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Tifanny Abreu, de 36 anos, primeira atleta trans a jogar na Superliga Feminina de Vôlei, estreou em dezembro de 2017 e foi alvo de muitas críticas dentro e fora da quadra. Aos poucos, foi conquistando seu espaço e bloqueando preconceitos.

O debate ainda é quente no meio esportivo, mas a jogadora deu mais um passo importante em sua carreira: ela se tornou estrela global em uma campanha internacional de sua patrocinadora sobre inclusão e diversidade no esporte.

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Nesta entrevista ao Estadão, ela contou como tem sido essa fase em sua carreira e espera abrir as portas para outras atletas trans no futuro.

Você terminou a temporada nacional no vôlei jogando bem e agora está de férias. Está podendo relaxar um pouco?

Agora é a hora de recuperar o corpo e a mente porque a próxima temporada promete. Tomara que a pandemia já tenha passado para podermos ter o torcedor mais perto da gente. Adoro tirar foto, abraçar torcedor. Recebo tanta pedrada, e quando recebo carinho, quero retribuir.

Quando você se tornou a primeira atleta trans no vôlei nacional, você sofreu muito com a polêmica que se criou. Como está isso agora?

No início foi uma tempestade em copo d'água. Muitas pessoas pensam que era só ser trans e que poderia jogar. Mas precisa ter laudos, fazer a hormonização corporal, e sofri bastante. Depois de quatro anos, as pessoas começaram a estudar e viram que as mulheres trans não têm vantagem em cima das mulheres cis. Quem era contra hoje está a favor e do meu lado. A história do esporte mostra isso, pois teve a primeira vez de um atleta negro, a primeira mulher, a primeira trans...

Algumas jogadoras brasileiras se posicionaram contra a sua presença naquele momento. Como está isso agora?

Eu nunca tive problema com nenhuma, sempre tive um bom relacionamento. E a cada dia isso tudo melhora. A cada temporada, novas atletas aparecem no clube, me conhecem de perto e tiram dúvidas. Graças a Deus eu tenho uma aceitação maravilhosa por todas.

Muito se falava que sua presença no vôlei brasileiro atrairia dezenas de atletas trans, mas isso não ocorreu. Nem virou tendência no mundo. Como acolher pessoas trans no esporte?

Estamos trabalhando muito na inclusão social das crianças trans, precisamos amá-las. Precisa ser feliz com você mesma. O importante é estar sempre bem consigo mesma e seguir as regras. Muitos campeonatos não aceitam atletas trans por preconceito. A gente tem um crescimento de aceitação, porém para chegar ao alto nível precisa de talento que poucas vão ter. As pessoas precisam entender também que não é só ser trans, precisa ter talento.

Como tem sido para você ter se tornado uma estrela global de uma campanha da Adidas?

Costumo dizer que toda borboletinha nasce como lagarta. Quando vira borboleta, fica linda. Eu lutei, sofri muito preconceito e agora estou colhendo os frutos do trabalho. Estrelar uma campanha global é o sonho de muitas garotas. E para mim, para minha família, para o esporte e para as pessoas LGBTs é motivo de orgulho. Estampar a cara de uma mulher transexual mostra que nada é impossível, que é o mote da campanha. Muitos acharam que eu não iria conseguir, mas já estou há cinco anos nisso e consegui.

Você imaginava que depois de enfrentar todo tipo de preconceito alcançaria isso?

Sempre lutei para conseguir meus objetivos. Essa campanha mostra a realidade nossa de cada dia, a luta diária, sem medo de errar e não alcançar. O importante é que eu continue crescendo sempre.

Você que sempre lutou contra a discriminação no esporte. Como enxerga a postura de algumas marcas a favor da diversidade e da inclusão?

É um trabalho que começou muito tempo atrás e agora estamos colhendo os frutos deste trabalho. Eu lembro da época que não tinha tênis apropriado para fazer as coisas. O mesmo era usado para jogar, sair e andar por aí. Uma vez eu fui assaltada e o ladrão devolveu o tênis porque ele estava furado. Hoje essa situação mudou e eu queria agradecer muito a todas as mulheres trans que buscaram este espaço para nós hoje. E eu preciso continuar o trabalho para que outras mulheres trans cheguem também.

Quais são seus projetos para o futuro?

Toda atleta sonha em disputar uma Olimpíada. Eu estou chegando a uma certa idade, mas pretendo cuidar do meu corpo, dos meus joelhos, e nada impede que um dia eu possa representar o Brasil. Mas meu legado maior é abrir as portas para que outras meninas possam representar.

Acredita que sua imagem continuará ajudando a derrubar mais barreiras no esporte?

Acredito e luto bastante por isso. Se eu desistir, muitas outras vão acreditar que minha desistência foi por pressão e pode fazer com que outras meninas não vejam futuro nisso. Estou lutando para que todas tenham sua chance.

O técnico Renan Dal Zotto, da seleção brasileira masculina de vôlei, precisou ser intubado nesta segunda-feira por complicações da covid-19. Internado desde a última sexta em um hospital no Rio de Janeiro, o treinador teve de passar pelo procedimento para manter o nível de saturação de oxigênio mais alta, de acordo com informações divulgadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

"A expectativa é que o treinador permaneça neste estado de 48h a 72h para depois iniciar a retirada do respirador mecânico", informou a entidade em um comunicado oficial.

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O treinador e ex-jogador da seleção brasileira testou positivo para o novo coronavírus na última terça-feira. Em isolamento, ele apresentava sintomas leves. Na sexta, porém, ele apresentou piora do quadro e precisou ser internado, no Rio de Janeiro, com baixa saturação de oxigênio no sangue.

Também na capital fluminense está internado, no Centro de Terapia Intensiva, Radamés Lattari, vice-presidente da CBV. Ele foi extubado nesta segunda-feira. "Ele segue com boa evolução clínica. Nesta segunda-feira, se encontra já sentado fora do leito, com oxigênio suplementar e em tratamento de pneumonia e trombose venosa", completou a entidade.

A Federação Francesa de Voleibol (FFVolley, na sigla em francês) confirmou nesta segunda-feira que Bernardo Rezende, o Bernardinho, assumirá o comando da seleção masculina da França após os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, adiados em um ano por causa da pandemia do novo coronavírus, visando a Olimpíada de 2024, que será realizada em Paris.

"Ficamos muito felizes que Bernardinho aceitou nossa proposta. A sua enorme história é a prova do nosso desejo de ver a equipe francesa continuar a evoluir ao mais alto nível e ambicionar pódios", disse Eric Tanguy, presidente da FFVolley em um comunicado oficial.

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O treinador brasileiro assumirá ao final da Olimpíada de Tóquio, em julho e agosto deste ano, substituindo Laurent Tillie. Seu primeiro compromisso será o Campeonato Europeu, de 1.º a 19 de setembro, em quatro países: Polônia, República Checa, Estônia e Finlândia.

