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Nesta quinta-feira (2), a pintura realizada pelo artista Michelangelo (1475-1564), no teto da Capela Sistina completa 509 anos. A pintura se consagrou como uma das maiores obras de artes da Alta Renascença (1480-1520) e foi concebida entre 1508 a 1512, por meio de uma técnica conhecida como pintura a fresco.

A obra foi encomendada pelo Papa Júlio II (1443-1513) e conta a história do mundo, desde a sua criação até o juízo final. As figuras presentes no teto não só mostram o talento de Michelangelo para com a pintura, mas também destacam seu elevado conhecimento da anatomia humana.

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O publicitário e professor de História da Arte nos cursos de Comunicação Social da Universidade Guarulhos (UNG), José Eduardo Paraiso Razuk, lembra que nesta época, os estudos sobre anatomia eram proibidos e, que de maneira subliminar, muitos analisam as pinturas da Capela Sistina como uma verdadeira aula de anatomia. “O mais fácil de perceber é o momento que mostra Deus concebendo Adão, já que Deus aparece rodeado de uma figura vermelha, onde podemos identificar que se trata de um cérebro dissecado”, exemplifica.

Segundo Razuk, essa relação entre o sagrado com os estudos anatômicos ocorre pois Michelangelo era um humanista. “Embora não possamos falar que ele era o maior pintor da Renascença, não existem dúvidas de que a obra da Capela Sistina é fantástica”, afirma.

Vale destacar que a pintura ilustra e adapta diversas histórias bíblicas, como os momentos do dilúvio protagonizados pelo herói Noé e sua arca; a história de criação e perdição de Adão e Eva; e a concepção do mundo, pelas mãos de Deus, como é visto no livro do Génesis.

Para além da pintura da Capela Sistina

Michelangelo foi um artista que deixou sua marca, não apenas como pintor, mas também como escultor. “Ao lado de Leonardo da Vinci (1452-1519), o Michelangelo foi o maior representante daquilo que foi o Renascimento nas artes”, afirma Razuk.

O professor universitário destaca que Michelangelo trouxe para o mundo das artes características como racionalidade, valorização de cultura clássica, rigores científicos, espírito crítico e o antropocentrismo (um conceito que coloca a humanidade no centro do universo). “Para ele, o que interessa não é ideia de Deus no centro, como visto no teocentrismo, e sim, uma ideia humanista”, explica Razuk.

Entre outras obras concebidas por Michelangelo, Razuk destaca as famosas esculturas “Davi” (1504); “Moisés” (1515); e a Pietà (1499), que mostra a figura de Jesus Cristo morto, no colo de Nossa Senhora. “Acredito que precisamos colocar essas três esculturas no mesmo plano, mas é importante lembrar que ele fez muitas outras”, finaliza.

Um dos primeiros elementos que o público encontrará no Museu Judaico de São Paulo (MUJ)- a ser inaugurado no domingo, na região central - será a pergunta "O que é ser judeu?". A resposta estará ao redor, com depoimento de judeus brasileiros de diferentes origens, vivências, idades, classes sociais, cores e identidades de gênero. A ideia é mostrar a pluralidade da comunidade a todos, especialmente aos que pouco a conhecem. "O que queremos mostrar é que a cultura judaica, como outras, é plural dentro de si mesma", explica o diretor-geral do museu, Felipe Arruda. Essa é uma das facetas do novo espaço, idealizado há 20 anos. O MUJ fica anexo à sinagoga Bet-El, na Rua Avanhandava.

A abertura contará com quatro exposições. Entre elas, um acervo histórico de relíquias doadas por famílias e instituições judaicas ao longo de décadas - como o Diário de Lore, escrito por uma menina de 13 anos durante o nazismo e obras de arte contemporânea relacionadas ao tema "palavra", incluindo as de autoria de Arthur Bispo do Rosário e Arnaldo Antunes.

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O museu está na antiga sinagoga Beth-El, de 1928, restaurada com as características originais e que ganhou um anexo de arquitetura contemporânea, envidraçado e com vista para a Avenida 9 de Julho. Embora sede de um antigo templo religioso, o MUJ não receberá cultos e manterá uma programação sociocultural diversa.

RITUAIS E VALORES

"É um museu que apresenta a cultura judaica, seus rituais, festas, valores, crenças", descreve Arruda. "Me convidaram justamente querendo que o museu atinja para além da comunidade judaica", justifica ele, que não é judeu. A proposta é cruzar a história desse povo com a colonização brasileira. As exposições temporárias são A Vida Judaica, sobre costumes e ritos, e Judeus no Brasil: Histórias Trançadas, que aborda os diferentes períodos migratórios para pontos distintos do País, desde a colonização. "Tem capítulos que o público em geral não conhece tanto, como a presença de judeus na Amazônia", destaca Arruda. "E mostra a resistência dos judeus para manter as suas crenças e costumes."

O holocausto é abordado em uma seção específica. Entre os itens expostos está o citado Diário de Lore, cujas 28 páginas foram escritas em francês e alemão por uma menina na Bélgica ocupada por nazistas, de 1941 a 1942. "Remete um pouco ao Diário de Anne Frank, de uma menina relatando como amigos foram desaparecendo, até ela própria deixar de escrever (por ser enviada a um campo de concentração)", comenta o diretor.

O período atual também terá seu espaço. "Tem uma peça, por exemplo, que fala sobre o judaísmo em dez questões, o que inclui contemporâneas, como o casamento homossexual e mulheres rabinas. Questões do nosso tempo que atravessam essa cultura", exemplifica. Há também referências a obras de artistas judeus, como Deborah Colker e Noemi Jaffe, por exemplo.

O acervo é composto por doações reunidas a partir dos anos 1970 (então por professores ligados à USP), e cujos números (1 milhão de páginas de documentos e 100 mil fotos, por exemplo) continuam crescendo mês a mês. Entre as peças, há o relógio escondido na sola do sapato durante o nazismo por um sobrevivente de campo de concentração radicado no Brasil. "As histórias por trás desses objetos são valiosas, também do ponto de vista afetivo", diz Arruda.

