ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa.

Para Pezão, "é natural que existam as reivindicações". No entanto, segundo ele, o governo concedeu em fevereiro um reajusto de 12% para a área de segurança. "Nós demos mais de 120% de aumento em sete anos", afirmou. "Claro que ainda não é o ideal. Mas nós estamos num ano de lei de responsabilidade fiscal, de encerramento fiscal de um mandato", disse. "Se melhorar a arrecadação e eu tiver chance, eu tenho até 30 de junho, 2 de julho, para mandar a emenda para a Assembleia Legislativa", afirmou. De acordo com Pezão, se for necessária ajuda federal, ela será requisitada. "Esse tabu já foi quebrado no Rio. Se a gente precisar de ajuda, peço força de segurança, peço tudo. A gente viu o péssimo exemplo que foi a paralisação em Pernambuco", finalizou.

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ARACAJU (SE) - A greve dos servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Sergipe (Detran) completa, nesta terça-feira (26),  36 dias e os trabalhadores ainda não chegaram a um entendimento com o governo estadual. O movimento grevista tem causado transtornos a usuários e prejuízos para revendedores de veículos e autoescolas. 

O gerente de uma revendedora de automóveis de Aracaju, Romildo Santos Meira, explicou que os clientes não estão conseguindo transferir os veículos por conta das vistorias, pois a redução do efetivo para 30% tem dificultado e para conseguir uma vaga a pessoa tem que chegar às 4h da manhã no Detran. 

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“A greve está atrapalhando não só a gente, como também, os clientes que estão tramitando qualquer documento e precisa financiar, transferir ou tirar do nome. A maioria das vendas hoje é consórcio e a gente tem que transferir para o cliente”, destacou o gerente, acrescentando que as vendas de consórcios tiveram uma queda por conta do movimento grevista. 

“Hoje estamos conseguindo fazer a transferência através de despachante, mas aumenta o custo em R$30, fora a questão da vistoria que atrapalha o andamento. A maioria das nossas vendas tem a comodidade de os despachantes transferirem a documentação, mas até o próprio despachante esta tendo dificuldade, pois antes levava em torno de oito dias e, hoje, estão demorando uns 30 dias". 

Nas autoescolas, os procedimentos para a habilitação dos alunos estão mantidos, mas as reclamações do recolhimento da biometria permanecem, apesar de ser um serviço terceirizado. De acordo com o presidente do Sindicato dos Proprietários de Autoescolas do Estado de Sergipe (Sinpase), José Alberto Santos Silva, os funcionários do Detran estão dificultando a entrega das senhas para a realização do procedimento essencial para a habilitação. “Eles alegam que estão em greve, e isso atrasa o serviço de habilitação do aluno”, reclamou o presidente. 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran), Thiago Bonfim, até o momento não avançamos nas negociações com o gestor estadual. Essa é a terceira greve da categoria este ano, que reivindica salário base de R$ 1,5 mil a R$ 1,8 mil, média do Norte e Nordeste para os trabalhadores que recebem R$ 622.

Ele reconheceu que o movimento grevista está prejudicando alguns setores, mas a população é quem está sendo mais prejudicada. “As autoescolas, por exemplo, tem benefícios no Detran como avanços nos processos. Pode ser que uma parte esteja sendo prejudicada, mas não na totalidade porque alguns processos estão sendo produzidos”, afirmou Bonfim. 

As ruas da cidade de Lisboa, em Portugal, foram tomadas neste sábado (26) pela população, que protestou contra a política de austeridade econômica realizada no país. As medidas estão sendo tomadas em troca de ajuda dos credores internacionais.

Além da capital Lisboa, a mobilização ainda ocorreu em pelo menos outras 12 cidades portuguesas. Os sindicatos já revelaram que novas manifestações e greves vão acontecer no país.

