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| Ciência e Saúde

Em "live" realizada nesta sexta-feira, dia 3, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou que ainda é incerto afirmar, mas há uma crescente da variante Ômicron na África do Sul e em outros países, o que sugere maior transmissibilidade. A instituição também deixou claro que ainda é cedo para entender a severidade da Ômicron.

Em geral, a OMS destacou que os dados estão sendo recolhidos e analisados, mas que é necessário um tempo para que se possa ter informações mais assertivas.

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"Se dobrarmos as medidas protetivas que já orientamos, os cuidados com a Delta servem também para Ômicron. Se reduzir a circulação de pessoas, diminuem as contaminações. Quanto mais circulação, mas possibilidades de novas cepas surgirem", afirmou a entidade.

"Vacinação salva e não abaixem a guarda, a pandemia não acabou. Confiem na ciência e tenham paciência", reforçou a OMS.

Pelo quarto ano consecutivo, houve diminuição da incidência do vírus da HIV na capital paulista. Em 2020, foram 2.472 novos casos, queda de 16,4% em relação a 2019. Na comparação com 2016, a diminuição chega aos 35,6%. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (2) pela Prefeitura de São Paulo.

Entre os casos registrados em 2020, mais de 80% (2.073) eram homens. A faixa etária entre 25 e 29 anos de idade concentra 26,3% dos casos. A principal via de transmissão (praticamente 90%) é a sexual.

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A região central da cidade tem a maior taxa de detecção, com 62,4 casos a cada 100 mil habitantes. Na sequência, estão a região sudeste (18,7); leste (17,6); sul (17); oeste (16,2) e norte (15,3).

Outro dado revelado foi a taxa de mortalidade. Em 2020, o índice se manteve em 4,8 (casos a cada 100 mil habitantes), o menor desde 1988, diz prefeitura.

No último domingo (28), a prefeitura de São Paulo entregou uma unidade itinerante para testagem, que se deslocará pelo município oferecendo diagnóstico para HIV, hepatites B e C, sífilis e demais infecções sexualmente transmissíveis, além de profilaxia pré e pós-exposição para HIV.

Caso o paciente seja diagnosticado com alguma das doenças, poderá continuar o acompanhamento e tratamento nos serviços da rede de saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante derivada da Covid-19 conhecida como Ômicron, já está presente em quase 20 países, incluindo o Brasil. Apesar de ter sido registrada pela primeira vez em 24 de novembro, na África do Sul, a nova cepa tem características relacionadas à maior capacidade de transmissão, e por conta disso, está se propagando em alta velocidade por quase todos os continentes.

Ao todo, estas são as regiões que as autoridades sanitárias locais já detectaram o Ômicron: África do Sul, Alemanha, Austrália, Bélgica, Botsuana, Canadá, Dinamarca, Escócia, Espanha, França, Holanda, Hong Kong, Inglaterra, Israel, Itália, Japão, Portugal, República Tcheca, Suécia e hoje Brasil, que teve casos confirmados hoje. 

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Vale lembrar que existe todo um processo para confirmar que uma infecção se dá pela variante Ômicron. Inicialmente, o paciente passa pelo diagnóstico de testes moleculares, conhecido como RT PCR, e após a identificação da amostra positiva, os responsáveis pela pesquisa realizam um sequenciamento genômico. Só assim é possível registrar qual cepa mutante a infecção se trata.

 

 

Um painel de especialistas em saúde designado pelo governo dos Estados Unidos respaldou nesta terça-feira (30) a pílula anticovid da Merck para pacientes adultos de alto risco que estão dentro do período de cinco dias desde que sentiram os primeiros sintomas do vírus.

A votação, que aconteceu após um dia de debates transmitidos ao vivo, foi apertada, com 13 votos a favor e 10 contra o uso da nova pílula. A recomendação do painel é consultiva e uma decisão final cabe à agência americana de medicamentos (FDA).

O tratamento antiviral da Merck, o molnupiravir, era muito esperado porque é fácil de administrar: basta tomar um comprimido em casa cinco dias após o surgimento dos sintomas da covid-19.

"Esta é a primeira oportunidade para a existência de um tratamento oral" fora do hospital para casos leves a moderados da doença, observou David Hardy, membro do comitê que se pronunciou a favor da autorização de emergência.

No entanto, vários especialistas, incluindo aqueles que votaram a favor de autorizar o tratamento, consideraram a decisão "difícil".

Eles estavam particularmente preocupados com o fato de sua eficácia ter caído para 30% contra hospitalizações e mortes, de acordo com documentos divulgados na sexta-feira, considerando o número total de participantes do ensaio clínico.

Os resultados preliminares em apenas uma parte dos participantes sugeriram inicialmente 50% de eficácia.

Especialistas também levantaram preocupações sobre a possibilidade de que o tratamento introduza novas mutações indesejadas do vírus, criando novas variantes, como resultado da tecnologia que a Merck utiliza.

"Acho que o efeito geral (do tratamento) na população total do estudo é modesto, na melhor das hipóteses", advertiu o membro do comitê Sankar Swaminathan, explicando seu voto contra a recomendação.

"O risco de efeitos mutagênicos não está firmemente estabelecido ou caracterizado", acrescentou.

Muitos especialistas também consideram que as mulheres grávidas devem evitar este tratamento, ou pelo menos favorecer outros, como os anticorpos sintéticos, quando disponíveis.

A proibição geral de viagens não evitará a propagação da nova variante ômicron do coronavírus, alertou a OMS nesta terça-feira (30), e recomendou aos maiores de 60 anos que adiem suas viagens.

Em suas recomendações, a Organização Mundial de Saúde apontou que, até 28 de novembro, "56 países haviam aplicado medidas de viajem para tentar atrasar a importação da nova variante".

No entanto, a organização com sede em Genebra, cujas recomendações nem sempre são seguidas por seus 194 Estados-membros, advertiu que "as proibições gerais de viajar não evitarão a propagação internacional e colocarão um fardo pesado em vidas e meios de subsistência".

Além disso, essas medidas "podem ter um impacto negativo nos esforços globais de saúde durante uma pandemia ao desanimar os países de informar e compartilhar os dados epidemiológicos e de sequenciamento".

Em suas recomendações, a OMS diz que "as pessoas que não estão em boa condição de saúde ou que correm risco de desenvolver uma forma grave da covid-19 ou morrer, incluindo aquelas com mais de 60 anos ou com comorbidades - por exemplo, doenças cardíacas, câncer e diabetes -, devem ser aconselhadas a adiar suas viagens".