Há, ainda, as mostras temporárias Inquisição e Cristãos-novos no Brasil: 300 Anos de Resistência, sobre os cristãos-novos (judeus obrigados a se converterem ao cristianismo) chegados a terras brasileiras séculos atrás, e Da Letra à Palavra, que explora a relação entre a arte e a palavra, com obras de 32 artistas brasileiros contemporâneos.

NÃO JUDEUS

Esta última propõe atividades "entrelaçadas" com a cultura judaica, mas sem uma relação direta e reúne autores também não judeus. "É um projeto mais amplo. A palavra, o texto, é um elemento fundante na cultura judaica. Nos rituais de iniciação (como o bar mitzvá), a capacidade de ler um texto é visto como um dos elementos que tornam a pessoa adulta", cita o diretor.

No geral, as exposições reunirão recursos em diferentes formatos - objetos, vídeos interativos, reproduções sonoras -, incluindo acessibilidade em libras, audiodescrição e Braille. Para 2022, o museu prepara novidades, como a transferência integral do acervo para o local. A programação também deve se expandir, com um festival de cinema de humor judaico e uma festa literária".

Mais adiante, a expansão também chegará a um edifício vizinho, na Rua Avanhandava, cujo auditório foi comprado pelo museu e precisa ainda passar por reformas. A ideia é que receba futuramente palestras, shows, cursos e outras atividades.

O museu inclui ainda uma cafeteria, uma loja e uma biblioteca com temática judaica. O ingresso tem o valor sugerido de R$ 20, mas a bilheteria digital fornece desde entradas gratuitas até no valor de R$ 80. Há também a possibilidade de agendamento de visitas guiadas, incluindo teatralizadas e para escolas.

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"Tapetes do Oriente: A Magia da Arte Milenar” é o nome da exposição aberta em Belém na sexta-feira (26),  no espaço Do It Coworking, com apresentação de 50 peças, incluindo os famosos tapetes persas, feitos à mão por artesãos de várias regiões do oriente. Belém é a primeira capital a receber a exposição, um projeto que pretende circular pelas principais capitais brasileiras em 2022.

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“Nunca houve registros de uma exposição de tapetes orientais dessa magnitude na cidade. E olha que Belém já foi rota de passagem de exposições de arte desde o século XIX. Artistas do mundo inteiro passaram por aqui durante a Bèlle Èpoque. É realmente um evento imperdível. Um programa para toda a família", destaca a historiadora da arte e curadora da exposição Caroline Heera Fernandes.

Por ser um evento que reúne história, arte e cultura, Caroline acredita que será uma rica oportunidade para os estudantes conhecerem mais a fundo as tradições milenares dos povos do Oriente. “Os tapetes foram criados por povos nômades que viviam no deserto. E hoje, milhares de anos depois, um tapete artesanal pode fazer com que você se sinta em casa em qualquer lugar do mundo. Como filha de imigrantes na Amazônia e que adora viajar, isso faz todo sentido pra mim”, revela a curadora.

A exposição tem visitação gratuita e a classificação é livre. Ficará aberta até 12 de dezembro, data da programação do Projeto Circular Campina e Cidade Velha, o que será mais um atrativo para o público que estiver visitando o centro histórico da capital.

Uma curiosidade sobre os tapetes em exposição é que 20 deles vão participar do longa-metragem brasileiro “Relato de um certo Oriente”, inspirado na obra de Milton Hatoum, que está sendo filmado em Belém.

Durante o período da mostra, haverá programação paralela para os visitantes e em datas específicas, que incluirá palestras e bate-papos com especialistas e imigrantes no Pará.

“Os visitantes também vão aprender como diferenciar um tapete original feito à mão de um tapete industrial. E vão ver de perto os famosos tapetes persas, conhecidos como os mais lindos do mundo. Eles são feitos à mão na região do Irã, antiga Pérsia, onde teve início essa tradição milenar da tapeçaria.”, explica Caroline.

Serviço

Exposição “Tapetes do Oriente: A Magia da Arte Milenar”, de 26/11 a 12/12.

No Do It Coworking (Rua Avertano Rocha, 192 – Campina - Belém/PA).

Visitação de segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas. No domingo, dia 12/12, ficará aberta das 10 às 14 horas.

Da assessoria da exposição.

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“Memorabilia” dá nome à primeira exposição individual do artista Felipe Ferreira, que pode ser vista gratuitamente na galeria Itaoca, localizado no Espaço Cultura Rebujo de 25 de novembro a 28 de dezembro. Formado em Arquitetura pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Felipe busca em elementos domésticos pontos em comum que ativem a memória afetiva do público paraense.

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“O processo de criação das obras foi uma pesquisa/imersão em álbuns de fotos antigas da minha família e umas boas horas de conversa com meus parentes mais próximos, foi algo bem espontâneo que aos poucos ia me mostrando os caminhos que eu deveria seguir. E acabei esbarrando em memórias que estavam adormecidas e outras que foram ressignificadas, fazendo com que toda essa experiência se tornasse em uma viagem de autoconhecimento”, declara Felipe sobre Memorabilia.

A obra de Felipe Ferreira se assemelha aos objetivos do Rebujo, espaço cultural que já promoveu o retorno de grandes artistas paraenses aos palcos, e após aprovação do público lança oficialmente a casa no circuito cultural de Belém. A vontade de abrir um espaço que unisse arte, gastronomia, literatura, poesia, moda, audiovisual, música, educação e eventos surgiu em 2018, quando Yasmin Almeida ainda morava em São Paulo. 

“Eu frequentava um bar em São Paulo que tinha uma veia artística muito forte. Ali vivi um pouco dos meus melhores dias e, ao retornar a Belém, percebi que fazia falta um lugar agregador e acolhedor”, lembra a sócia-proprietária. 

Ao sair do hospital que trabalhava no início da pandemia, Yasmin aproveitou para mergulhar de cabeça no sonho, e junto com ela o sócio e produtor audiovisual, Paulo Favacho.

