Carta alertou Bolsonaro sobre a pandemia em março de 2020

Documento foi assinado pelo então ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta. Presidente ignorou alerta e possuía assessoria paralela ao Ministério

por Vitória Silva ter, 04/05/2021 - 16:42
Jefferson Rudy/Agência Senado Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, durante sessão da CPI da Covid Jefferson Rudy/Agência Senado

Durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Covid) nesta terça-feira (4), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que entregou uma carta para o presidente da República, Jair Bolsonaro, alertando sobre os riscos da pandemia ainda em março de 2020. O médico mencionou trechos da íntegra do documento e, no texto, recomenda que o executivo “reveja o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população”.

A informação reforça o objetivo dos senadores com a CPI, que é descobrir o quanto a gestão federal se desencontrou e desautorizou as ações do Ministério da Saúde, assim, concluindo ou não sobre a influência da postura do Executivo no número de casos e mortes pela Covid-19. Mandetta compareceu à comissão enquanto testemunha e tem o compromisso de falar a verdade, podendo cumprir pena por falso testemunho. Na bancada que avalia e direciona as perguntas, apenas quatro dos 11 senadores são governistas.

Em um dos trechos, o ex-ministro afirmou: "Em que pese todo o esforço empreendido por esta pasta para a proteção da saúde da população e preservação de vidas no contexto da resposta à pandemia do Covid 19, as orientações e recomendações não receberam apoio deste governo federal".

Na carta já havia sido sinalizado o surgimento de uma “pneumonia atípica” oriunda da China, responsável por uma quantidade significativa de óbitos, em 3 de janeiro de 2020. Em 22 de janeiro do mesmo ano, Mandetta menciona a retomada de um centro de observação com foco na doença.

COMENTÁRIOS dos leitores