Em termos mais gerais, pede a todos os viajantes que "permaneçam atentos", se vacinem e sigam todas as normas de saúde pública, independentemente do seu estado de vacinação, incluindo o uso de máscaras, medidas de distanciamento físico e evitando espaços lotados e mal ventilados.

No domingo passado, o escritório regional da OMS na África pediu "fronteiras abertas", enquanto a África do Sul pediu o "levantamento imediato e urgente" das restrições de viagens ao país após a detecção da nova variante ômicron.

A saúde da mulher brasileira é banalizada em níveis preocupantes. Sem conscientização familiar e apoio governamental, o desconhecimento sobre o corpo feminino, desde o primeiro período menstrual até o acompanhamento periódico no ginecologista, dificulta os cuidados com a saúde.

A falta de estimulação em conhecer o próprio corpo reflete na vida feminina durante a puberdade nas dificuldades de comunicar-se com os pais sobre o período menstrual e relatar incômodos nas partes íntimas, afirmou a ginecologista Mary Helly Valente, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO) de Belém. “Essa menina, às vezes, não tem abertura, mesmo nos dias de hoje, de falar sobre o próprio corpo com a família, com o pai ou com a mãe”, observa.

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Além disso, sem incentivo dos pais em manter rotineiramente consultas médicas, analisa a médica, jovens e adolescentes são impulsionadas a buscar conhecimento de formas inseguras, por meio de pesquisas na internet ou por conversas com amigas, sem qualquer auxílio especializado. 

“A gente deve levar em consideração que cada mulher é um indivíduo diferente. O que é normal [para uma mulher] pode não ser normal para outra. Então, cabe aí repassar esse nosso conhecimento profissional da área da saúde, conhecimento técnico sobre a anatomia e a fisiologia da mulher. Conhecendo seu corpo e informando o que é o fisiológico dela, o que é o normal dela, sem ter comparações e sem generalizações”, alertou Mary Helly Valente.

Contra o mau hábito de só procurar o médico quando há sinalizações diferentes no corpo, a médica adverte: o ideal é visitar o ginecologista frequentemente para prevenir doenças e certificar que o organismo esteja realmente bem. “Por exemplo, a dor pélvica, que muitas mulheres têm em períodos menstruais, se banalizou. [Há mulheres] dizendo que não vão procurar o médico porque toda mulher tem cólica menstrual, quando muitas vezes [a dor] pode ser uma sinalização do corpo dizendo que tem realmente algum problema”, explicou.

As diferenças de classes sociais também enfraquecem o direcionamento de políticas a mulheres periféricas. Segundo Mary Helly, algumas meninas nem sequer conhecem outros métodos de prevenção em período menstrual, além do absorvente – muitas, inclusive, não tem nêm mesmo acesso a esse único produto. Para a médica, é fundamental que métodos seguros sejam apresentados para mulheres de baixa renda.

“Conhecimento é tudo. Saber que existem outras ferramentas, como o copo coletor, calcinhas absorventes. Não devemos privar essas mulheres de saber que existem esses métodos. São métodos um pouco mais caros, mas que fazendo a conta no final podem ser um pouco mais econômicos. Essa informação deve ser repassada para essa mulher, para que posteriormente possa ser uma opção de aquisição, se for uma melhor forma dela fazer o uso no período menstrual”, explicou.

A médica também avalia que a insegurança sanitária em que muitas famílias brasileiras vivem pode facilitar o surgimento de doenças. “Essa falta de saneamento básico pode impactar de forma negativa na saúde dessa mulher e na família, principalmente se [a mulher] for a responsável pela família e pela renda”, concluiu.

Inferiorização dificulta

Os debates sobre a saúde básica das mulheres ainda são muito recentes. De acordo com Flávia Ribeiro, jornalista e militante das Rede de Mulheres Negras do Pará e Rede Nacional de Ciberativas Negras, a falta de recursos para atender às demandas femininas é influenciada pela minimização de tudo que diz respeito a mulheres.

"Na nossa sociedade, a mulher não tem dimensão de humanidade que o homem tem", assinalou Flávia.

Segundo Flávia, só agora, em 2021, discussões sobre saúde vaginal e períodos menstruais são realizadas sem motivos de vergonha ou chacota.

"Por isso que hoje temos mulheres adultas que não conhecem seu próprio corpo, porque é como se o corpo da mulher fosse exclusivamente voltado para o usufruto do homem. A falta de debates sobre gênero prejudica muito, pois é a partir desse debate que a jovem pode perceber se está passando por situação de assédio, abuso [e] vai conseguir entender que menstruação é normal", salientou.

Ainda segundo Flávia, a escassez de tratamento prioritário à saúde ameaça o futuro de meninas sem condições de ir a um médico privado ou comprar produtos de prevenção menstrual. "É necessário que o governo trate com prioridade, porque é o futuro de meninas que está sendo ameaçado. É uma questão tão elementar que é estarrecedor que o governo não perceba o quanto isso é importante", finalizou.

Por Quezia Dias.

 

O câncer na região é o mais frequente em todo o mundo, devendo acometer, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 177 mil pessoas a cada ano do triênio 2020 – 2022, levando em consideração apenas o tipo não melanoma. Para trazer esse alerta, o Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) lança a campanha “Cuidar da Pele é Preservar a Vida”, que pode ser conferida no site www.hcp.org.br ou nas redes sociais @sigahcp

Com o final do ano chegando, muitas famílias buscam aproveitar as praias, clubes e parques, aumentando a exposição ao principal fator de risco para o câncer de pele – o sol. A doença é mais comum em pessoas de pele clara acima dos 40 anos, com exceção daquelas já portadoras de doenças cutâneas. Porém, esse perfil de idade vem se modificando com a constante exposição dos jovens aos raios solares. “Vivemos em um país tropical, próximo ao litoral e, por isso, estamos diariamente expostos ao sol, o que requer o cuidado frequente com a pele. 

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No geral deve-se evitar a exposição prolongada ao sol, especialmente no horário das 9h às 15h. No caso da pele branca é recomendável que se utilize o protetor solar fator 30, repetindo a cada duas ou três horas. Já para peles pretas ou pardas o fator 15 é suficiente, mas também deve ser reaplicado em intervalos curtos. A utilização do boné, óculos de sol e camisa de proteção UV reforça o cuidado”, destaca a dermatologista do HCP, dra. Mecciene Mendes. 