“Tirar Rebujo do papel em meio a uma pandemia foi uma construção orgânica e desafiadora. Realizada por nós, familiares e amigos, arregaçamos as mangas e com passo de formiguinha fomos pintando, emassando paredes, decorando, arrumando, e após 1 ano e 8 meses, finalmente, estamos conseguindo inaugurar esse projeto tão sonhado, que é esta casa, que quer agregar, acolher e misturar, com a exposição do Felipe, artista que assina as artes já existentes na casa”, conta o sócio, Paulo Favacho. 

O Espaço Cultural Rebujo abre as portas oficialmente ao público nesta quinta-feira, 25, com a abertura da exposição “Memoriabilia”na galeria Itaoca, dentro do espaço. Rebujo fica na Rua São Boa Ventura, 171, no bairro da Cidade Velha.

Na galeria de fotos, veja alguns trabalhos de Felipe Ferreira.

Serviço

Aabertura da exposição “Memoriabilia”, de Felipe Ferreira.

Data da abertura: quinta-feira, 25 de novembro de 2021.

Período de visitação: 26 de novembro até 28 de dezembro.

Hora: a partir das 18h.

A partir do dia 1º de dezembro, a Casa abrirá a partir das 14h.

Local: Galeria Itaoca - Espaço Cultural Rebujo (Rua São Boa Ventura, 171, no bairro da Cidade Velha).

Da assessoria do evento.

 

Nesta terça-feira (23), o Supremo Tribunal Federal julgará se o artista plástico Romero Britto poderá acrescentar mais um "t" ao seu sobrenome de registro, Brito. Desde 2018, o pernambucano tenta fazer a alteração, embora tenha tido o pedido negado duas vezes nas instâncias inferiores. O caso se encontra na Quarta Turma da corte.

No recurso, Romero Britto defende sua solicitação alegando que a proibição da mudança do nome civil prevista em lei pode ser relativizada, "eis que não ocasionará nenhum prejuízo ao nome característico de família". O caso do artista plástico está sob a relatoria do ministro Marco Buzzi.

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Britto recorre da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) de 2018, que manteve a sentença que negou o pedido de inclusão da letra. O órgão justificou que, embora a imutabilidade do nome não seja absoluta, sua retificação, cancelamento ou substituição não podem ficar ao arbítrio do seu portador.

De acordo com a sentença, o fato de o artista ser reconhecido pela assinatura "Romero Britto” não justifica a mudança do registro. A legislação brasileira estabelece que pessoas maiores de 18 anos podem solicitar mudança de nome, "desde que não prejudique os apelidos de família”.

No ateliê da artesã brasileira Ana Paula Guimarães, vários bebês hiperrealistas estão sentados no sofá, e outros "dormem" em seus berços.

“Não faço só bonecos, eu realizo sonhos”, explica Guimarães à AFP, enquanto, com a cabeça de um recém-nascido nas mãos, termina de pintar os lábios de vermelho claro com um pincel.

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Eles são chamados de "bebês reborn", uma arte que consiste em criar bonecos com tanta precisão de detalhes que parecem bebês de carne e osso.

Em seu ateliê em Contagem, em Minas Gerais, a semelhança dessas "criaturas", que parecem ter entre poucos dias e 2 anos, com bebês reais é surpreendente.

O corpo é feito de tecido, a cabeça e membros são de borracha e os cabelos são confeccionados em pele de ovelha e implantados “fio a fio”.

Vários tipos de tinta são usados para cílios e unhas. Alguns têm veias ligeiramente marcadas. E inclusive as marcas de nascença.

“O mais difícil é conseguir realismo nos tons de pele, porque são mais de 20 cores que usamos para dar esse realismo. O implante capilar também é uma parte muito trabalhosa e pode ser a mais difícil”, afirma.

O cliente pode escolher a cor dos olhos, cabelo e pele, assim como o formato do rosto.

Foto: Reprodução/Instagram/anapaulaguimaraesof

- Da Segunda Guerra Mundial

Guimarães, que sempre trabalhou como artesã, cria "bebês reborn" desde 2008. Ela já fez mais de mil. Demora em média sete dias para fazê-los e depois os vende por até 7.000 reais para clientes, principalmente brasileiros, mas também de países como Portugal, Estados Unidos, França e Austrália.

“Primeiro vi uma menina que as fazia na televisão e adorei. Também queria começar a fazê-las, pois trabalho com artesanato desde muito pequena”, explica.

Essa disciplina, com forte presença na Europa e nos Estados Unidos, tem suas raízes na escassez vivida na Segunda Guerra Mundial, quando as mães consertavam as bonecas quebradas de seus filhos com todos os tipos de materiais.

Daí o nome "reborn" (renascido). Em seguida, evoluiu para a criação de bebês do zero.

Entre os clientes de Guimarães estão colecionadores, crianças - "embora não sejam brinquedos" -, pais que "querem eternizar seus bebês já crescidos" e pessoas com problemas reprodutivos ou que sofreram aborto.

“Certa vez uma cliente veio me procurar porque estava tentando engravidar há oito anos e pediu um bebê. Dois meses depois engravidou naturalmente, após passar por vários tratamentos”, explica Guimarães, que ministra cursos online para quem quer aprender essa arte em expansão no Brasil.

"Por mais estranho que pareça, o bebê que fiz era idêntico ao que nasceu", acrescenta.

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A Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas, abrirá a VIII Jornada de Direitos Humanos com a exposição “Agosto da Jurema”, que versa sobre a consolidação da religião em Pernambuco, em suas formas culturais e políticas. O lançamento da mostra ocorrerá às 14h do próximo sábado (20), no Centro de Design do Recife, localizado no Pátio de São Pedro, casa 10, bairro de São José.

A exposição conta com imagens registradas pelos fotógrafos Brenda Alcântara, Diego Nigro, Daniel Tavares, Lula Carneiro, Marcos Pastich e Sol Pulquério. De acordo com a Prefeitura, o objetivo da ação é que, a partir da visualização das fotos, o público tenha a possibilidade de ter outras experiências e interpretações do que se vivencia na religião, sendo estimulado a compreender “que cada pessoa tem o seu sagrado e também direito à expressão pública das várias religiões, praticando assim, o enfrentamento a preconceitos”, diz o material de divulgação.