Antes de assumir, Bernardinho destacou o bom trabalho de Tillie. "Estou muito honrado que a Federação tenha aceitado minha candidatura. Esta decisão não foi fácil porque requer alguns sacrifícios pessoais, mas quando olho para esta seleção da França e sua evolução hoje, fico muito entusiasmado com a ideia de poder trazer minha experiência a ela, a fim de avançar em direção a um único objetivo comum: a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris", afirmou.

"É um verdadeiro desafio que nos espera. Esta equipe tem potencial e gostaria de destacar o trabalho admirável que Laurent Tillie tem feito com os seus jogadores ao longo dos últimos nove anos. Quero continuar este trabalho, ultrapassar os limites e as capacidades de cada um, continuar a fazê-los crescer como atletas e como seres humanos. É uma etapa necessária. Mas, por enquanto, só pode haver um objetivo: as Olimpíadas de Tóquio. Então, vou deixar Laurent, sua equipe e seus jogadores trabalharem para ter o melhor desempenho em Tóquio. Eles têm a capacidade e o talento", completou o brasileiro.

À frente da seleção brasileira, Bernardinho possui seis medalhas olímpicas, incluindo os ouros de Atenas- 2004, na Grécia, e no Rio-2016, no Brasil. Ele seguirá, por enquanto, como técnico do Sesc/Flamengo-RJ, no Rio de Janeiro.

Já Laurent Tillie está no comando da seleção francesa há nove anos, tendo o título do Campeonato Europeu em 2015 e o ouro na Liga Mundial em 2015 e 2017 como maiores feitos.

O Brasil tem cinco indicados, de um total de 25, para o Hall da Fama Internacional do vôlei em 2021, maior honraria da modalidade. O ex-jogador e o treinador Bernardinho, os ex-jogadores de vôlei de quadra Giovane Gávio, Serginho e Fernanda Venturini e o campeão olímpico de vôlei de praia Ricardo podem se juntar a outros 16 brasileiros que já foram homenageados.

A escolha dos premiados é realizada por votação aberta que dura até o dia 28 de fevereiro. Os votantes podem votar quantas vezes quiserem. Numa segunda fase uma nova votação, já com integrantes do Hall da Fama, vai definir os premiados. 

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Caso alguns dos brasileiros indicados receba a premiação vai se juntar a Adriana Behar, Shelda, Renan Dal Zotto, Fofão, Bebeto de Freitas, Maurício, Giba, Zé Marco, Loiola, Ana Moser, Jackie Silva, Fofão, Sandra Pires, Bernard, Emanuel e Carlos Arthur Nuzman.

O tão esperado duelo entre Serena Williams, ex-número 1 do mundo, e Ashleigh Barty, a atual líder do ranking da WTA, pelas semifinais do Yarra Valley Classic, um dos três WTA 500 que estão sendo disputados de forma simultânea em Melbourne, não irá acontecer. A americana desistiu da partida desta sexta-feira (5), alegando uma lesão no ombro direito, e tenta se poupar para o Aberto da Austrália, que começa nesta segunda.

Durante a semana em Melbourne, Serena fez três jogos e venceu a russa Daria Gavrilova, a búlgara Tsvetana Pironkova e a americana Danielle Collins. Mas não aguentou o ritmo, já que mais cedo nesta sexta-feira havia batido a compatriota por 2 sets a 1 - com parciais de 6/2, 4/6 e 10 a 6 no match tie-break -, pelas quartas de final.

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Com isso, Barty, que derrotou a americana Shelby Rogers por 2 sets a 1 - parciais de 7/5, 2/6 e 10 a 4 no match tie-break -, nas quartas, já garante uma vaga na final do WTA 500, que acontece no complexo do Melbourne Park. A número 1 do mundo espera pela vencedora do confronto entre a espanhola Garbiñe Muguruza e a checa Marketa Vondrousova, que acontecerá neste sábado.

Para chegar às semifinais, Muguruza venceu uma reedição da final de 2020 do Aberto da Austrália contra a americana Sofia Kenin por 2 sets a 0, com um duplo 6/2, e Vondrousova garantiu vaga superando a argentina Nadia Podoroska por 4/6, 6/3 e 10 a 4 no match tie-break.

OSAKA INVICTA - Em ótima fase no circuito profissional, a japonesa Naomi Osaka garantiu vaga nas semifinais do Gippsland Trophy, outro dos três WTA 500 da semana em Melbourne. A número 3 do mundo avançou na competição depois de vencer a romena Irina Camelia Begu por 7/5 e 6/1. A sua rival será a belga Elise Mertens, número 20 do ranking, que derrotou a quinta colocada Elina Svitolina por 6/3, 5/7 e 10 a 6 no match tie-break.

"Minha adversária foi muito complicada para mim. Eu nunca havia jogado contra ela antes. Então, só de não ter que jogar aquele tie-break de 10 pontos, eu já fico muito aliviada", disse Osaka ao destacar a mudança de regra para os torneios dessa semana. A WTA adotou um match tie-break no lugar do terceiro set para acelerar a programação antes do Aberto da Austrália.

Osaka está invicta há quase um ano. Sua última derrota foi no dia 7 de fevereiro de 2020 para a espanhola Sara Sorribes, pela Fed Cup. A japonesa disputou poucos torneios desde então, mas já defende uma invencibilidade de 14 partidas, com destaque para o título do US Open do ano passado.

A surpresa na rodada foi a eliminação da romena Simona Halep. A número 2 do mundo sofreu uma dura derrota por 6/2 e 6/1 para a russa Ekaterina Alexandrova, 33.ª do ranking, que enfrenta nas semifinais a estoniana Kaia Kanepi, que sequer precisou entrar em quadra, beneficiada pela desistência da checa Karolina Muchova, com uma lesão abdominal.

A Federação Internacional de Vôlei (FIVB, na sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira que a Liga das Nações deste ano mudou de formato por causa da pandemia do novo coronavírus e será disputada em formato de bolha em sede única tanto no torneio masculino, quanto no feminino. Após o regulamento e a forma de disputa terem sido aprovados pelo conselho, a entidade vai avançar na negociação com países interessados em sediar a competição.

A medida foi tomada para manter a mesma fórmula de disputa da Liga das Nações, mas evitando as constantes viagens que são marcas da competição. Assim, os 16 países participantes de cada gênero jogarão entre si em turno único na mesma bolha, classificando os seis melhores para a fase final.

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O conceito da bolha protegerá a saúde de todos os participantes em um ambiente seguro com testes de covid-19 frequentes, minimizando significativamente o risco de transmissão do vírus.

"O conceito da bolha protegerá a saúde de todos os participantes, acomodando todas as 16 equipes por gênero em um único país, em um ambiente seguro com testes frequentes de covid, minimizando significativamente o risco de transmissão do vírus. As partidas no formato round robin e as finais serão realizadas em um único local, preservando o formato original da Liga das Nações com o mesmo número de partidas por gênero", informou a FIVB em um comunicado oficial.

A Liga das Nações será a única grande competição entre seleções antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, adiados em um ano por causa da pandemia. No ano passado, o torneio foi um dos primeiros a serem cancelados diante do surto global do novo coronavírus.