Os principais sintomas do câncer de pele são lesões ulceradas e/ou caroços, com ou sem escamas que sangram, aparecimento de manchas escuras, com bordas irregulares ou mudança em uma mancha já existente. Ainda pode incluir sangramento e a não cicatrização da área. O câncer de pele se apresenta em dois tipos, o câncer de pele melanoma e não melanoma (carcinoma basocelular e o carcinoma epidermóide). O primeiro é o mais agressivo dos dois, devido sua alta probabilidade de provocar metástases (disseminação para outros órgãos), mas também o mais raro deles, correspondendo a 3% das neoplasias malignas da pele - são lesões elevadas ou planas, mas, em geral, novos sinais que crescem, mudam de cor ou formato e já podem apresentar sangramento. Localizam-se em pele exposta ao sol ou são sinais antigos que apresentam as mesmas alterações. Pode aparecer em qualquer parte do corpo, sendo mais frequente na região do tronco, no caso dos homens; e nas pernas, no caso das mulheres. “Esse câncer se caracteriza por surgir como uma mancha, que lembra um sinal, mas com uma aparência diferente: ele é furta-cor, com tons de marrom e vermelho, e sangra. Com o passar do tempo, ele cresce e adquire o aspecto de um tumor mesmo”, detalha a dermatologista do HCP, dra. Mecciene Mendes. 

Tumores de pele

O outro grupo de tumores de pele é formado por tipos menos agressivos: o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. “O carcinoma basocelular, é totalmente curável, mas embora não costume provocar metástases, precisa ser retirado rapidamente, porque ele pode invadir localmente e causar deformidades, como a perda do globo ocular”, reforça a especialista. 

*Da assessoria 

No início da pandemia de covid-19, descobriu-se que muitas pessoas infectadas com o vírus SARS-CoV-2 estavam perdendo o olfato — mesmo sem apresentar outros sintomas. Pessoas infectadas podem perder o paladar e a capacidade de detectar sensações desencadeadas quimicamente, como o sabor picante, o que é chamado de sinestesia. Após a recuperação, muitos pacientes não conseguem recuperar o olfato imediatamente, e alguns podem temer que a situação possa ser permanente. Não é raro encontrar casos nos quais as pessoas levam entre três e cinco meses para recuperar o potencial desses sentidos. 

Antes da pandemia, a perda ou diminuição do olfato já era sentida por até 20% da população mundial, especialmente em pessoas com sinusite ou rinite. Entretanto, com a covid-19 essa parcela aumentou significativamente. De acordo com uma pesquisa publicada em janeiro deste ano no Journal of Internal Medicine, 86% dos pacientes infectados com o novo coronavírus apresentaram alguma disfunção olfatória. 

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Para aqueles que perdem o olfato por um período prolongado, pode haver preocupações que vão além do prazer de saborear a comida. Muitas pessoas, na verdade, não percebem o quanto sentem falta do olfato até que ele desapareça. Por exemplo, não ser incapaz de cheirar algo queimando pode ser um perigo para a saúde.  

O vírus SARS-CoV-2 parece infectar e comprometer as células vizinhas àquelas que controlam o cheiro, o que pode se traduzir em perda de cheiro, explica a médica otorrinolaringologista Kátia Virgínia, do HOPE, ao LeiaJá. No mundo, quase metade dos pacientes com covid-19 perdem o olfato e cerca de 40% perdem o paladar, de acordo com uma revisão internacional de estudos publicados anteriormente. De acordo com pesquisas preliminares, até metade desses indivíduos também desenvolve o que é conhecido como parosmia, que distorce os cheiros— submergindo, digamos, o cheiro de leite estragado onde deveria haver o aroma de café. 

“O coronavírus age no epitélio olfatório destruindo as células de sustentação. Essas células são as que fazem o nervo olfatório funcionar bem, como elas ficam destruídas, consequentemente, o nervo do olfato não consegue exercer bem a sua função, e aí ocorre a perda desse sentido. No nosso paladar, a gente pensa que muita coisa é sentida pela língua, mas na verdade a língua é responsável apenas pelo doce, azedo, salgado e amargo; o restante, o sabor vem pelo sentido do olfato, por isso que há alteração também do paladar nas infecções do coronavírus”, explica Virgínia. 

Não ser capaz de cheirar pode parecer um aborrecimento menor, pelo menos em comparação com complicações fatais do coronavírus, mas ignorar a perda do olfato é ignorar a importância de compartilhar uma refeição com os amigos ou mesmo de notar situações de perigo. Um estudo da universidade californiana de Stanford menciona, inclusive, que essa incapacidade pode levar à depressão, ansiedade e isolamento social. 

“A perda do sentido do olfato traz muito impacto na qualidade de vida do paciente e na questão da segurança também. O paciente sem olfato deixa de sentir, por exemplo, o cheiro da fumaça; não reconhece se uma comida queimou ou está estragada; um vazamento de gás, um princípio de incêndio. O olfato, independente de pandemia, à medida que envelhecemos, sofremos uma perda neste sentido. O sexo masculino tem o olfato um pouco menos apurado que o feminino; geralmente as mulheres têm um olfato melhor, assim como pessoas mais jovens terão um olfato melhor que os mais velhos, que passam pela perda. Mas a perda do olfato sempre levará em conta esses dois fatores: idade e gênero”, prossegue a especialista. 

Como mencionado anteriormente, antes mesmo da pandemia, a perda de olfato já era realidade para uma porção significativa da população brasileira. A otorrinolaringologista chama atenção para outros quadros virais e não virais que podem apresentar sintomas parecidos com os da covid e afetar os sentidos do olfato e paladar. Em qualquer um dos casos, a consulta com um médico especialista e exames de rotina são essenciais à saúde. 

“Outros quadros virais podem causar também esses sintomas, o quadro clínico é semelhante. Para saber qual vírus causou, é preciso fazer um exame, no caso da Covid-19, é o RT-PCR que vai confirmar se é coronavírus ou não. Existem outras patologias que cursam com a alteração de olfato, não só os quadros virais. Quadros de rinite, sinusite, alguns tumores; toda alteração de olfato deve ser investigada. Aí, o médico otorrinolaringologista vai colher o histórico do paciente, fazer o exame físico e dependendo das suspeitas, ele vai solicitar o exame de imagem, uma nasofibroscopia, e o teste do olfato, que é o que vai confirmar se houve perda ou não, e quantificar o grau da perda: se foi leve, moderada, acentuada ou perda total”, conclui. 