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A mostra ficará disponível ao público até o dia 22 de janeiro, de segunda a sábado, das 9h às 16h, e aos domingos, das 13h às 1h30.  A gerente de Igualdade Racial da Secretaria Executiva de Direitos Humanos do Recife, Girlana Diniz, reforça que, apesar da pluralidade de cultos que se manifestam no Recife, as religiões de matrizes afro-brasileiras ainda sofrem discriminação, o que "dentro do Racismo Estrutural brasileiro, é sem dúvida, um dos problemas mais alarmantes", lamenta.

Segundo Girlana, o Recife conta com mais de 500 casas de religiões de matrizes africanas e indígenas, variando entre os cultos de Terreiros de Jurema, Candomblé e Umbanda. “Dentro das manifestações de matriz afro-indígenas, o culto à Jurema é das manifestações menos visíveis e valorizadas, mas no entanto, a amplitude da presença da Jurema em casas e terreiros no contexto da cidade do Recife identifica as suas comunidades de maneira rara no contexto nacional", ressalta a gerente de Igualdade Racial.

Sobre a Jurema 

No contexto das manifestações religiosas de descendência indígena e afro-brasileiras, o mês de agosto é importante para quem cultua a jurema, sendo um período simbólico demarcado pelos rituais e festas. Essa manifestação origina-se da jurema, uma árvore utilizada para a fabricação de uma bebida que promove força, sabedoria e contato com seres do mundo espiritual por meio da incorporação. É dessa forma que o uso da árvore desencadeia a formulação de uma experiência religiosa com o mesmo nome.

Serviço

Lançamento da exposição Agosto da Jurema"

Dia: 20 de novembro

Hora:14h

Local: Centro de Design do Recife - Pátio de São Pedro, casa 10. São José, Recife

Mais de 150 galerias de arte apresentam cerca de 500 artistas - veteranos e jovens talentos - na primeira feira de arte contemporânea realizada em Roma sob o lema "Arte in Nuvola", (Arte na Nuvem).

No imponente e moderno espaço concebido pelo arquiteto Massimiliano Fuksas, onde recentemente se celebrou a cúpula do G20 e depois de ter servido de centro de vacinação anticovid, "Nuvola" reúne artistas de várias gerações e de várias tendências.

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Uma espécie de exposição sobre o estado de saúde da arte moderna na Itália após a pandemia, que também pretende se tornar uma referência para galeristas, colecionadores e diretores de museus.

A primeira edição da feira, aberta ao público de 19 a 21 de novembro, idealizada e dirigida por Alessandro Nicosia, com direção artística de Adriana Polveroni, traz pinturas, esculturas, instalações e vídeos.

"Queremos preencher um vazio que Roma tinha", diz Nicosia, ao reconhecer indiretamente a ausência por anos de um movimento artístico e cultural mais vanguardista na capital italiana.

Um enorme cubo de ferro preto coberto com pedaços de carvão, idealizado nos anos 1970 pelo grego radicado em Roma Jannis Kounellis, falecido em 2017, um proeminente mestre da Arte Povero, lembra aos visitantes que a arte vai além do comércio e pode nascer de materiais considerados pobres: carvão, terra, lixo.

Nos 7.000 metros quadrados de exposições, as instalações causam deslumbre: os homens sem cabeça de Donato Piccolo, a pintura digital de David Maria Coltro com suas paisagens em constante mutação ou o vídeo sensorial da jovem Pamela Diamante.

A perturbadora fragilidade da natureza e das espécies inspira muitos artistas, que criam vídeos e esculturas sonoras como "Marta e o Elefante" de Stefano Bombardieri, cujos elefantes e hipopótamos suspensos são uma metáfora da condição humana.

Também não falta arte que denuncie o drama ecológico por meio do mapa-múndi do artista russo Iakovos Volkov, feito com materiais encontrados em lixões e ruas, com montanhas de roupas, aerossóis vazios e bichos de pelúcia.

Para o francês Cyril de Commarque, entre os artistas estrangeiros convidados, que vive em Roma depois de anos em Londres e Berlim, a feira romana é um grande desafio.

"Acho que para uma pessoa que cresceu em Roma é mais difícil abandonar as referências clássicas para se expressar de forma contemporânea", comentou à AFP em frente à sua instalação "The Goddess of All Things".

Feita com material reciclado, esculpida em parte por um robô, a instalação De Commarque, com um enorme ovo aberto de onde sai uma grávida, é uma moderna alegoria do nascimento.

O país convidado para esta primeira edição é Israel, que selecionou um grupo de 17 artistas, que abordam as múltiplas facetas da realidade à sua maneira, com diferentes origens, culturas e etnias da drusa Fatma Shana ao etíope Michal Mamit Worke.

O autorretrato "Diego y yo" de Frida Kahlo estabeleceu na terça-feira (16) um recorde absoluto para uma obra da pintora mexicana, e para um artista latino, ao ser vendido por US$ 34,9 milhões em um leilão da Sotheby's em Nova York.

O valor ficou longe, porém, do teto previsto pelos especialistas, que avaliaram a pintura na faixa de US$ 30 milhões a US$ 50 milhões.

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Pintado em 1949 pela artista mexicana, o quadro pertencia a uma coleção privada e tem a dedicatória "para Florence e Sam com o carinho de Frida".

O comprador foi o colecionador argentino Eduardo Costantini, fundador do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA). A tela irá, no entanto, para sua coleção particular.

O empresário participou da disputa por telefone, com Anna Di Stasi, a diretora da Sotheby's para a América Latina, informou a casa de leilões à AFP, acrescentando que o valor total da compra inclui a comissão de venda.

Em 1995, este filho de um imigrante italiano que chegou a Buenos Aires no início do século XX pagou o valor recorde de US$ 3,2 milhões por "Autorretrato con chango y loro" (1942), também de Frida Kahlo.

Em 2016, ele pagou pouco mais de US$ 16 milhões pela obra "Baile en Tehuantepec" (1928) de Diego Rivera. O recorde anterior para uma obra de Rivera, de 1995, era de pouco mais de US$ 3 milhões.

Até então, o recorde em um leilão para uma obra de Kahlo era de US$ 8 milhões, por uma obra vendida em 2016.