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O programa “A semana em 10 minutos” discutiu vários assuntos que aconteceram no País. A repercussão sobre a aliança entre a ex-senadora Marina Silva e o governador Eduardo Campos (PSB) foi à notícia que mais chamou atenção no mundo político. A aliança entre os dois postulantes à Presidência da República está sendo tratada como 3ª via no pleito de 2014.

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Outros destaques foram para as greves que aconteceram na semana. No entanto, dessa vez a paralisação dos correios e dos bancários não prejudicaram tanto a população. Com o crescente uso da internet no País, os cidadãos brasileiros começam a procurar alternativas para prestar suas contas. 

No esporte, o destaque vai para a rodada do fim de semana dos times de futebol do Estado. Já na cultura, a bienal internacional do livro de Pernambuco e a Feira do Livro em Frankfurt foram os eventos que mais chamaram atenção dos adeptos a uma boa leitura. 

Em greve desde o dia 17 de setembro, os servidores dos Correios no Ceará aceitaram a proposta de reajuste salarial de 8% após a Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinar fim da greve na última terça-feira (8) e a retomada do trabalho pelos servidores até quinta-feira (10). Segundo o sindicato, os trabalhadores irão cumprir a decisão. Entre as reivindicações estavam um reajuste de 15% e mais segurança nas agências, além da redução da carga horária.

O caso foi analisado pelo TST em processo de dissídio, devido à falta de acordo entre trabalhadores e empresa, com os funcionários recebendo reajuste de 8% conforme acordo com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), sendo retroativo a agosto. O plano de saúde deve continuar como é atualmente. Os servidores terão de compensar os dias parados por duas horas diárias em até seis meses.

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Para marcar o Dia Nacional de Luta, a Força Sindical em Pernambuco realizará juntamente com outras sindicais, um ato público com greves e manifestações nas ruas em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. A parceria com as centrais sindicais foi firmada durante reunião nesta sexta-feira (5), na sede da CUT, no bairro de Santo Amaro, no Recife. O ato ocorrerá no próximo dia 11 de julho, mas o local da concentração e a programação só serão divulgados no início da semana que vem.

O objetivo da mobilização é cobrar o cumprimento de uma pauta de reivindicações entregue em março deste ano ao Governo Federal durante a 7ª Marcha das centrais sindicais, em Brasília. O evento contou com a presença de mais de 50 mil manifestantes. 

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Na reunião realizada esta sexta ficou confirmando que além da Força Sindical, participarão das manifestações a Central única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Nova Central (NCST). Também aderirá a mobilização a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). 

Coletiva – Para confirmação de como ocorrerá a manifestação no próximo dia 11, o presidente da Força Sindical em Pernambuco, Aldo Amaral, juntamente com os presidentes das demais centrais, concederão entrevista coletiva na próxima terça-feira (9), às 14h, na sede da Força Sindical em Pernambuco. O intuito é detalhar os atos que serão realizados  em Pernambuco com a presença de milhares de trabalhadores nas ruas.

Exigências - As principais reivindicações da categoria são o fim do fator previdenciário, jornada de 40 horas semanais sem redução salarial, reajuste para os aposentados, mais investimentos em saúde e educação, transporte público de qualidade, fim do Projeto de Lei 4330 que amplia a terceirização, reforma agrária, fim dos leilões do petróleo, combate à inflação e a recuperação das perdas do FGTS. 

 

 

Ainda antes de o sol nascer, a via que dá acesso ao canteiro de obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) já está engarrafada com o movimento de centenas de ônibus e vans que trazem os operários. Apesar do aumento de mais de 10% obtido este ano pelos funcionários das empreiteiras que atuam no empreendimento bilionário da Petrobras em Itaboraí (RJ), às margens da estrada o clima é de insatisfação entre aqueles que aguardam pelo transporte no escuro.