A importância do olfato 

Para decodificar e interpretar mensagens químicas, proteínas específicas localizadas na membrana dos neurônios olfativos em nosso nariz verificam a identidade de cada molécula volátil que chega, e se reportam ao interior. Assim, a informação química, traduzida em sinais elétricos, viaja até o cérebro e afeta as escolhas de comportamento, bem como o humor. Muitas vezes, tudo isso é feito sem que prestemos muita atenção aos odores em nosso ambiente. 

É o olfato que orienta nossas escolhas alimentares e que molha o nosso apetite. É também o cheiro que nos torna exigentes sobre a qualidade da nossa comida, por exemplo, e que nos faz reconhecer um prato de “dar água na boca”. Sem o sentido do olfato, perderíamos muitas experiências, emoções e prazer interessantes; nossa vida careceria de toda uma dimensão. Porém, do ponto de vista fisiológico, seria uma vida perfeitamente normal.

Eles são jovens, com boa saúde e ainda assim morrem ou precisam ser hospitalizados por causa da Covid-19. São casos de predisposição genética, raros, mas que os especialistas estudam intensamente.

"Como acontece com qualquer outra doença genética, nem todo mundo é o mesmo quando confrontado com Covid", explica o imunologista francês Seiamak Bahram à AFP.

A grande maioria das pessoas que morrem de Covid são idosos. E aqueles que também são gravemente afetados e são mais jovens sofrem de outros problemas, como obesidade ou diabetes.

Mas os pesquisadores também examinam aqueles que a priori não apresentam nenhum quadro de risco.

Sob a direção do Dr. Bahram, um grupo de pesquisadores identificou uma série de genes associados ao aparecimento de formas graves do coronavírus.

São pacientes jovens sem problemas de saúde. A equipe acaba de publicar um estudo no qual eles apontam para o provável papel de um gene, ADAM9. É uma pista entre muitas outras.

“As pesquisas conseguiram reunir com uma velocidade impressionante uma mina de informações sobre o papel dos fatores genéticos no Covid-19”, destacou em outubro outro estudo que sintetiza os principais trabalhos sobre o assunto, na revista EBioMedicine.

Dois tipos de pesquisa 

As principais pesquisas são de dois tipos.

A primeira categoria compara os genomas de milhares de indivíduos, classificados em várias categorias: pessoas gravemente doentes, moderadamente doentes e saudáveis.

Um cruzamento aleatório dos dados revela elementos repetitivos entre as formas graves de Covid-19.

No final de 2020, descobriu-se, por exemplo, que havia pacientes graves com covid-19 que apresentavam um determinado pedaço de DNA, em uma região do cromossomo 3.

Esse pedaço de DNA aparece em particular em algumas populações no sul da Ásia, o que explicaria as mortes mais frequentes por Covid-19 naquela região.

Não há fórmula mágica

Mas, no momento, esses tipos de cruzamento de dados são muito vastos. Não foi possível entender por que um gene precisou atuar sobre a doença. Além disso, essas análises detectam apenas mutações genéticas muito comuns.

É aí que entra a segunda categoria de estudos. Em vez de começar aleatoriamente, esses estudos escolhem e partem de uma mutação genética específica.

Essa faixa deu um dos resultados mais importantes sobre o assunto. É o gene TLR7, cujas mutações afetam a resposta imune inicial à infecção.

"Escolhemos genes cuja mutação sabíamos que causava gripe severa ou doenças como a encefalite viral", disse à AFP o geneticista francês Laurent Abel, co-diretor do estudo publicado em agosto.

A descoberta é importante porque as mutações TLR7 aparecem com frequência em pacientes do sexo masculino que adoeceram gravemente com o coronavírus, em comparação com o resto da população.

Mas qual interesse específico tudo isso tem no combate à doença?

É impossível identificar pessoas com risco genético antes de adoecerem. “Você não pode controlar todos do ponto de vista genético”, diz Abel. "Não é possível nem razoável."

O que essas pesquisas permitem é "enfatizar os circuitos e vias da resposta imune que são realmente importantes", explicou o geneticista.

A mutação do gene TLR7 é conhecida por impedir o corpo de reagir adequadamente a certas proteínas, os interferons, que são cruciais na resposta imunológica.

Por esse motivo, o estudo sugere um tratamento anticovid à base de interferon, mesmo que os ensaios clínicos não tenham sido favoráveis até o momento.

Em qualquer caso, não deve haver ilusões sobre a existência de um único gene que predispõe ao Covid-19.

“Seria muito fácil se houvesse um mecanismo que explica tudo, que não existe na medicina”, conclui Bahram.

O Hospital Universitário de Brasília (HUB) seleciona voluntários em cinco estados e no Distrito Federal para testar um novo tratamento para câncer de pênis. Os participantes devem ter diagnóstico da doença em estágio avançado ou com metástase.

O estudo vai associar o uso de imunoterapia com a quimioterapia. O medicamento em análise já é utilizado para tratamento de outros tipos de câncer, com aplicação na veia. A proposta é melhorar os resultados, com redução do tumor e aumento da sobrevida do paciente.

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O protocolo contra o câncer de pênis que utiliza apenas a quimioterapia, de acordo com o hospital, não apresentou grandes avanços nas últimas décadas. “Por isso a urgência em buscar um tratamento mais eficaz para pacientes em estágio avançado da doença”, destacou o HUB.

Além do hospital universitário, o estudo é realizado em outros oito centros de pesquisa localizados no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Belém, em Fortaleza, em Jaú (SP), em Curitiba e em Barretos (SP). A meta é recrutar 33 voluntários em todo o país.

Requisitos

Para ser voluntário, é preciso atender os seguintes requisitos: doença avançada ou metastática, sem exposição prévia a quimioterapia; ou progressão da doença após 12 meses do término da quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante.

Quem cumpre esses critérios e tem interesse em participar da pesquisa deve entrar em contato por meio do e-mail pesquisaclinica.hub@ebserh.gov.br ou pelo telefone (61) 3255-8920.

Câncer de pênis

De acordo com o HUB, o câncer de pênis é considerado um tumor raro, com maior incidência em homens a partir dos 50 anos. O tumor representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem a população masculina.

Os principais sintomas incluem alteração na pele, inchaço e nódulo na região da virilha. Cuidados com a higiene íntima, cirurgia de fimose e prevenção ao HPV podem ajudar a prevenir a doença.