"Diego y yo" também bateu o recorde para uma obra de um artista da América Latina.

Este é um dos autorretratos mais emblemáticos da pintora mexicana, que se tornou um ícone feminista.

Na pintura, o rosto de Rivera aparece na testa de Frida, acima de suas sobrancelhas características e de seus olhos escuros, dos quais caem algumas lágrimas.

A representação de Rivera - na época próximo da atriz mexicana María Félix - como um terceiro olho simboliza o quanto atormentava seus pensamentos, dizem os especialistas em arte.

Kahlo e Rivera se casaram duas vezes. Ela faleceu em 1954, aos 47 anos.

"Diego y yo" havia sido vendido pela última vez na Sotheby's por US$ 1,4 milhão, em 1990.

No leilão de terça-feira (16), outras estrelas da noite foram uma obra do pintor francês Pierre Soulages, que alcançou US$ 20,2 milhões, e uma obra da espanhola Remedios Varo, vendida por quase US$ 2,7 milhões.

Uma obra da anglo-mexicana Leonora Carrington foi vendida por US$ 1,8 milhão; uma pintura do cubano Wilfredo Lam, por US$ 1,35 milhão; outra, do uruguaio Joaquín Torres-García, por US$ 1,23 milhão; assim como uma natureza-morta de Diego Rivera, por US$ 3,2 milhões. Uma tela do chileno Roberto Matta foi leiloada por US$ 715.000.

A Oficina Brennand celebrará 50 anos de sua fundação com exposição de mais de 200 obras, fazendo uma retrospectiva da carreira do artista Francisco Brennand, falecido em dezembro de 2019. A exposição “Devolver a terra à pedra que era: 50 Anos da Oficina Brennand” será aberta ao público no dia 21 de novembro e se estenderá até 12 de outubro de 2022.

Essa será a primeira exposição da Oficina Brennand após ser transformada em um instituto no final de 2019, se tornando oficialmente uma organização cultural sem fins lucrativos.

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“Estamos muito felizes que a primeira exposição da Oficina Brennand, após ser transformada em um instituto no final de 2019, coincida com a celebração dos seus 50 anos e homenageie a trajetória de Francisco Brennand. É muito simbólico iniciarmos um projeto institucional a partir do seu legado, da sua história, e das múltiplas camadas que compõem um lugar tão único e diverso como esse, com suas heranças fabris e artísticas”, afirma Marianna Brennand, sobrinha-neta do artista e presidente da Oficina Brennand.

Francisco Brennand faleceu no fim de 2019 e a exposição recordando obras da sua vida contará com 200 itens, entre pinturas, esculturas, gravuras, serigrafias e documentos, muitos deles inéditos. As obras foram garimpadas do acervo permanente do instituto, que abriga aproximadamente 3000 obras, de colecionadores e de museus de todo o país. Entre elas, algumas pouco conhecidas do grande público, como a Série Amazônica, presente na Bienal de Arte de São Paulo de 1971, cujo título faz referência ao verso de João Cabral de Mello Neto no poema “O Ceramista”, dedicado ao artista pernambucano.

A exposição ‘Devolver a terra à pedra que era: 50 anos da Oficina Brennand’ é uma realização do Ministério do Turismo, da Oficina Brennand e do Bradesco, com patrocínio da Copergás. A Oficina conta ainda com o Grupo Cornélio Brennand como mantenedor e patrocínio do Instituto Cultural Vale.

Mais informações sobre a Oficina Brennand podem ser encontradas nas redes sociais do instituto e no site.

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A Editora MOL, em parceria com a rede de lojas Bemol, lançou recentemente o livro “Só tem na Amazônia”, que mostra 50 histórias com aprendizados inspirados na região amazônica. Além disso, trata-se de um projeto solidário e o que for arrecadado com as vendas será posteriormente doado para ONGs que atuam na região.

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A obra tem o objetivo de celebrar os povos da Amazônia, o folclore, os rios, a gastronomia, entre outros aspectos. A publicação também traz textos, pesquisas e ilustrações feitas por profissionais locais, sendo uma delas a designer e artista visual paraense Renata Segtowick, que esteve envolvida no processo de criação das artes para o livro.

A artista diz que a linha de trabalho dela inclui a temática regional, mas essa foi a primeira vez em que foi contratada para realizar algo por uma editora de fora da nossa região. Renata conta que ficou contente com o convite e destaca a importância da representatividade. 

Renata diz que as instruções dadas a ela foram certeiras sobre o que esperavam das artes para o livro, mas ela também teve liberdade para criar. “O meu processo segue normalmente uma mesma linha: faço pesquisas sobre o tema, leio algumas coisas sobre o assunto, e procuro também referências fotográficas para me guiar. Daí, parto para os rascunhos e depois, a arte final”, explica.

A artista afirma que toda arte que faz tem um significado especial para ela, pois tem relação com o que ela se dedica para estudar. “A que mais gostei do resultado [do livro] foi a da vitória-régia, pela composição diferente de mostrar a parte que fica submersa, que quase não é conhecida do público”, destaca.

Ao falar sobre a contribuição da obra para a sociedade como um todo, Renata acredita que é importante que ela tenha um alcance para além da região Norte. “Espero que sirva um pouco para as pessoas de outras localidades terem uma pequena ideia do que é viver na Amazônia e suas especificidades”, complementa.

Sobre os desenhos e a colaboração deles para o propósito do projeto, a artista reitera a importância da representatividade. “Achei que a Editora acertou em cheio ao chamar ilustradores da região”, finaliza. 

Projeto:

https://editoramol.com.br/projeto/97-so-tem-na-amazonia

Para conhecer o trabalho da Renata Segtowick:

Instagram – @renataseg.art

www.renataseg.com.br

Por Isabella Cordeiro.

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Durante a noite desta sexta-feira (29), ocorreu a abertura da XVIII Mostra Universitária de Artes Visuais, na UNAMA - Universidade da Amazônia, no campus da Alcindo Cacela, em Belém. A exposição, que foi organizada por estudantes do curso de Artes Visuais sob a orientação da coordenação e dos professores, está na Galeria Graça Landeira, obedecendo a todos os protocolos de prevenção à covid-19.