Com a realização de duas partidas, começa nesta quarta-feira (13) a Copa Brasil masculina de vôlei. Assim, quatro dos oito melhores times abrem as disputas com as partidas de quartas de final. Os confrontos de hoje serão Vôlei Renata contra Vôlei UM Itapetininga, às 19h30 (horário de Brasília), e Minas Tênis Clube contra Azulim/Gabarito/Uberlândia, às 19h.

A competição é realizada em cruzamentos no sistema olímpico (1º contra 8º, 2º contra 7º, e assim por diante).

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O jogo entre Sada/Cruzeiro e Vedacit/Guarulhos, previsto para a próxima quinta-feira (14), aguarda uma nova data, pois o time da região metropolitana de São Paulo enfrenta um surto do novo coronavírus (covid-19), com quatro atletas infectados.

Na próxima sexta-feira (15) será a vez do confronto entre o EMS Taubaté Funvic e Apan/Eleva/Blumenau, às 19h. Inicialmente, a semifinal deve ocorrer no dia 22 de janeiro, e a grande decisão no dia seguinte, ambas em local a ser definido. O campeão da competição garantirá vaga no Sul-Americano de clubes e na Supercopa em 2021.

Competição feminina

Em reunião virtual realizada na última terça-feira (12), a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e os oito clubes participantes da Copa Brasil feminina de 2021 definiram a tabela da competição, e decidiram que a fase final do torneio será toda disputada no Centro de Desenvolvimento de Saquarema (RJ), em formato de bolha, para reduzir os riscos de contágio pelo novo coronavírus.

O torneio reúne os oito melhores colocados no primeiro turno da Superliga. Nas quartas de final, os quatro com melhor campanha jogam em casa. Todos os jogos estão marcados para a próxima terça-feira (19). Itambé/Minas e Pinheiros, na Arena Minas, às 19h. Sesc RJ Flamengo enfrenta Sesi Bauru, na Gávea, no mesmo horário. Dentil/Praia Clube e São Paulo/Barueri se enfrentam na Arena Praia às 19h30. Às 20h, Osasco/São Cristóvão Saúde e Curitiba fecham essa etapa da Copa jogando no José Liberatti, na região metropolitana de São Paulo.

As semifinais estão previstas para o dia 5 de fevereiro, em Saquarema. A grande decisão acontece no dia seguinte.

"Alvinho". Esse foi o apelido escolhido para distinguir Álvaro Magliano de Morais Filho de seu pai, que também se chama Álvaro. Além do nome, o filho herdou de seu genitor duas paixões: a vaquejada e o vôlei de praia. A primeira teve que ser abandonada. De tantos tombos que levou, sua mãe, Patrícia, assustada, "proibiu" o garoto de dar continuidade a tradição nordestina de derrubar bois com cavalos.

A segunda, por outro lado, ele pôde dar sequência. A permissão e o estímulo dos pais em um esporte menos violento, fez com que Álvaro se tornasse um dos melhores jogadores de vôlei de praia do Brasil. A vaquejada ficou em seu sangue. Hoje, ela é representada pelo chapéu de couro que ele usa sempre que sobe nos pódios.

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O paraibano forma dupla com o veterano Alison Cerutti - ouro no Rio-2016 e prata em Londres-2012 - há pouco mais de um ano. Nesse período, eles conquistaram a classificação para os Jogos de Tóquio-2020. Ambos encerraram o Circuito Mundial na primeira colocação no ranking nacional e em terceiro no ranking mundial. Mas a trajetória até a vaga olímpica não foi fácil. Quarenta e três posições foram conquistadas pela dupla brasileira, que entrou no circuito em 46.º lugar.

"Foi uma trajetória de superação", avaliou Álvaro, em entrevista ao Estadão. "Acredito que até hoje não tenha surgido em nossa modalidade, no Brasil, uma dupla que tenha se classificado nessas condições", acrescentou. No ditado popular, Álvaro e Alison "deram liga". Segundo Alvinho, ambos possuem muito em comum, dentro e fora das quadras. "Ele é um bloqueador nato. Joga pela esquerda. Eu sou defensor e atuo pela direita. Só isso já é meio caminho andado", ponderou o atleta.

"Vivemos um momento muito parecido fora das quadras também. Além de termos casado no mesmo ano, ele está prestes a ser pai. Eu me tornei há poucos meses. Meu filho, Dom, nasceu em outubro. Hoje o que mais converso com Alison é sobre fraldas", contou o jogador, aos risos.

Como visto, o laço paterno influenciou a vida de Álvaro. É por causa do pai, que o levava para jogar vôlei nas areias de João Pessoa, que ele chegou neste patamar. O atleta revelou que o esporte também fará parte da vida de seu filho, mas sem pressão. "O esporte traz muitas qualidades. Te ensina a ganhar e perder. Quero estimulá-lo a jogar, mas não como uma obrigação. Se ele quiser seguir outra profissão, que assim seja. O importante é fazer com amor e ser feliz", avaliou o jogador.

Classificada, a meta da dupla brasileira agora é outra: o ouro olímpico. "É nosso sonho. Nosso objetivo máximo", revelou Álvaro, que para atingir a nova ambição se inspira na dupla Ricardo e Emanuel, que juntos conquistaram a medalha de ouro nos Jogos de Atenas, em 2004. "Eles são minha referência".

O Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei absolveu nesta segunda-feira a jogadora de vôlei de praia Carol Solberg. A atleta havia sido advertida por ter gritado "Fora, Bolsonaro" durante entrevista ao vivo, na cerimônia de premiação da etapa de Saquarema (RJ) do Circuito Brasileiro do Vôlei de Praia, em setembro.

No julgamento na primeira instância, no dia 13 de outubro, Carol havia sido condenada por 3 votos a 2 com base no artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva - "deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição". Os auditores tinham aplicado multa de R$ 1 mil, convertida para advertência.

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Mas, nesta segunda, em novo julgamento, o Pleno do STJD derrubou a advertência pelo placar de 5 a 4. No início do julgamento, a jogadora de vôlei de praia chegou a estar perdendo por 3 a 0, antes de ser absolvida por maioria de votos.

"Foi uma virada espetacular", comemorou o advogado Leonardo Andreotti, ex-presidente do próprio STJD do Vôlei. Carol também foi defendida por Felipe Santa Cruz, atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "A decisão foi reformada e, portanto, não há nenhuma penalidade à atleta", completou Andreotti, em entrevista ao Estadão.

O julgamento estava marcado para começar às 14h30, mas um problema técnico atrasou o início da sessão para as 15 horas. Como aconteceu no julgamento da primeira instância, realizado pela 1ª Comissão Disciplinar do STJD, a sessão foi realizada online.

Os auditores Eduardo Affonso de Santis Mendes de Farias Mello, Célio Salim Thomaz Junior e Vantuil Gonçalves votaram a favor de manter a advertência. Porém, Gilmar Nascimento Teixeira votou pela absolvição de Carol e foi seguido por Milton Jordão, Raquel Lima, Tamoio Athayde Marcondes e Júlia Costa. O presidente do STJD, Alexandre Beck Monguillott, votou para manter a advertência quando a maioria a favor da atleta já estava formada (5 a 3).