"Nosso salário continua defasado", reclama o pedreiro Josias José da Silva, de 33 anos, que trabalha há dois anos no empreendimento. Ele reconhece que o reajuste deste ano foi maior que os anteriores, mas afirma que os descontos pelos 29 dias de greve consomem parte do aumento. "Acaba não fazendo muita diferença", diz o trabalhador, que sai de casa antes das 5h30 e às vezes só retorna às 20h.

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A reportagem solicitou há duas semanas à Petrobras o agendamento de uma visita ao Comperj, mas a estatal alegou que precisaria de mais tempo para autorizar a entrada no local. A equipe tentou permanecer em frente à entrada principal de veículos - uma estrutura que lembra um posto de pedágio - para entrevistar os trabalhadores, mas um segurança impediu, argumentando que já se tratava de área da empresa. A cerca de um quilômetro, andando por um trecho sem asfalto, enlameado pela chuva da noite anterior, foi possível encontrar operários chegando para a jornada, num local onde trabalhava uma equipe de sinalização da via.

A receita que levou operários de grandes obras de todo o País a obter aumentos acima da inflação é dita de prontidão por quem trabalha nos canteiros: "Essa foi a única greve que durou mais, por isso saiu esse reajuste", diz Fábio Oliveira, de 23 anos, antes de entrar correndo no ônibus.

A ferramenta de pressão pode ser usada novamente na próxima campanha salarial. De acordo com trabalhadores que não quiseram se identificar, eles cruzarão os braços novamente em janeiro se as negociações com as empresas não avançarem. O aumento pedido desta vez é de 12%.

Longe das discussões sobre a greve, a auxiliar de serviços gerais Maria da Luz dos Santos, 36 anos, comemora o aumento. Ela conta que, ao sair de uma empreiteira e ser contratada por outra, teve um ganho de R$ 200 no salário e de R$ 100 no vale-alimentação. "O preço de tudo está subindo, então esse aumento é importante", diz. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

O jogo mudou. Se no passado, com o nível de desemprego nas alturas, o trabalhador tinha de aceitar qualquer proposta, hoje em dia é ele quem dá as cartas nas negociações trabalhistas. Sem acordo, podem ficar semanas de braços cruzados até conseguir melhorar os benefícios. É o que tem ocorrido nos três maiores projetos em construção no Brasil: Hidrelétrica de Belo Monte, Refinaria Abreu e Lima e Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Juntas, as obras somam quase meio ano de paralisação desde o início das atividades.

O campeão de greves é o Comperj. Entre novembro de 2011 e maio deste ano, os trabalhadores do empreendimento ficaram 82 dias parados - sendo 58 deles este ano, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon). Na Abreu e Lima, também chamada de Rnest, foram 71 dias desde 2010; e em Belo Monte, cujas obras começaram no ano passado, 16 dias. A estratégia dos trabalhadores tem surtido efeito.

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Além de reajustes salariais bem acima da inflação, eles conseguiram turbinar os benefícios concedidos pelas empresas. O valor da cesta básica, por exemplo, foi o item que mais cresceu nas três obras. Na refinaria, aumentou 940% em quatro anos, de R$ 25 para R$ 260. Mas, nesse item, quem paga melhor é o Comperj: R$ 300. Em Belo Monte, os valor subiu 110% em um ano e meio de atividades, para R$ 200.

"Num ambiente como o atual, em que há escassez de mão de obra, o trabalhador vive num céu de brigadeiro", afirma o professor da Universidade de São Paulo (USP), José Pastore, especialista em relações de trabalho. Segundo ele, a situação é mais favorável nas obras localizadas em áreas distantes e inóspitas. Nesses casos, o trabalhador fica isolado nos canteiros de obras, longe da família e sem acesso a serviços e entretenimento.