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O tema da MOAV desse ano – “Transformações” – estabelece um diálogo com a temática da edição de 2020, que trouxe obras com interpretações associadas à pandemia, e inspirou os artistas a pensarem nas mudanças vivenciadas em todas as esferas e no mundo inteiro após esse período.

A professora e coordenadora do curso de Artes Visuais, Ana Isabel Santos, afirmou que é sempre muito gratificante observar o envolvimento dos alunos na exposição. “Os alunos se envolvem desde a organização da exposição, com a definição do edital, da seleção das obras, do vernissage, até a mediação da galeria durante o período que a mostra fica exposta na galeria”, explicou.

Ana Isabel disse que a participação dos estudantes é uma oportunidade única para os estudantes desenvolverem um trabalho de nível profissional ainda na academia. “Acredito que ficará marcado na mente deles todos os momentos de organização, desafios e a união que é nítida entre os nossos discentes”, complementou.

A coordenadora também ressaltou que as expectativas são as melhores possíveis, e que os alunos são muito dedicados e organizados. “Tenho certeza que o engajamento deles resultará no sucesso da exposição, tanto no sentido da visibilidade que será conferida ao trabalho, como na qualidade da exposição e curadoria das obras”, reforçou.

Betânia Fidalgo, reitora da UNAMA, esteve presente durante a abertura do evento e afirmou a importância do curso de Artes Visuais no processo de humanização das relações e do olhar voltado para o cotidiano. “A arte não se explica, embora ela tenha toda uma técnica para ser desenvolvida, mas ela é de quem vê, de quem sente, da percepção, e da sensibilidade de cada um de nós”, disse.

A educadora também aproveitou para parabenizar os professores e, em especial, os alunos pelo desenvolvimento dos trabalhos. “Agradeço por vocês fazerem parte dessa história, por vocês tornarem esse cotidiano suportável, e que a gente possa justamente desenvolver aquilo que tem de melhor dentro dessa universidade”, acrescentou.

Jéssica Araújo, estudante do 8º semestre de Licenciatura em Artes Visuais, fez parte da comissão organizadora da MOAV desse ano, e esteve expondo o trabalho dela no evento. A estudante afirmou que a mostra integra os alunos, fornecendo uma troca de aprendizados entre os calouros e aqueles que já estão se formando. “É um processo muito rico, e todo mundo participa”, explicou.

Jéssica foi a primeira caloura que participou da organização da exposição e ela falou da sensação de estar participando da comissão novamente no fim do curso. “É emocionante ver esse trajeto, ver como a MOAV cada vez mais amadurece. Recebemos muito auxílio da coordenação esse ano, muito apoio dos professores. É uma coisa que parece estar ganhando mais destaque, e eu espero que nos próximos anos continue”, acrescentou.

A estudante também comentou sobre o retorno presencial da mostra, que foi realizada virtualmente no ano passado em decorrência da pandemia da covid-19. “Apesar de ter tido menos investimentos, ela funcionou aqui na galeria. Mas esse ano é realmente uma volta, e a gente mata a saudade de estar participando”, completou.

Lucas Ferreira, também aluno do curso no 8º semestre, participou do processo de montagem da galeria fazendo a curadoria da exposição. Ao falar sobre a organização das obras, o estudante explicou que ela foi feita de uma forma que houvesse coerência entre as artes. “Cada trabalho é um trabalho, mas a gente tentou fazer um processo em que as obras conversassem entre elas da melhor forma possível”, disse.

Lucas destacou a importância desse processo de montagem, e que ele é fundamental para qualquer pessoa que deseja estar no meio das Artes. O estudante também afirmou ter intenção de participar da amostra expondo o trabalho dele futuramente. “É sempre importante participar de todas as formas possíveis, tanto na montagem, quanto na organização, como expondo”, ressaltou.

Lucas deixou uma mensagem para os futuros alunos de Artes Visuais e estimulou o envolvimento deles nas amostras dos próximos anos. “Essa aqui é a parte em que a gente vive a arte que a gente quer, além dos livros. A principal mensagem é essa: venha para a galeria, independente de qual forma seja”, incentivou.

André Massache, aluno do curso de Artes Visuais, expõe duas obras que são relacionadas entre si, sobre o contexto pandêmico e também sobre o sofrimento dos povos negros durante a escravidão. Ele afirmou gostar muito de falar do processo de criação dele, com base no olhar dele para o mundo, e que ficou bastante feliz com o resultado. “Eu também faço parte da comissão do evento, então o processo foi muito gostoso, uma forma de terapia”, explicou.

A mãe do estudante, Walcicleia Cruz, esteve no evento para prestigiá-lo, e contou que sempre acompanha o André e o desenvolvimento dele na criação das obras. Walcicleia também mencionou o suporte que a família oferece a ele. “A arte é muito importante para ele. O curso de Artes Visuais é muito importante para ele, e a gente está sempre está dando esse apoio, para que no futuro ele tenha mais experiências nesse campo”, afirmou.

Walcicleia acrescentou que fica muito feliz e orgulhosa do filho, e disse que a arte foi fundamental durante a vida dele, que sempre envolveu superação. “Quando ele se veio para o curso de Artes Visuais, a MOAV foi uma oportunidade de ele poder expor aquilo que ele fazia em casa para nós. Isso para mim é muita felicidade, de ele ter espaço para poder mostrar o trabalho dele e começar a ser reconhecido como artista”, concluiu.

Por Isabella Cordeiro (com apoio de Rodrigo Moraes).

 

O artista plástico Jaider Esbell, um dos exponentes da arte indígena contemporânea e cujas obras estão em exposição na Bienal de São Paulo, foi encontrado morto nesta terça-feira (2) em sua residência na capital paulista, informaram as autoridades.

A surpreendente morte de Esbell, de 41 anos, foi confirmada por distintas fontes, entre elas o governo do estado de Roraima, sua terra natal. No entanto, a causa do falecimento não foi revelada.

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O artista, que pertencia à etnia makuxi, assentada na reserva indígena Raposa Serra do Sol, também se destacava como escritor, ativista e educador.