"O julgamento de hoje no STJD do Voleibol, com os votos extremamente técnicos pela absolvição da atleta, escreve um novo capítulo no mundo do Direito Desportivo, e abre importante discussão acerca da compatibilização das normas públicas e privadas de natureza esportiva. O Brasil assume, com essa decisão, posição de verdadeira vanguarda no cenário internacional", disse Andreotti, à reportagem.

Depois de sofrer a advertência, Carol afirmou que se sentiu censurada pela decisão da primeira instância. O caso ganhou repercussão nacional e alimentou a discussão sobre declarações e manifestações de atletas sobre assuntos políticos e polêmicos durante eventos esportivos.

"Eu estava muito feliz de ter ganhado o bronze e, na hora de dar minha entrevista, apesar de toda alegria ali, não consegui não pensar em tudo o que está acontecendo no Brasil, todas as queimadas, a Amazônia, o Pantanal, as mortes por covid-19 e tudo mais, e meio veio um grito totalmente espontâneo de tristeza e indignação por tudo o que está acontecendo", disse Solberg, antes do julgamento, ao comentar suas declarações no evento do Circuito Brasileiro de vôlei de praia.

O julgamento de Carol Solberg foi envolvido em polêmicas desde a denúncia. Na primeira instância, houve até adiamento porque a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) pediram para participar do caso. O relator Robson Luiz Vieira rejeitou o "pedido de intervenção". As entidades recorreram, assim como Carol, mas não obtiveram êxito. Novamente, agora pelo Pleno, as partes não foram reconhecidas como "terceiro interessado".

O caso pode servir para balizar se os atletas podem se manifestar politicamente ou não e, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, existe a possibilidade de quebrar o "muro do silêncio" no esporte brasileiro quanto a protestos políticos e também sobre outros temas em um momento em que vários esportistas ao redor do mundo têm levantado a voz para combater preconceitos e se posicionado com veemência em defesa do direitos humanos. Exemplo disso são os protestos antirracistas no futebol, no basquete e no futebol americano.

Aos 37 anos, Mari está de volta ao vôlei de quadra para reforçar o time do Fluminense. O anúncio foi feito, nesta quarta-feira, nas redes sociais do clube das Laranjeiras. Campeã olímpica em Pequim/2008, a atleta teve curta passagem pelo vôlei de praia, quando formou dupla com a também medalhista de ouro olímpica Paula Pequeno.

"Já namorei o Fluminense outras vezes. Gosto muito do Hylmer e do clube também. Acredito que o time pode surpreender na Superliga. Temos meninas novas e jogadoras experientes, o que costuma ser uma boa mistura", afirmou Mari, que disputou pela última vez a Superliga, competição que já conquistou quatro vezes, na temporada 2016/2017, pelo Bauru.

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"Estamos muito felizes com a chegada da Mari. Ela é uma grande jogadora, campeã olímpica e vai agregar muito ao time. Esperamos que ela nos ajude muito na busca dos nossos objetivos", disse o técnico Hylmer Dias, que espera contar com a experiência do novo reforço ainda nesta semana.

João Mandarino, diretor executivo dos Esportes Olímpicos do Fluminense, prevê que a presença de Mari no clube possa ajudar a formar novas gerações de jogadoras. "A contratação da Mari também é importante para ajudar na formação das atletas oriundas das nossas divisões de base. Elas tiveram uma passagem vitoriosa pela base, mas ainda são inexperientes. Mari se unirá a outras atletas que já têm bagagem para que a gente possa mesclar experiência e juventude."

Mari soma pela seleção brasileira também o título nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara/2011 e quatro edições do Grand Prix. Em clubes, a atleta, de 1,88 metro de altura, soma quatro Superligas (Osasco 02/03, 03/04 e 04/05 e Rio de Janeiro 2010/2011), uma Liga Italiana e uma Supercopa da Itália, ambas pelo Scavolini Pesaro.

Carol Solberg vai tentar se livrar da advertência que sofreu semana passada por ter gritado "Fora, Bolsonaro" durante entrevista ao vivo após conquistar a medalha de bronze na primeira etapa do Circuito Nacional de vôlei de praia. A atleta entrou, nesta quarta-feira, com um recurso junto ao Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Carol é defendida pelos advogados Felipe Santa Cruz, atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e Leonardo Andreotti, ex-presidente do próprio STJD do Vôlei. O recurso não tem prazo para ser aceito ou julgado. A decisão do julgamento foi em primeira instância. A atleta foi liberada para jogar no último fim de semana, ao lado de sua parceira Talita.

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No depoimento, durante o julgamento, Carol afirmou não ter se arrependido do seu ato. "Eu estava em Saquarema jogando minha primeira etapa depois de tanto tempo sem jogar por causa da pandemia. Estava jogando terceiro lugar, tinha acabado de ganhar, estava muito, muito feliz de estar retornando ao pódio. Estava muito feliz de ter ganhado o bronze e, na hora de dar minha entrevista, apesar de toda alegria ali, não consegui não pensar em tudo o que está acontecendo no Brasil, todas as queimadas, a Amazônia, o Pantanal, as mortes por covid e tudo mais, e meio veio um grito totalmente espontâneo de tristeza e indignação por tudo o que está acontecendo."

Carol foi advertida, em sessão online, com base no artigo 191, "deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição". O julgamento em primeira instância foi realizado pela 1ª Comissão Disciplinar do STJD da CBV, formada pelos auditores votantes: Otacílio Soares de Araújo (presidente), Robson Luiz Vieira (vice), Gustavo Silveira, Rodrigo da Paz Ferreira Darbilly e Marcos Eduardo Bomfim.

A 1ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei decidiu absolver Carol Solberg por ter gritado "Fora, Bolsonaro" durante entrevista ao vivo, na cerimônia de premiação da etapa de Saquarema (RJ) do Circuito Brasileiro do Vôlei de Praia, no mês passado e aplicou apenas uma multa de R$ 1 mil, convertida para advertência, à jogadora. A atleta, assim, escapou de uma punição pesada. O julgamento foi realizado de forma virtual no início da tarde desta terça-feira.

Carol recebeu a pena mais branda. Ela foi condenada por 3 votos a 2 com base no artigo 191. A maioria dos auditores do STJD entendeu que ela violou o artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), mas considerou não ser procedente o artigo 258. Os artigos foram utilizados pelo subprocurador Wagner Vieira Dantas para denunciar a atleta.

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Pelo artigo 191 - "deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição" - ela recebeu multa de R$ 1 mil, convertida em advertência. A jogadora escapou de punição com base no artigo 258 - "assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código à atitude antidesportiva" - a atleta poderia ser vetada de uma a seis partidas, além de levar suspensão de 15 a 180 dias.