Pastore comenta que muitas empresas o têm procurado para ensinar os profissionais de Recursos Humanos a negociar. "Mas não adianta treinamento. Hoje em dia os trabalhadores conseguem tudo o que pedem. O quadro virou", afirma o professor. Nas três obras, os reajustes salariais da data base atual ficaram na casa de 11%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Os servidores públicos do País realizaram mais paralisações em 2011 do que os trabalhadores da iniciativa privada, de acordo com balanço de greves divulgado nesta quinta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No ano passado, o número total de mobilizações no Brasil chegou a 554, alta de 24% na comparação com 2010 (446). Foi o maior volume desde 1997, quando houve 631 greves. Os servidores responderam por 58,7% das paralisações no ano passado, com 325 ocorrências. Além disso, no funcionalismo as greves tendem a durar mais - 10% delas, por exemplo, ultrapassaram 61 dias.

Já os trabalhadores da iniciativa privada cruzaram os braços 227 vezes no ano passado, respondendo por 41% do número total - as demais paralisações foram feitas em conjunto por trabalhadores das duas esferas. Em 2010, os servidores fizeram 269 mobilizações (60,3% do total), enquanto os trabalhadores da iniciativa privada realizaram 176 (39,5%). A principal reivindicação dos grevistas nos dois anos foi reajuste salarial.

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O levantamento do Dieese mostrou que o número total de grevistas subiu de 1.582.746 em 2010 para 2.050.021 em 2011. No entanto, a média de trabalhadores por movimento grevista recuou de 7.294 em 2010 para 6.902 no ano passado.

Segundo o Dieese, o resultado de 2011 confirma a tendência de aumento do número de paralisações verificada a partir de 2002, ano que registrou a menor marca da primeira década dos anos 2000, com 298 ocorrências. Porém, apesar desse avanço no total de mobilizações, o Dieese revela que, tomados como referência, os anos de 1997 e 2011 delimitam um intervalo de 15 anos marcado por relativa estabilidade do número de greves.

Os dados foram extraídos do Sistema de Acompanhamento de Greves (SAG), desenvolvido e mantido pelo Dieese. As informações do SAG foram obtidas de notícias veiculadas em jornais impressos ou eletrônicos. O levantamento é feito desde 1978 e o ano recordista em greves no País foi 1989, com 1.962 ocorrências.

Mudança

Em 2011, o maior número de mobilizações foi verificado entre os servidores estaduais (145), seguidos por municipais (109) e federais (33). Em 2010, o predomínio das greves de servidores estava na área municipal (122), vindo a seguir a estadual (87) e a federal (23).

Já na iniciativa privada a maior parte das greves ocorreu entre trabalhadores da indústria tanto em 2011 quanto em 2010. Os empregados da indústria realizaram 131 paralisações no ano passado e 97 em 2010. Nos serviços, também houve um número significativo de mobilizações - de 77 em 2010 para 91 em 2011.

O número total de horas não trabalhadas subiu para 63.336 em 2011, alta de 41% na comparação com as 44.910 horas de 2010. No setor público, o total de horas paradas passou de 38.085 para 52.739 no período, avanço de 38,4%; no setor privado, o número saltou de 6.649 para 10.269, alta de 54,4%.

De acordo com o Dieese, em relação ao tempo de duração, a maior parte das greves - 55% em 2011 - durou no máximo cinco dias. Na esfera privada, as paralisações com esse período de duração atingiram 67%.

Salários

Reajuste de salário foi a principal reivindicação das paralisações em 2011. Das 325 greves de servidores, 192 (59,1%) foram para pedir reajuste salarial, motivação seguida por plano de cargos e salários ou de carreira (38,1%), condições de trabalho (27,4%), contratação (20,6%), piso salarial (19,1%), auxílio-alimentação (17,2%), melhoria nos serviços públicos (14,5%), alterações na legislação (11,7%) e isonomia salarial (8%).

Já na iniciativa privada, das 227 greves no ano passado, 110 (48,5%) reivindicaram reajuste salarial. Em seguida, os motivos foram auxílio-alimentação (41,8%), atraso de salário (19,4%), participação nos lucros e resultados (17,6%), assistência médica (17,2%), adicional de horas extras (14,5%), condições de trabalho (13,7%), piso salarial (13,7%) e redução de jornada (10,6%).