"Com clareza e generosidade, [Jaider Esbell] tornou-se um dos principais porta-vozes dos artistas de povos originários, estabelecendo pontes e trocando saberes com o circuito institucional da arte contemporânea", diz um comunicado dos organizadores da Bienal de São Paulo.

Uma obra de Esbell intitulada "Entidades", duas esculturas infláveis em forma de serpentes, está à mostra em um dos lagos do Parque Ibirapuera, junto ao edifício onde acontece a Bienal, que ficará em cartaz até 5 de dezembro.

Outras duas obras de sua autoria, "Carta ao Velho Mundo" (2018-2019) e "Na Terra Sem Males" (2021), foram adquiridas no fim de outubro pelo Centro Georges Pompidou, em Paris, na França.

"Minha melhor obra é política, não esses desenhos coloridos, nem a cobra dentro do lago; estes são elementos para atrair a atenção para discutir questões como o aquecimento global e a urgência ecológica", disse Esbell à AFP em setembro, durante a abertura da Bienal.

Ganhador do prêmio PIPA em 2016, um dos mais importantes da arte contemporânea brasileira, Esbell lutava por justiça social e pela visibilidade dos povos originários da Amazônia, ameaçados por invasões e pela extração ilegal de seus recursos.

Francesco Stocchi, curador italiano da Bienal, destacou para a AFP o "compromisso" das obras de Esbell e considerou sua morte "completamente inesperada, especialmente considerando o seu temperamento e a sua posição como catalizador de energias".

Aos 18 anos, Esbell deixou sua aldeia e se mudou para Boa Vista, a capital de Roraima. O artista trabalhava, durante o dia, como funcionário da estatal Eletrobras e, durante a noite, em uma biblioteca pública. Com o tempo, seus trabalhos no mundo da cultura foram se consolidando, sobretudo a partir de 2013, quando se tornou uma referência da arte indígena contemporânea.

Paisagens verdes, com cisternas e tecnologia, esse é o ‘Sertão’ que o fotógrafo pernambucano Fred Jordão apresenta em sua exposição de mesmo nome. A mostra abre nesta quinta (4), às 19h, no Mercado Eufrásio Barbosa, localizado em Olinda, e tem entrada gratuita. 

‘Sertão’ é o resultado das expedições e pesquisas feitas por Fred pela região desde a década de 1990. A exposição reúne 110 fotografias que retratam cenários muito distintos dos convencionais estereótipos ligados a esse espaço. São paisagens verdes, com água, antenas parabólicas e vaqueiros que tangem o gado em motocicletas, ao invés de cavalos.

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Fred Jordão tem passagem pelos principais jornais do país e é dono de uma significativa carreira autoral, com vários livros publicados. Um deles, ‘Recife’, foi finalista do prêmio Jaburu em 2020. A mostra Sertão fica em cartaz até o dia 4 de fevereiro do próximo ano. 

Serviço

Sertão - Fred Jordão

Inauguração

Quinta (4) - 19h

 

Visitação

Terça a domingo - 9h às 17h

 

Mercado Eufrásio Barbosa - Varadouro, Olinda

Gratuito

 

 

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Trabalhadores e mestres da cultura de Bragança são retratados em oito telas pintadas pela artista visual Renata Sousa na exposição “Faces bragantinas”. O projeto, idealizado pela artista em parceria com a Correnteza Produções, tem como objetivo homenagear nomes que representem saberes e costumes típicos da cidade de Bragança, cidade natal de Renata, além de registrar a relevância dessas figuras na localidade onde vivem.

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“Através do projeto ‘Faces bragantinas’ pode-se levar essas pessoas a ver quão lindo e importante cada um é para a valorização da cultura da cidade. A forte cultura da diversidade dos trabalhadores na cidade de Bragança, no Estado do Pará, foi a minha fonte de inspiração para este trabalho”, destaca Renata.

Foram escolhidos oito trabalhadores da cidade para servirem como modelos para a produção das telas. Dentre as profissões e manifestações culturais retratadas pela artista estão a de maruja, pai de santo, padre, artesã, carpinteiro, fazedor de farinha, poeta/escritor e um mestre de carimbó. A escolha por tais profissões se deve por serem alguns dos ofícios mais tradicionais da cidade e, por conta disso, são referências na cultura bragantina.

Para a confecção das obras, cada modelo foi fotografado no local onde desempenha seu trabalho e, a partir destes registros, foram retratadas nas telas de Renata, valorizando assim seus saberes e atividades.

As oito telas que compõem o projeto serão expostas ao público no município de Bragança e na Vila de Caratateua, presencialmente, dentro dos protocolos de higiene e segurança, em razão da pandemia causada pelo vírus da covid-19. O projeto “Faces bragantinas” também conta com oficinas de iniciação à pintura, que acontecerão nos dias 27  de outubro, na cidade de Bragança, e 1º de novembro, na Vila de Caratateua, e têm como público-alvo as crianças da região, que irão expor o resultado da oficina ao final do processo.

Natural de Bragança, Renata Sousa  demonstrou aptidão para as artes plásticas, como o desenho e a pintura, desde criança. Hoje em dia, faz de seu talento uma vertente profissional. Além disso, também é formada em Tecnologia em Gestão Ambiental e graduanda em Engenharia Florestal. “Faces Bragantinas” é a primeira exposição da artista plástica, contemplada pelo Edital de Multilinguagens - Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural - Pará, no ano de 2021.

Serviço

OFICINA DE INICIAÇÃO À PINTURA EM BRAGANÇA - Quarta-Feira, 27 de outubro, das 14h às 17h, Na Escola Jorge Ramos. 

EXPOSIÇÃO EM BRAGANÇA  - Sábado, dia 30 de outubro, às 18h, na Praça Antônio Pereira (Praça do Coreto), com a atração musical Mestre Lázaro\Mani de Urutá. 

OFICINA DE INICIAÇÃO À PINTURA EM CARATATEUA - Segunda-feira, dia 1 de novembro, das 15h às 18h, na Escola Padre  ngelo Maria Abene.