“A falta de informação sobre a doença prejudica o diagnóstico precoce. Quando diagnosticada em estágio inicial, as chances de cura são elevadas, mas muitos pacientes demoram a procurar ajuda”, alerta o hospital.

A variante omicron do coronavírus, descoberta por pesquisadores sul-africanos, é rara e possui um elevado número de mutações, o que a tornaria altamente transmissível.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) falou na sexta-feira sobre uma variante "preocupante", que gerou pânico global e restrições aos voos internacionais.

Os cientistas trabalham 24 horas por dia para analisá-lo e tentar entender seu comportamento. É o que se sabe a partir dos elementos compartilhados por cientistas sul-africanos.

- Origens -

A origem desta nova cepa é atualmente desconhecida, mas os pesquisadores sul-africanos foram os primeiros a anunciar sua descoberta em 25 de novembro. Casos foram relatados naquele dia em Hong Kong e Botswana. Um dia depois, foi a vez de Israel e da Bélgica.

- Mutações -

Em 23 de novembro, os pesquisadores descobriram uma nova variante com uma "constelação muito incomum de mutações". Alguns conhecidos, muitos novos.

Tem "o maior número de mutações que vimos até agora", explica à AFP, Mosa Moshabela, professor encarregado de pesquisa e inovação da Universidade de KwaZulu-Natal (sudeste da África do Sul). "Alguns já foram vistos em delta e beta, mas outros são desconhecidos ... e não sabemos como essa combinação de mutações ficará."

Na proteína espícula, chave para a entrada do vírus no corpo, os pesquisadores observaram mais de 30 mutações, um elemento importante se comparado a outras variantes perigosas.

- Transmissão -

A velocidade com que novos casos diários de covid-19 estão aumentando na África do Sul, muitos relacionados ao omicron, sugere que isso se deve à forte capacidade de transmissão da cepa.

A taxa diária positiva para o coronavírus aumentou rapidamente nesta semana, de 3,6% na quarta-feira, para 6,5% na quinta-feira e para 9,1% na sexta-feira, de acordo com dados oficiais.

“Algumas das mutações que vimos no passado permitiram que o vírus se propagasse com mais rapidez e facilidade. Por isso, suspeitamos que essa nova variante se espalhe muito rapidamente”, explica o professor Moshabela.

- Imunidade e vacinas -

A julgar por alguns casos de reinfecções, "muito mais numerosas do que nas ondas anteriores" da pandemia, pode-se pensar que a variante prevalece sobre a imunidade, diz Moshabela com base nos primeiros dados disponíveis.

Isso poderia reduzir a eficácia das vacinas, a um grau que ainda não foi determinado.

- Gravidade da doença -

É o grande desconhecido. Passou-se menos de uma semana desde que a variante foi detectada, deixando muito pouco tempo para determinar clinicamente a gravidade dos casos.

É uma aposta de longo prazo, mas que começa a dar motivos de esperança. Vacinas terapêuticas para curar o câncer estão em pleno desenvolvimento e uma empresa francesa envolvida nesta corrida está confiante de que ela se tornará realidade.

Nos laboratórios do Transgene em Estrasburgo, os vírus não têm má impressão, muito pelo contrário. Os pesquisadores desta empresa de imunoterapia cuidam deles e os desenvolvem para atacar as células tumorais.

Sua estratégia é transformar esses vírus para produzir antígenos tumorais que permitiriam ao sistema imunológico ativar e produzir a resposta adequada em pacientes com câncer ou naqueles que correm o risco de recaída.

Os vetores virais usados pelo Transgene são de uma família de varíola bovina. É de certa forma um retorno às origens: foi com esse vírus que o médico britânico Edward Jenner fez a primeira vacina contra a varíola no final do século XVIII.

“Sabemos modificá-lo com muita facilidade e produzi-lo em grande escala”, explica Johann Foloppe, pesquisador da farmacêutica.

- Reeducar o sistema imunológico -

É um trabalho de engenharia que reflete os avanços na terapia gênica. E ainda há mais: os cientistas fornecem a esse vetor viral funções adicionais para ativar o sistema imunológico nas células cancerosas.

Em seguida, são necessárias inúmeras etapas para desenvolver esses vetores e verificar sua eficácia.

No laboratório de histologia, os cientistas observam se a imunidade é ativada ou não contra células tumorais previamente retiradas de pacientes.

Se tudo correr bem, em suas telas, essas células cancerosas, representadas em azul, são gradualmente cobertas por pontos vermelhos ou roxos que representam os linfócitos que matam o tumor.

As vacinas terapêuticas, que podem usar diferentes tecnologias, como o RNA mensageiro no qual as vacinas Pfizer / BioNTech ou Moderna covid se baseiam, são de interesse crescente para o setor de pesquisa e biotecnologia.

"Eles se baseiam no mesmo princípio: educar o sistema imunológico para procurar anormalidades nas quais ele não atue", explica o professor Christophe Le Tourneau, chefe do departamento de testes clínicos iniciais do Instituto Curie e principal pesquisador de um estudo com Transgene.

“Uma célula torna-se tumor pela modificação de seu DNA. Essas modificações deveriam ser detectadas, mas não são. Temos que fazer o sistema imunológico entender, graças à vacina, que são perigosas”, acrescenta o cientista.

É um setor competitivo em que também operam empresas como a Moderna ou a BioNTech. A sociedade americana Dendreon já começou a comercializar um tratamento para o câncer de próstata.

Transgene atua em vários projetos. Entre eles está um em testes humanos de fase 2, "TG4001", para combater o câncer causado pelo papilomavírus humano (HPV). Usando antígenos do HPV, eles educam o sistema imunológico para reconhecer e destruir células tumorais.

A empresa de biotecnologia também desenvolve "myvac", vacinas personalizadas especialmente contra o câncer de ovário que usam mutações genéticas do mesmo tumor. Para fazer isso, eles usam inteligência artificial que determina quais mutações genéticas devem ser integradas ao vetor viral.

Na segunda-feira, o Transgene publicou os primeiros resultados positivos para um ensaio clínico de fase 1, mostrando que o sistema imunológico dos primeiros pacientes havia sido ativado.

Mas "resposta imunológica não significa eficácia clínica", lembra sabiamente o professor Le Torneau que, mesmo assim, acredita que as vacinas terapêuticas podem ser uma revolução para os pacientes.

O comprimido contra a Covid-19 desenvolvido pelo laboratório MSD é eficaz no tratamento do vírus, mas não é recomendado para uso em mulheres grávidas, disse a Agência de Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) em um relatório preliminar divulgado nesta sexta-feira (26).