Começou nesta segunda-feira o inquérito oficial sobre as mortes de dezenas de pessoas durante a greve na mina de platina da Lonmin PLC, na África do Sul. Enquanto isso, os problemas trabalhistas continuam no país, com caminhoneiros e mineiros de outras localidades continuando as manifestações por melhores salários.

Em 16 de agosto, a polícia abriu fogo contra grevistas que protestavam no lado de fora da mina de platina da Lonmin, em Marikana, matando 34 e ferindo 78. Cerca de dez outras pessoas foram mortas no decorrer da greve. A comissão de inquérito será liderada pelo juiz aposentado Ian Farlam. Ela determinará qual foi a participação da polícia, da Lonmin, da União Nacional dos Mineiros e da Associação dos Mineiros e Sindicato da Construção. A investigação também verá se alguma das partes poderia ter tomado medidas para impedir as mortes.

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Episódios de violência continuam acontecendo nas paralisações que ainda não foram encerradas. A União Nacional dos Mineiros afirmou que um de seus dirigentes está hospitalizado em estado grave após sua casa ter sido atacada com uma bomba caseira na noite de sexta-feira. O ferido é um dos líderes da greve em uma mina da Anglo American Platinum, onde também ocorrem disputas entre os próprios sindicatos.

Já o Sindicato Sul-africano de Transporte e Trabalhadores Aliados afirmou que organizará protestos pacíficos em toda a África do Sul nesta segunda-feira. Os caminhoneiros estão de braços cruzados há uma semana. As informações são da Associated Press.

O mesmo tipo de pragmatismo que orienta os partidos políticos brasileiros, aglomerados pelo cheiro de poder aos mandantes da ocasião, é o pragmatismo que domina a decretação e a duração das greves no País. Mal termina o movimento dos professores das universidades federais, depois de mais de três meses de paralisação, os bancários resolvem interromper as atividades, seguidos pelos funcionários dos Correios e possivelmente pelos vigilantes de empresas de segurança que fazem o transporte de valores, dinheiro e documentos.

A interrupção de serviços essenciais é um sintoma de desgoverno, incompetência e imaturidade institucional. Mas vai longe a época em que essas coisas podiam ser utilizadas politicamente para a obtenção de votos e o favorecimento de determinados candidatos. O partido que dominava essa “tecnologia”, assim como seus satélites, estão no poder há mais de uma década. E agora o que pretendem é a manutenção do status quo, e não a sua mudança, para o desespero dos empolgados militantes e simpatizantes que ainda enxergam na ideologia surrada a justificativa para tudo, até para a incoerência, a desonestidade, a falta de ética, o oportunismo e a bandalheira.

Sem uma legislação rigorosa que seja respeitada pela deflagração de movimentos paredistas, o cidadão comum se torna refém da insatisfação dos grevistas, e também da inflexibilidade dos patrões – e muitas vezes o patrão é o governo. Os sindicatos deitam e rolam no vácuo da moleza que é fazer greve no Brasil. O direito do trabalhador se transforma num abuso quando o direito da maioria da população é flagrantemente ignorado, inclusive pela Justiça, que não dispõe de instrumentos de punição efetivos.

No decorrer do processo eleitoral, dificilmente se vê algum candidato tocando no assunto das greves. Porque a maioria dos partidos integra a base aliada do governo federal, ou do governo estadual. E a oposição ainda não consegue canalizar os prejuízos evidentes para o seu discurso. O resultado é quase inacreditável: ao contrário do passado, quando as greves pré-eleitorais tinham destino certo, as de hoje, às vésperas de uma eleição, não atrapalham as campanhas de nenhum deles.

Só atrapalham a vida do eleitor, coitado.

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