A advertência serve como um "puxão de orelha", segundo o presidente da comissão, Otacílio Soares de Araújo, responsável pelo último voto. "Se ela repetir, pode ser punida de uma forma pior", avisou. "Você não está ali para se manifestar de forma politicamente ou religiosamente. A gente, no passado, todo mundo lembra que quando um atleta fazia o gol ele mostrava alô mamãe, alô papai. Isso foi banido. Por que? Por que não é o momento adequado. A atleta pode falar a vontade nas redes sociais dela, que ninguém vai falar nela. Mas se ela for nas redes sociais dela e falar mal do tribunal, ela pode ser denunciada", justificou.

Além de Otacílio, também votaram no julgamento os auditores Robson Luiz Vieira, Gustavo Silveira, Rodrigo da Paz Ferreira Darbilly e Marcos Eduardo Bomfim. Carol foi defendida pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, que aceitou o convite da mãe da atleta, a ex-jogadora Isabel Salgado, e pelo advogado Leonardo Andreott, ex-presidente do próprio STJD do vôlei.

Foi debatido na sessão online o local da manifestação e não o direito de se manifestar. Para a maioria dos auditores, o campo de jogo não é um lugar adequado para protestos. Ainda assim, apenas a pena de R$ 1 mil, transformada em advertência, foi aplicada para Carol, com o objetivo de ser uma medida "educativa".

Os auditores julgaram que ela descumpriu o item 3.3 de um termo do regulamento do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia. Esse artigo, em documento assinado por Carol, afirma que: "O jogador se compromete a não divulgar, através dos meios de comunicações, sua opinião pessoal ou informação que reflita críticas ou possa, direta ou indiretamente, prejudicar ou denegrir a imagem da CBV e/ou os patrocinadores e parceiros comerciais das competições".

Durante o julgamento, realizado remotamente e que durou cerca de duas horas, Carol reiterou que não ofendeu a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e os patrocinadores da entidade, defendeu a liberdade de expressão e que os jogadores possam se manifestar em qualquer lugar e ocasião, incluindo as arenas, lembrou do apoio de Wallace e Maurício Souza ao então candidato à presidência Jair Bolsonaro, em 2018, assegurou que não se arrepende do que fez e reforçou sua posição contrária ao governo federal.

"Eu tinha acabado de ganhar o bronze e estava muito feliz de retornar ao pódio. E na hora de dar minha entrevista, apesar de toda a minha alegria de estar ali, não consegui não pensar em tudo o que está acontecendo no Brasil, as queimadas na Amazônia, no Pantanal, as morte pela covid-19", justificou a jogadora. "Me veio um grito totalmente espontâneo, de tristeza e indignação por tudo o que está acontecendo", emendou.

"Não me arrependo, de nenhuma maneira. Só manifestei minha opinião, acredito na minha liberdade de expressão, da mesma forma que os jogadores do vôlei de quadra (Wallace e Maurício) se manifestaram com uma opinião diferente da minha em outra ocasião. "Eu não ofendi nem a CBV nem o Banco do Brasil. So manifestei minha opinião contra o governo", completou.

Com a decisão, a atleta está liberada para participar ao lado de sua parceira Talita da próxima etapa do Circuito Brasileiro, marcada para sexta-feira, dentro da "bolha" da CBV, em Saquarema.

O julgamento foi envolto em polêmicas, gerou muita repercussão e sofreu um adiamento porque a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) pediram para participar do caso. O relator Robson Luiz Vieira rejeitou o "pedido de intervenção" e o julgamento aconteceu uma semana depois da data inicialmente estipulada.

O caso pode servir para balizar se os atletas podem se manifestar politicamente ou não e, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, existe a possibilidade de quebrar o "muro do silêncio" no esporte brasileiro quanto a protestos políticos e também sobre outros temas em um momento em que vários esportistas ao redor do mundo têm levantado a voz para combater preconceitos e se posicionado com veemencia em defesa do direitos humanos. Exemplo disso são os protestos antirracistas no futebol, no basquete e no futebol americano.

Wagner Vieira Dantas, subprocurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do voleibol, responsável por denunciar Carol Solberg por ter gritado "fora, Bolsonaro", explicou por que denunciou a jogadora de vôlei de praia. Em entrevista ao Estadão, ele afirmou entender que ela descumpriu uma regra do campeonato ao se manifestar no campo de jogo e também confessou ser alinhado ao posicionamento político e ideológico da atleta. O advogado se declara antifascista e, nas redes sociais, compartilha publicações contra o governo e a favor da democracia.

"A denúncia se deu pelo fato do descumprimento de uma regra do campeonato. Ela (Carol Solberg) assinou o regulamento da competição, que diz que não poderia fazer qualquer tipo de manifestação na arena de jogo. Há uma cláusula escrita, muito clara, que fala sobre isso. O caso foi distribuído na procuradoria e eu fui sorteado para pedir a denúncia ou fazer o arquivamento dos autos. Não questiono o que ela falou, mas o momento, o lugar de fala dela, que atesta contra o regulamento. E como o artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê punição nesses casos, não restou outra alternativa que não fazer uma denúncia. A questão está estritamente vinculada à regra da competição", frisou o subprocurador.

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Dantas revelou que tem o mesmo posicionamento político que Carol, isto é, contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro, mas ressaltou que, na sua visão, seria errado não denunciar a atleta pelo seu protesto durante entrevista ao vivo para o SporTV, no dia 20 de setembro, após conquistar a medalha de bronze no Circuito Brasileiro de vôlei de praia. Na ocasião, a jogadora pegou o microfone e disparou: "Fora, Bolsonaro".

"É um fato que eu estou inserido no mesmo espectro político ou no mesmo nível de crítica que uma atleta como a Carol tem. Eu comungo da mesma opinião política dela. Mas nós temos que saber separar as coisas. O outro fato é que eu sou um subprocurador geral de Justiça e eu tenho uma obrigação pera a instituição e a sociedade. Chegou a mim um caso, eu posso estar errado, mas na minha concepção, no meu juízo de valor pessoal, acho que ali tem um ato indisciplinar", salientou Dantas.

"O fato de eu simpatizar pela concepção política e filosófica da Carol não pode tirar a minha obrigação de fazer a denúncia. Se eu estiver fazendo isso eu vou estar repetir o bom e velho compadrio tradicional político de benefícios. Então, eu achei por bem cumprir minha obrigação", completou.

O subprocurador geral do STJD publicou uma foto em seu perfil no Facebook em que aparece usando uma máscara preta com os mesmos dizeres que bradou Carol: "Fora, Bolsonaro". Também assinou o "manifesto dos advogados antifascistas pela democracia", documento que reuniu mais de 100 assinaturas, e faz parte do grupo "Amigos da Democracia". Ativo nas redes sociais, ele compartilha com frequência suas ideias e posições. Foi contra, por exemplo, o processo que culminou com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018. "A democracia está em ataque faz tempo. Sempre que posso eu procuro defendê-la", ressaltou.

DENÚNCIA - A denúncia de Carol é baseada em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o 191, "deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição", e o 258, por "assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código à atitude antidesportiva". Pelo artigo 191, ela pode ser multada entre R$ 100,00 e R$ 100 mil ou receber advertência. Já o artigo 258 prevê veto de uma a seis partidas, suspensão de 15 a 180 dias ou advertência. Carol ainda não se manifestou sobre a decisão do STJD.