A publicação vem antes de uma reunião do comitê de especialistas da FDA marcada para 30 de novembro, na qual as recomendações para autorização de emergência do medicamento, chamado molnupiravir, serão revisadas.

Se aprovado, esse medicamento representaria um avanço na luta contra a pandemia, ao permitir que as formas graves da doença fossem reduzidas com bastante facilidade.

Em seu relatório, a FDA considera que o molnupiravir é eficaz em pacientes com covid-19 e em risco de hospitalização. No entanto, indicou que o comitê não recomenda a autorização do molnupiravir em mulheres grávidas, considerando que “não há cenário clínico em que os benefícios superem os riscos” nesta população.

Embora grávidas não tenham sido incluídas no ensaio clínico da MSD, a FDA baseia sua recomendação nos resultados do estudo em ratas e coelhas grávidas, alguns dos quais tiveram mais malformações do que nos grupos de controle.

Para seu pedido de autorização, a MSD confiou neste ensaio clínico que conduziu com seu parceiro Ridgeback Biotherapeutics em pessoas com casos leves a moderados de covid-19 e pelo menos um fator de risco agravante. Todos receberam o tratamento dentro de cinco dias dos primeiros sintomas.

A taxa de hospitalização ou morte em pacientes que receberam o medicamento foi de 7,3%, em comparação com 14,1% para aqueles que receberam placebo. Nenhuma morte foi observada em pessoas tratadas com molnupiravir, em comparação com 8 no segundo grupo.

Os resultados foram conclusivos o suficiente para que um comitê independente de vigilância de dados decidiu, em consulta com a FDA, abandonar o estudo prematuramente.

Os antivirais como o molnupiravir diminuem a capacidade de um vírus se replicar, desacelerando a doença.

A sua aplicação pode ter um duplo efeito: permitir que as pessoas já infectadas com coronavírus não desenvolvam sintomas graves e que as pessoas que estiveram em contato próximo com alguém infectado não desenvolvam a doença.

Um dos autores do estudo que apresenta a hipótese do surto de coceira na Região Metropolitana do Recife (RMR) estar associado ao uso indiscriminado de Ivermectina na pandemia, o professor Alfredo Dias, do Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), aponta que podemos estar vivendo uma epidemia de sarna.

Casos semelhantes da lesão cutânea foram registrados anteriormente no Litoral de São Paulo e um alerta epidemiológico foi emitido em Belo Horizonte, na última quarta-feira (24), para monitorar a doença de pele misteriosa.

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Em entrevista exclusiva ao LeiaJá, o pesquisador aponta que o surto já era previsto por cientistas, já que o uso excessivo de medicação antimicrobiana, como antibióticos, antifúngicos e antiparasitários, como ocorreu na pandemia, cria microorganismos mais resistentes.

“Os parasitas são tão expostos àquele antimicrobiano, que eles aprendem a sobreviver e a substância acaba perdendo efeito sobre eles”, explicou Alfredo, que defende a Ivermectina como uma medicação segura e eficaz quando ministrada de forma correta. Inclusive, lembra que há 20 anos ela "já era o tratamento para quando a sarna fosse resistente".

O professor anuncia já podemos estar vivendo uma epidemia sem saber.

“É possível sim, podemos. A gente até discutiu no grupo de pesquisa porque nós não queríamos estar certos disso”, lamentou.

Por que primeiro no Recife?

A justificativa da disparada recente de casos no Recife pode estar relacionada à aptidão histórica que a cidade tem para monitorar quadros epidemiológicos e, dessa forma, ampliar a vigilância diante das primeiras notificações.

“Recife tem uma tradição epidemiológica de vigilância, inclusive têm institutos formadores de epidemiologia há décadas. Talvez [o surto] seja pela própria busca ativa e por considerar o problema relevante já de cara”, explica Dias.

Nesse sentido, a teoria de que o surto ocorre apenas na capital e, até o momento, se expandiu por seis cidades vizinhas significaria uma comunicação alinhada entre a rede de saúde e as secretárias, que recebem as informações e já iniciam a investigação dos casos.

Diagnóstico lento

Apesar dessa capacidade, a doença segue como um mistério e não tem prazo para ser esclarecida pelas autoridades sanitárias. O cientista explica que o diagnóstico lento seria uma medida de precaução.

“Existem várias doenças que se assemelham ao que tá aparecendo. Então eles precisam, de fato, fazer biopsia com material de várias pessoas para emitir a certeza sobre a causa do surto”, ensina.

Sintomas associados

Os pacientes relataram as mesmas queixas de manchas na pele, que geralmente se tornam feridas por conta da coceira intensa, características da doença. Contudo, também há relatos de sintomas não reconhecidos no quadro da escabiose como febre, inflamação na garganta e diarreia.  

Mas isso não descarta ainda a tese de ser mesmo um surto de sarna, já que os outros sintomas podem ser resultado de doenças adquiridas devido às fissuras abertas na pele. "Podem servir de ponto de entrada para infecções oportunistas", complementa o pesquisador.

Pesquisa

O principal fator que pode explicar o surto de lesões cutâneas na pele, caso confirmada a relação com o parasita Sarcoptes scabiei, causador da sarna, foi a disparada do consumo do remédio em doses elevadas e a repetição do uso em um curto intervalo por pacientes que se automedicavam ou foram mal orientados por médicos, como publicado em agosto.

Alfredo Dias e os demais pesquisadores analisaram mais de 50 estudos sobre resistência à medicação e aumento da incidência de sarna em todo o mundo.

“(Para se criar a resistência) precisava haver consumo alto de Ivermectina e quando foi registrado, havia se consumido o dobro. A gente teve 10 vezes mais uso na medicação (no Brasil”, revela.

A disseminação também já era prevista por pesquisadores do grupo composto pela também professora do ICF, Sabrina Neves, e pelos alunos Lucas Bezerra e Natalia Alves. Na visão destes, o surto poderia ser provocado pelo confinamento e questões socioeconômicas como a pobreza e a baixa escolaridade, que garantiriam uma "tempestade perfeita" para o ácaro.

Atenta ao surto da doença de pele ainda sem diagnóstico, que contaminou cerca de 300 pessoas na Região Metropolitana do Recife (RMR), nessa quarta-feira (24), a Prefeitura de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, emitiu alerta epidemiológico.

No comunicado, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Belo Horizonte (CIEVSBH) pede que a rede de saúde repasse fotos e informações sobre as ocorrências em até 24h após o registro. 