Ainda não há data definida para o julgamento de Carol Solberg. Certo é que, no caso, ela será defendida perante o STJD pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, que aceitou o convite da mãe da jogadora, a ex-atleta Isabel Salgado.

Ao Estadão, Carol disse que "esse papo de que não se deve misturar esporte e política não dá mais". Após o grito durante a entrevista no dia 20, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e a Comissão de Atletas de Vôlei repudiaram a manifestação política da jogadora. Diversos atletas, porém, saíram em defesa de Carol, como a jogadora Fabiana, que ainda lembrou que a nota da entidade continha a palavra de cunho racista "denegrir".

Desde o episódio, Carol passou a sofrer ameaças e foi alvo de fake news. Perfis bolsonaristas iniciaram uma campanha para que o Banco do Brasil deixasse de patrocinar a atleta, mas ela não tem apoio financeiro da instituição e usava um uniforme com logomarca do BB porque a CBV, organizadora do circuito, recebe aporte do banco estatal.

O Campeonato Paulista de vôlei feminino começa nesta quarta-feira (23). O primeiro jogo da competição será entre Osasco São Cristóvão Saúde e São Caetano, às 20 horas, no ginásio José Liberatti, em Osasco (SP). Devido à pandemia do novo coronavírus, não será permitida a entrada de torcedores no local.

Sem disputar uma partida oficial desde março, Osasco teve apenas um mês para preparar as suas jogadoras. Forte candidata ao título, a equipe retorna às quadras sabendo que terá de lidar com a falta de ritmo de jogo, mas vê o adversário na mesma situação. "Não estamos 100% porque voltamos faz pouco tempo. O Osasco tinha um planejamento para o time retornar com calma e seguindo todos os protocolos, mas as coisas foram atropeladas por causa do Paulista", contou a levantadora Roberta Ratzake em entrevista ao Estadão.

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"Apesar de todos os imprevistos, o clube conseguiu respeitar a volta de cada jogadora. Já conseguimos evoluir, mas a questão de jogo terá de ser durante o campeonato. Vamos sofrer, mas isso não vai acontecer apenas com a gente. Todos os outros times vão passar por isso", explicou Roberta, que também avalia o retorno como um ótimo teste para o time.

Com a renovação da base, a ponteira Jaque, a central Bia e a líbero Camila Brait, além do retorno da oposto Tandara, Renata acredita que a equipe do Osasco vai apresentar mudanças em relação à temporada passada. "Vejo um time diferente e acredito que manter uma base é algo valioso. Elas são jogadoras mais experientes e a Tandara chega pronta para agregar. Temos tudo para dar certo e estamos trabalhando muito para isso. Queremos um time diferente do ano passado".

O técnico Luizomar de Moura também concorda com a jogadora. "Formamos uma equipe bastante equilibrada e coerente, com atletas talentosas, experientes e que estão adaptadas com nosso método de trabalho, agregando a força de Tandara e o potencial de jovens jogadoras que chegam com muita disposição de crescer e sentir o que é vestir a camisa de Osasco", afirmou.

A diferença não estará apenas em quadra. As jogadoras também precisam lidar com a falta de apoio nas arquibancadas. Segundo a levantadora, "a torcida apaixonada vai fazer muita falta". "Não estamos acostumadas a jogar em um ginásio vazio e sabemos que em grandes momentos do jogo é a torcida que coloca a gente pra cima. Não poder contar com eles é difícil, mas não temos o que falar. Eles estão sempre nos apoiando", disse. Como prova da paixão, os fãs do Osasco fizeram questão de colocar frases e bandeiras no ginásio da equipe.

DISPUTA - O Campeonato Paulista vai contar com seis equipes na briga pelo título: São Paulo F.C. Barueri, Rena Country Club Valinhos, Osasco São Cristóvão Saúde, São Caetano, Sesi Vôlei Bauru e Pinheiros. A disputa será em turno único e todos os times vão se enfrentar na primeira fase. Os quatro melhores se classificam para a semifinal, que será disputada em dois jogos. A grande decisão será no mesmo sistema.

A jogadora de vôlei de Praia Carol Solberg usou sua conta no Instagram para comentar o episódio em que gritou "Fora, Bolsonaro" em entrevista ao SporTV após partida. A manifestação da atleta gerou uma nota de repúdio da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

No seu texto, Solberg elenca uma série de motivos para o seu grito contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), entre eles, a situação do pantanal e da Amazônia, a política contra os povos indígenas e por acreditar que muitas mortes poderiam ter sido evitadas durante a pandemia se não houve descaso das autoridades e falta de respeito à ciência. Ela também critica o presidente por já ter dito que racismo "é algo raro no Brasil".

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"São muitos absurdos e mentiras que nos acostumamos a ouvir, dia após dia. Não posso entrar em quadra como se isso tudo me fosse alheio", disse Solberg. "Vivemos em uma democracia e temos o direito de nos manifestar e de gritar nossa indignação com esse governo", acrescentou.

Na nota de repúdio, a CBV afirmou que "tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem a ser praticados". A confederação também disse que a etapa do CBVP Open 2020/2021 foi manchada por um ato totalmente impensado.

Após a repercussão, Solberg destacou que a postura da CBV no seu caso foi diferente do episódio com o atleta Wallace. Em 2018, ele e Maurício Souza fizeram com os dedos o número 17, do então candidato Jair Bolsonaro, em uma foto durante disputa do Campeonato Mundial de vôlei de quadra. A foto foi publicada na conta oficial da CBV. Posteriormente, a organização removeu a imagem e escreveu uma nota afirmando que não compactuava com manifestação política, mas acreditava na liberdade de expressão.

Na segunda-feira (21), a Comissão Nacional de Atletas de Vôlei de Praia também fez uma nota de repúdio contra a jogadora. A mensagem assinada pelo ex-atleta Emanuel Rego ressalta que a comissão "lutará ao máximo para que esse tipo de situação não aconteça novamente".

Bicampeã olímpica pela seleção brasileira, a central Fabiana criticou nesta segunda-feira a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) por ter condenado a atitude de Carol Solberg ao fim da primeira etapa do Circuito Brasileiro de vôlei de praia, em Saquarema (RJ). Após receber a medalha de bronze, Carol gritou "Fora, Bolsonaro" em entrevista ao vivo para o canal SporTV.

"Vivemos (ainda) em um país DEMOCRÁTICO, onde atletas ou qualquer ser humano pode expressar suas convicções, desde que elas não sejam ofensivas, criminosas ou que faltem com respeito. Temos que ter muito cuidado com a censura ou flerte com a volta dela, precisamos estar atentos aos nossos direitos enquanto cidadãos. Portanto, não foi muito feliz a nota escrita pela CBV", disse Fabiana, pelas redes sociais.

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A nota criticada pela jogadora foi publicada pela entidade poucas horas depois da manifestação de Carol Solberg. "O ato praticado pela atleta Carol Solberg durante a entrevista ocorrida ao fim da disputa de 3º e 4º lugar da primeira etapa do Circuito Brasileiro Open de Volei de Praia - Temporada 2020/2021, em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar. Aproveitamos ainda para demonstrar toda nossa tristeza e insatisfação, tendo em vista que essa primeira etapa do CBVP OPEN 2020/2021, considerada um marco no retorno das competições dos esportes olímpicos, por tamanha importância, não poderia ser manchada por um ato totalmente impensado praticado pela referida atleta", registrou a CBV.

Fabiana também criticou a expressão "denegrir" utilizada no fim da nota. "Por fim, a CBV gostaria de destacar que tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem mais a ser praticados."

"Denegrir é uma palavra de cunho racista e JAMAIS deveria ser usado em qualquer situação. Estamos lutando dia após dia contra atos racistas, fazendo campanhas educativas e protestos, então seria ótimo repensar o uso de certos termos. Com isso já deixo a dica de além de denegrir não usem 'lista negra', 'mulata', 'mercado negro', 'a coisa tá preta', 'serviço de preto', entre outras mais", disse a jogadora.

"Eu como atleta preta, que muito conquistei e representei esse país em todo mundo, não posso me calar diante das coisas que vejo. Sempre vou apoiar a democracia, as liberdades individuais e especialmente todo apoio a causa contra o racismo estrutural e diário que ainda insistimos em conviver achando "normal". #blacklivesmatter #vidaspretasimportam #liberdade."

Nesta segunda, a polêmica foi ampliada por nota emitida pela Comissão Nacional de Atletas do Vôlei de Praia, que também repudiou as declarações de Carol Solberg. "A Comissão Nacional de Atletas vem, através desta, ressaltar que não é favorável a nenhum tipo de manifestação de cunho político em competições esportivas. Por isso, a mesma lamenta o ato realizado pela atleta Carol Solberg neste domingo (20.09) - em jogo válido pela primeira etapa do Circuito Brasileiro Open de Vôlei de praia temporada 2020/21 - e lutaremos ao máximo para que esse tipo de situação não aconteça novamente", disse a comissão liderada por Emanuel Rego, ex-jogador de vôlei de praia e candidato a vice-presidente ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), na chapa liderada por Rafael Westrupp, atual presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

Após a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) desaprovar a atitude de Carol Solberg – que fez protesto contra o presidente Bolsonaro em transmissão de competição – a Comissão Nacional de Atletas de Vôlei de Praia também criticou a jogadora e prometeu que lutará para que “manifestações de cunho político” não voltem a ocorrer.

Após conquistar a medalha de bronze no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, em Saquarema, no Rio de Janeiro, a jogadora Carol Solberg, que forma dupla com Talita, fez um protesto político. Durante entrevista ao canal SportTV, neste domingo (20), a brasileira disse: “Só para eu não esquecer, fora Bolsonaro”.

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Presidida pelo ex-jogador e campeão olímpico, Emanuel Schaffer, a comissão emitiu a nota ressaltando que não é favorável a nenhum tipo de manifestação de cunho político e que lamenta o ato de Carol Solberg.

A nota só não esclarece se manifestações antirracistas estariam nessa definição de “manifestação de cunho político”. No mundo inteiro, inclusive no Brasil, já houveram manifestações em outras modalides, com destaque para os jogadores da NBA e para o piloto Lewis Hamilton, da Fórmula 1.

Confira a nota:

Após conquistar a medalha de bronze no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, em Saquarema, no Rio de Janeiro, a jogadora Carol Solberg, que forma dupla com Talita, fez um protesto político. Durante entrevista ao canal SportTV, neste domingo (20), a brasileira disse: “Só para eu não esquecer, fora, Bolsonaro!”.

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O vídeo da entrevista foi bastante repercutido neste domingo. Ao blog ‘Olhar Olímpico, do UOL, Carol deu mais detalhes sobre o protesto. "O 'fora, Bolsonaro' está engasgado aqui na garganta. Ver esse desgoverno dessa forma, ver o pantanal queimando, 140 mil mortes e a gente encarando a pandemia desse jeito. É isso. Tá engasgado esse grito. E me sinto, como atleta, na obrigação de me posicionar”, argumentou.

O Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia foi vencido pela dupla Ana Patrícia e Rebecca, que derrotou Ágatha e Duda por 3 sets a 0. Carol e Talita venceram Josi e Juliana por 2 sets a 0.

A data de 27 de junho é lembrada como o Dia Nacional do Vôlei. Instituída pelo Ministério dos Esportes em meados da década de 1990, o dia é reservado para celebrar as diversas conquistas da seleção brasileira da modalidade em competições internacionais. Respeitado pela tradição no esporte, o Brasil tem mais de 130 títulos em disputas oficiais femininas e masculinas. Tamanha quantidade de conquistas inspirou atletas e o voleibol passou a ser o segundo esporte mais praticado no Brasil. Um levantamento apresentado pelo portal Terra há pouco mais de dois anos mostra que 15 milhões de pessoas escolhem a modalidade como preferida.

Apaixonada pelo vôlei desde criança, a aposentada Rosemeire Furlanetto, 56 anos, é uma das que não dispensa o jogo durante o tempo livre. "Há sete anos, um amigo montou um time feminino e nos levou para jogar no clube da Mercedes em São Bernardo do Campo, de lá pra cá não parei mais", conta ela, que voltou às quadras para atuar com as duas filhas, no começo dos anos 2000. "Jogávamos aos domingos em uma escola de bairro. Não tem preço quando no meio do jogo elas gritam 'vai mãe!'", diverte-se.

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A aposentada Rosemeire Furlanetto | Foto: Arquivo Pessoal

Com a pandemia e interrupção das atividades esportivas, a atleta amadora não vê a hora de retornar. "Amo tanto o vôlei que jogo em três times diferentes [Athenas, ADV e Nitro/Metrô], jogo misto [mulheres e homens] às segundas-feiras, participo de campeonatos em vários clubes e não pretendo parar tão cedo", enfatiza Rosemeire.

O empresário e economista José Raimundo de Oliveira, 48 anos, é mais um adepto do esporte. Encantado pela "Geração de Prata" (seleção brasileira que tinha nomes como Bernard, Montanaro, Bernardinho, William e Renan nos anos 1980), ele pratica vôlei desde quando era estudante, e chegou a treinar em um dos clubes mais tradicionais da modalidade na década de 1990, o Banespa. "Fomos vice-campeões da Copa Dan’Up pela Escola Estadual José Marques da Cruz e depois de uma peneira no Ibirapuera, fui treinar no Banespa", relata o economista.

Para ele, a magia do esporte não está apenas na disputa. "O vôlei, como outros esportes, é um imã para amizades e é, sem duvida, uma terapia social, além de ser uma das modalidades mais respeitosas, cordiais e inclusiva", comenta. O entusiasmo de Oliveira vai além da paixão por estar nas quadras distribuindo toques e cortadas. Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o empresário viu de perto a terceira medalha de ouro do time masculino do Brasil na história. "Acompanho muito a seleção brasileira e tive o prazer de ver a medalha de ouro ao vivo em 2016", recorda.