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Além da forte coceira, que pode vir associada de febre, dor de garganta e diarreia, a passagem do paciente pelo Recife é outro fator de atenção. 

"Os casos iniciais ocorreram no município de Recife, e foram descritos como quadros de lesões dermatológicas geralmente acompanhadas de prurido, principalmente nos membros superiores e tronco”, descreve a nota.

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Com sintomas muito parecidos aos da sarna, o surto que se alastra na Região Metropolitana do Recife (RMR) pode ter sido motivado pelo uso indiscriminado de Ivermectina durante a pandemia. Pelo menos 264 moradores de seis cidades já apresentam lesões cutâneas, que ainda estão sendo investigadas pelas secretarias de saúde municipais.

Espalhados em Olinda, Jaboatão, São Lourenço, Camaragibe, Paulista e Recife, os pacientes se queixam de uma forte coceira que se intensifica à noite e evolui para feridas, mesmo com o uso de antialérgicos. 

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A Ivermectina, medicamento antiparasitário, foi incluso no polêmico "kit covid" defendido pelo Governo Federal, junto com outras substâncias sem nenhuma evidência científica que indicasse seu uso contra a Covid.

Alguns profissionais continuaram prescrevendo a substância, mesmo após o próprio fabricante reprovar essa indicação. Pessoas também tomaram o remédio por conta própria, confiando na suposta eficácia propagada por alguns planos de saúde e também por integrantes do "gabinete paralelo", que teria sido formado para aconselhar o presidente Jair Bolsonaro

Pesquisa alertou para possível surto em agosto

Um estudo publicado no dia 15 de agosto deste ano, por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), deu sinais de que o uso indiscriminado do remédio pode ter desenvolvido a super resistência do Sarcoptes scabiei, ácaro responsável escabiose, também conhecida como sarna humana. 

Além de questões de climáticas e socioeconômicas, os fatores que podem ter contribuído para a evolução do parasita se relacionam ao aumento da dosagem e uso repetitivo da Ivermectina em um curto intervalo. Por isso, também não está descartado o aumento da resistência de outros parasitas, como piolhos.

“Fatores como evidências de resistência do Sarcoptes scabiei à ivermectina e intensificação de fatores relacionados à incidência de escabiose como pobreza, baixa escolarização, confinamento familiar e aumento de compartilhamento de artigos domésticos podem levar à manifestação de surtos de escabiose. Este aumento pode ser especialmente danoso para pacientes pediátricos de baixa renda, além dos riscos à saúde da população em geral", apontou o estudo liderado pelo professor Alfredo Dias, que já alertava sobre a possibilidade do surto antes do primeiro registro em Pernambuco.

O estudo também citou que a partir de junho de 2020, as vendas de ivermectina no Brasil aumentaram consideravelmente, passando de R$ 44 milhões em 2019 para R$ 409 milhões, uma alta de 829%. Há quem diga que foi mais.

Pode ser ainda mais grave

Comprovada ou não a relação entre o surto e o uso indiscriminado de Ivermectina, o fato é que a doença causa preocupações ainda maiores do que uma coceira ou danos à pele.

"A persistência e difusão da escabiose pode causar aumento de mortalidade em crianças devido a infecções secundárias, e prejudicar seu desenvolvimento pois leva a distúrbios do sono, reduzindo a sua capacidade de concentração e produtividade, além dos riscos à saúde da população em geral", conclui o estudo conduzido na UFAL.

Sem prazo para a confirmação

Ainda classificada como "lesão cutânea a esclarecer", outra linha de investigação aponta a possibilidade da doença ser causada por mosquitos. 

A Secretaria de Saúde do Recife, primeira a registrar o surto, acompanha os casos desde o início de outubro e emitiu alerta epidemiológico para controlar as ocorrências junto ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs). A pasta não deu prazo para confirmar a causa da doença.

A Secretaria Estadual de Pernambuco destacou que as secretarias municipais ficam responsáveis pelas investigações.

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A Alemanha, cujo próximo governo planeja legalizar o uso recreativo da cannabis, está se preparando para se juntar aos poucos países mais liberais nessa área.

Embora muitos países tenham descriminalizado o uso e o porte de maconha, isentando os consumidores de penas de prisão, poucos oferecem uma estrutura legal para o cultivo e consumo da erva.

Até agora, apenas Uruguai e Canadá autorizam a cannabis recreativa.

Em contraste, o uso medicinal da cannabis é autorizado em cerca de trinta países do mundo. Na União Europeia, a Holanda foi pioneira em 2003 e, desde então, a substância é licenciada em 22 dos 27 países.

- América Latina -

O Uruguai se tornou o primeiro país do mundo em dezembro de 2013 a legalizar a produção, distribuição e consumo de cannabis. É possível conseguir o produto de três maneiras: cultivar em casa para consumo pessoal, ter acesso a ele por meio de um clube de consumo ou comprá-lo em uma farmácia.

A compra é nominativa, limitada a 40 gramas por mês por usuário. O governo autorizou duas empresas privadas a produzir e distribuir maconha.

Outros países latino-americanos legalizaram o uso terapêutico da cannabis: Chile no final de 2015, Colômbia em 2016, além de Argentina, México e Peru.

- América do Norte -

- Em outubro de 2018, o Canadá se tornou o primeiro país do G7 e o segundo país do mundo a legalizar a cannabis recreativa. A mudança foi uma promessa de campanha do partido liberal do primeiro-ministro Justin Trudeau.

A legalização limita a posse pessoal a 30 gramas e quatro plantas por casa.

- Nos Estados Unidos, a lei federal proíbe o cultivo, venda ou uso de maconha. Porém, o uso recreativo foi legalizado em 16 estados e na capital, Washington D.C.

O último a legalizá-lo foi o estado de Nova York, que autorizou em março de 2021 o porte e o uso recreativo de maconha para adultos de 21 anos ou mais.

O uso terapêutico é permitido em 33 dos 50 estados.

- Europa -

- Luxemburgo anunciou em outubro de 2021 que vai autorizar o consumo de maconha na esfera privada e seu cultivo para uso pessoal, algo inédito na Europa, onde a maconha é ilegal.

De acordo com o texto, que o Parlamento examinará no início de 2022, cada família terá o direito de cultivar quatro plantas de cannabis.

- Na Holanda, a posse, o consumo e a venda de até cinco gramas de cannabis são tolerados desde 1976 nos famosos "coffee shops". O cultivo pessoal e sua venda em grande escala são ilegais.