O diretor de arte e produtor musical Ricardo Batista | Foto: Arquivo Pessoal

Já o diretor de arte e produtor musical Ricardo Batista, 43 anos, divide a atividade profissional com o tempo disponível para o volei. "Em uma semana cheia, bato bola às segundas em um colégio, quartas na Associação Atlética Banco do Brasil [AABB/SP], sábados no vôlei de rua e domingo no Holiday, time que existe há 30 anos e foi o primeiro time que treinei aos 16 anos", conta. Fã de ícones como Marcelo Negrão, campeão olímpico na primeira medalha de ouro da seleção masculina do Brasil, Batista segue os torneios nacionais e se espanta com o desenvolvimento físico dos atletas da atualidade. "Gosto de acompanhar a Super-Liga Masculina e a evolução é absurda. Tenho 1,93 m e era considerado um garoto alto, mas sou pequeno para os padrões de hoje", analisa o atleta amador.

Há cerca de uma década ininterrupta praticando a modalidade, o produtor musical tem mantido a forma com o próprio time em treinamentos feitos a distância, mas sente falta das quadras. "Está sendo muito difícil, a distância dos amigos e de bater bola, mas estamos nos falando por grupos de WhatsApp e fazendo treinos físicos remotos", lamenta. Apesar de não ser um jogo de contato físico, Batista alega estar saudoso até das pequenas confusões em disputa. "Sempre dá aquela esquentada, existe aquela disputa sadia pela vitória e acertar uma bolada no amigo também é bem bacana para tirar um sarro", complementa.

A crise no esporte provocada pela pandemia do novo coronavírus tem afetado cada vez mais as modalidades, que já passavam por momentos de incerteza após a queda de investimento depois dos Jogos Olímpicos do Rio. O vôlei teve a Superliga interrompida antes do fim e muitos atletas ficaram sem contrato após o fim do vínculo com os clubes.

O problema atinge, inclusive, campeões olímpicos de 2016, que apesar de terem um ouro no currículo, vivem um momento de grande insegurança. Muitos times nem sequer sabem quando poderão retomar as atividades. Até por isso, esses profissionais estão de olho em clubes de fora do País e investem em outras áreas na expectativa de a situação econômica melhorar.

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Evandro, campeão com a seleção brasileira nos Jogos do Rio, se despediu do Sada Cruzeiro em maio, após quatro temporadas. Aguardando novas propostas, ele lançou uma marca de roupas em conjunto com a namorada, Bruna Lecardeli, e aposta nos estudos durante a quarentena.

"O mercado do vôlei não está igual aos outros anos. Ele está bem complicado. Alguns jogadores já fecharam novos contratos, mas grande parte segue sem clube. É difícil estar sem time até agora. Fico preocupado, sem saber o que fazer. Em compensação, estou tentando investir em outras áreas", contou em entrevista ao Estadão.

"Precisamos esperar para ver como o mercado vai reagir lá na frente. Mas estou seguindo em frente. Até abri a marca de roupas Eight BE e consigo dar bastante atenção para esse novo investimento. Também procuro focar nos estudos, realizar palestras, estudar o Instagram...Está bem interessante essa parte. Já o lado profissional, apesar de ser um campeão olímpico e um bom jogador, está bem complicado", lamentou Evandro.

No mesmo cenário está o técnico Rubinho, que comandava o Sesi-SP e foi auxiliar de Bernardinho na conquista olímpica de 2016. O clube não renovou os contratos do elenco profissional e ele acabou ficando sem um time para comandar. Portanto, também busca uma nova oportunidade no mercado. Até lá, o treinador está aproveitando o tempo livre para realizar encontros online com colegas de profissão, lives e também ministrar o curso nacional de treinadores junto à Federação Mineira de Voleibol.

"Estou afastado do Sesi desde maio. Antes, eles me avisaram que eu não ficaria na equipe em função dos problemas financeiros e reajustes que a instituição teria de fazer. Agora estou aguardando uma chance fora do Brasil. Não que eu queria sair daqui, mas acho que vou ter uma oportunidade melhor. Tenho um procurador que está analisando algumas negociações mais diretas. O importante é não desanimar", diz Rubinho.

Para ele, "existe um pouco mais de perspectiva fora do País". "Para quem está buscando uma nova oportunidade na carreira, o melhor cenário está fora do Brasil. Lá as coisas estão um pouco mais avançadas, já que eles tiveram a pandemia um pouco antes da gente."

Assim como Rubinho, o campeão olímpico Éder também percebeu que as melhores oportunidades para os atletas brasileiros estão surgindo em times estrangeiros. O central também se despediu do Sesi, mas assinou contrato com uma equipe alemã.

"O vôlei foi amplamente afetado pela pandemia. Hoje as pessoas estão pensando no seu bem-estar e o esporte acaba sendo voltado mais para a área do lazer das pessoas. Então, acaba não sendo uma prioridade e é o correto. Só que por outro lado, o vôlei já vinha com bastante dificuldade aqui no Brasil em função da crise. Tivemos bons campeonatos nos últimos anos, mas a Superliga não tinha mais o equilíbrio de bons times", diz o jogador.

"Acredito que o vôlei vai ter bastante dificuldade no próximo ano. É um momento para rever os nossos conceitos no Brasil e aproveitar essa crise como uma oportunidade para recomeçar de uma forma melhor. Ter mais projeção e visibilidade", continua. Apesar de ser campeão olímpico, Éder destaca que não foi fácil achar uma nova equipe. "Eu não arrumei um clube rápido e estava preocupado com a situação porque o tempo estava passando. Foi bem difícil. Todos estão passando por isso, por essa dificuldade, em razão dessa crise no Brasil. Estamos vendo muitos jogadores indo para o exterior justamente por esses fatores".

Apesar de acreditar que o vôlei terá de enfrentar mudanças após a crise, o levantador William, companheiro de Éder no Sesi, espera continuar no Brasil com o objetivo de fortalecer a modalidade no País. "Essa é a minha intenção", afirma o atleta, que está próximo de anunciar o seu novo clube.

"Ainda não fechei com nenhum time. Os clubes estão voltando aos poucos e os atletas dependem dessa reabertura para poder avançar numa negociação. Por esse motivo eu ainda não tenho nada concreto, apenas conversas prévias, até porque essas conversas já existiam, mas com todo esse cenário novo por causa da pandemia as coisas pararam e estão sendo retomadas aos poucos", explica.

Questionado sobre a possibilidade de não conseguir uma equipe e precisar sair do Brasil, William revela não ter receio. "Isso não passou pela minha cabeça. Talvez o Brasil esteja sofrendo um pouco mais e opções fora do País existem e são concretas, mas a minha ideia ainda é permanecer aqui", conta.

"Não é só o vôlei que está vivendo uma situação complicada, mas o esporte no geral e até outras áreas por causa da pandemia. Acredito que teremos de nos adaptar a uma nova realidade, entender o cenário e ver quais vão ser as medidas a serem tomadas de precaução para que o esporte possa voltar com segurança. Não sei se normalmente, mas da melhor maneira possível e atrativo como sempre foi", completa William.

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