Desde 2012, uma lei em três províncias do sul proíbe a venda para não residentes e turistas.

- Na Espanha, a produção para consumo pessoal é autorizada, mas a comercialização e o consumo público não. Essa legislação levou à criação de associações de consumidores sem personalidade jurídica que produzem cannabis para seus membros.

- Portugal descriminalizou o uso e porte de todas as drogas em 2001, embora ainda sejam proibidas. Os usuários estão sujeitos a uma multa, que pode ser evitada optando por um tratamento contra o vício.

- Outros lugares -

Em 2018, a mais alta instância jurídica sul-africana declarou "inconstitucional" uma lei que proibia o consumo e o cultivo de maconha em residências. Mas o consumo público e a comercialização da maconha ainda são proibidos.

No Marrocos, o maior produtor mundial de maconha, o governo validou em março de 2021 um projeto de lei que autoriza o uso "medicinal, cosmético e industrial" da cannabis, embora proíba seu uso recreativo.

A variante delta do coronavírus, altamente contagiosa, reduziu a eficácia das vacinas contra a transmissão da doença para 40%, disse nesta quarta-feira (24) o chefe da OMS, pedindo às pessoas que continuem usando máscaras e respeitando as medidas de distanciamento.

"As vacinas salvam vidas, mas não evitam totalmente a transmissão da covid-19", explicou Tedros Adhanom Ghebreyesus em uma coletiva de imprensa regular sobre a pandemia, que está devastando a Europa.

“Há dados que sugerem que antes da chegada da variante delta, as vacinas reduziam a transmissão em 60%, mas, com o surgimento dessa variante, caiu para 40%”, observou.

“Em muitos países e comunidades, tememos que haja um equívoco de que as vacinas acabaram com a pandemia e que as pessoas vacinadas não precisam mais tomar mais precauções”, acrescentou.

A Nasa está se preparando para lançar uma missão para colidir deliberadamente uma nave espacial contra um asteroide, um ensaio para caso a humanidade precise um dia impedir que uma rocha espacial gigante acabe com a vida na Terra.

Pode soar como ficção científica, mas o Dart (Double Asteroid Redirection Test) é um experimento real que decolará nesta terça-feira às 22h21 do horário padrão do Pacífico (quarta, 24, às 3h21 de Brasília), a bordo de um foguete SpaceX a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos.

Seu alvo é Dimorphos, uma "lua" com cerca de 160 metros de largura, que orbita um asteroide muito maior chamado Didymos, de 780 metros de diâmetro. Juntos, eles formam um sistema que orbita o sol.

O impacto deve ocorrer entre 26 de setembro e 1º de outubro de 2022, quando o par de rochas estará a 11 milhões de quilômetros da Terra, o ponto mais próximo que podem chegar.

"O que estamos tentando aprender é como desviar uma ameaça", disse o cientista-chefe da Nasa, Thomas Zuburchen, em uma coletiva de imprensa sobre o projeto de 330 milhões de dólares e o primeiro de seu tipo.

Para deixar claro: os asteroides não representam uma ameaça ao nosso planeta. Mas eles pertencem a uma classe de corpos conhecida como Objetos Próximos à Terra (NEOs, em inglês). São asteroides e cometas que se encontram a menos de 50 milhões de quilômetros do nosso planeta.

O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da Nasa está mais interessado em corpos maiores que 140 metros, já que eles têm o potencial de devastar cidades ou regiões inteiras com uma energia várias vezes maior do que bombas nucleares.

Há 10 mil asteroides próximos à Terra com esse tamanho conhecidos, mas nenhum tem uma chance significativa de impacto nos próximos 100 anos. No entanto, estima-se que apenas 40% desses asteroides foram encontrados até o momento.

Os cientistas podem criar impactos em miniatura em laboratórios e usar os resultados para criar modelos sofisticados de como desviar um asteroide, mas esses modelos são baseados em suposições imperfeitas, portanto, querem fazer um teste do mundo real.

A sonda Dart, que é uma caixa com o volume de um grande frigorífico e painéis solares do tamanho de limusines de cada lado, irá colidir com Dimorphos a pouco mais de 24 mil quilômetros por hora, provocando uma pequena mudança no movimento do asteroide.

Os primeiros testes de uma vacina contra a covid-19 que aposta em um tipo diferente de imunidade em relação aos imunizantes clássicos apresentaram resultados promissores, diz um estudo publicado nesta terça-feira (23) na revista científica Nature.

Os ensaios de fase 1 do projeto de vacina contra o coronavírus denominado CoVac-1, realizados na Alemanha, mostraram uma resposta imunológica relacionada com os linfócitos T, segundo a pesquisa.

Os linfócitos T são um tipo de glóbulo branco, responsáveis pela segunda etapa da resposta imunológica, a imunidade celular, que completa a ação dos anticorpos através do ataque direto às células infectadas, e não somente contra os vírus que circulam no organismo.

Para a primeira avaliação clínica desta vacina participaram 36 pessoas de 18 a 80 anos de idade, que receberam uma só dose do imunizante experimental.

A CoVac-1 tem como objetivo provocar uma imunidade duradoura contra o SARS-CoV2, produzida através dos linfócitos T, para reproduzir, na medida do possível, a imunidade adquirida através de uma infecção natural.

Esta imunidade induzida pelas células T é uma "resposta importante para o controle dos vírus e poderia ser utilizada para as pessoas com imunodeficiência", segundo o artigo da Nature.

Todos os participantes mostraram uma reação "específica" ao SARS-CoV2 através dos linfócitos T "28 dias depois da vacina, uma reação que persistiu durante ao menos três meses".

Essa resposta superou a provocada pela infecção natural de coronavírus. E não foi "alterada" por nenhuma variante atual (alfa, beta, gama e delta).

Esses resultados são, contudo, muito embrionários e somente testes mais amplos poderão confirmar a viabilidade real desta vacina para proteger contra a covid-19.

Uma vacina clássica provoca no corpo humano a criação de anticorpos após a inoculação de um vírus. Os linfócitos T permitem uma resposta potencialmente mais ampla, mas seu papel na luta contra a covid-19 ainda é pouco conhecido.

Em todo caso, eles podem ser uma ajuda decisiva para os pacientes com câncer que não conseguem desenvolver uma imunidade clássica, diz o estudo.

Além disso, as células T podem facilitar "a produção de anticorpos protetores através das células B", que são outro tipo de glóbulo branco, lembra o artigo publicado na Nature.

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