EXPOSIÇÃO EM CARATATEUA  - Segunda-feira, dia 01 de novembro, das 19h às 22h, na Orla de Caratateua, com a atração audiovisual Conjunto de Vídeo-performances Margens Do Caeté.

FICHA TÉCNICA:

Pintora e Oficineira: Renata Sousa

Produção Executiva e Produção: Paulo César Jr.

Assistentes de Produção: Romeu Figueiró Jr. e André Romão.

Assessor de imprensa e Social Mídia: Lucas Del Corrêa

Fotógrafa: Thaís Martins

Designer Gráfico: Wan Aleixo

Atração Musical: Mani de Urutá e Mestre Lázaro.

Realização: Correnteza Produções.

Por Lucas Del Corrêa.

 

Para comemorar o aniversário de cinco anos, o coletivo Fotógrafas Guarulhenses lançou a ação “Ellas em Foco”, que realizará cinco ensaios fotográficos gratuitos, além de arrecadar absorventes para serem doados a mulheres carentes em situação de rua.

Será permitido participar mulheres com idade a partir de 18 anos. De acordo com o anúncio do coletivo, cada ganhadora receberá cinco fotos digitais, as quais poderão usar em suas redes sociais ou revelar.

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No dia dos ensaios cada vencedora deve levar seu figurino e maquiagem. A participação também implica em total aceitação das regras e na liberação do uso das imagens para divulgação do concurso.

Para concorrer, é preciso realizar uma postagem no Instagram até 20 de novembro, com uma breve descrição que deve abordar a história pessoal da participante e o porquê ela gostaria de fazer um ensaio fotográfico. O texto deve marcar o perfil @fotografasgru.

A equipe responsável pela ação cultural, escolheram as histórias que mais os impactarem. Após realizar a postagem, será preciso enviar ou entregar um pacote de absorvente ou algum item de higiene pessoal, como escova e pasta de dente, sabonete e outros; no endereço Avenida Maestro Villa Lobos 60 apto 71 - Vila Gustavo – Tucuruvi (SP), que estará sob a responsabilidade de Gaby Vieira.

Os que preferirem, podem realizar uma transferência via PIX, equivalente ao valor de um item de higiene, por meio do e-mail gabriela.vieira.correa@gmail.com . Segundo o coletivo, tudo que for arrecadado será doado para ONGs que prestam assistências a mulheres.

O resultado será divulgado em 30 de novembro e os ensaios serão realizados em 5 de dezembro.

Morreu na madrugada desta terça-feira (26), aos 68 anos, o cartunista e músico Lailson de Holanda. O pernambucano estava internado em um hospital do Recife, com Covid-19. No último final de semana, o artista apresentou uma piora nas funções renais.

Lailson, que optou por não ser vacinado, chegou a ser levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas acabou não resistindo às complicações da doença. No dia 18 de outubro, um primo de Lailson informou aos usuários de uma rede social que o chargista havia sido internado, após ele ter testado positivo para o novo coronavírus.

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"O cartunista pernambucano Lailson de Holanda, meu primo paterno, está internado com Covid", escreveu o parente. "Ele sai dessa. Porque não há quem resista ao seu bom humor", completou. De acordo com os familiares, o corpo de Lailson de Holanda será cremado no Memorial dos Guararapes, em Jaboatão, por volta das 16h. 

A venda de 11 obras de Pablo Picasso, incluindo um retrato de sua musa e amante Marie-Thérèse Walter, durante um leilão organizado pela Sotheby's, no sábado (23), em Las Vegas arrecadou 108,87 milhões de dólares, no mês de aniversário de 140 anos do nascimento do pintor espanhol.

A grande joia do leilão, de obras pertencentes à coleção de arte da empresa MGM Resort, era "Femme au béret rouge-orange", um dos últimos retratos que o artista fez de Marie-Thérèse Walter, que inspirou muitos trabalhos do artista na década de 1930.

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Na obra, vendida por 40,479 milhões de dólares - a avaliação inicial era de 20 a 30 milhões -, Picasso pintou a mãe de sua filha Maya em 1938, quando já estava apaixonado pela fotógrafa Dora Maar.

Também foram vendidos dois retratos emblemáticos produzidos pelo pintor nos últimos anos de sua vida: "Homme et enfant" (24,393 milhões de dólares) e "Buste d'homme" (US$ 9,456 milhões), este último abaixo do preço inicial estimado de 10 milhões de dólares.

As demais obras leiloadas no hotel Bellagio de Las Vegas incluem cerâmicas, trabalhos em papel e naturezas mortas.

Cuba considerou nesta sexta-feira "grosseira e insidiosa" a campanha internacional lançada por um grupo de artistas cubanos que pede um boicote à Bienal de Arte de Havana em protesto contra "injustiças" cometidas pelo governo durante os protestos históricos de julho.

Pintores da governista União de Escritores e Artistas de Cuba (Uneac) apoiaram em seu site a convocação da 14ª Bienal de Havana e denunciaram "as tentativas fúteis daqueles que, por meio de uma manipulação política grosseira e insidiosa, atentam contra a realização de um dos mais frutíferos encontros das artes visuais do hemisfério ocidental".

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A associação destacou que “nenhum complô arquitetado por aqueles que pretendem isolar a nação, minar nossa soberania e destruir a legitimidade do consenso social alcançado (...) nos fará mudar o rumo”, respondendo a uma carta aberta à comunidade artística internacional escrita por um grupo de artistas cubanos solicitando um boicote à Bienal, evento artístico mais importante do país, que acontecerá entre 12 de novembro e 30 de abril.

“Dizemos NÃO à participação, porque artistas cubanos estiveram, e outros permanecem, na prisão; porque dezenas de profissionais da arte estão em prisão domiciliar; porque mais de mil cubanos foram presos durante os protestos ocorridos em 11 de julho”, assinala o texto, assinado por mais de 500 artistas cubanos e estrangeiros.

Ele se referia a elas como "seus filhos" e, como um bom pai, recusou-se a vê-las separadas. Agora, a grande família de Edvard Munch, mais de 26.000 obras, como a universalmente conhecida "O Grito", inaugura uma nova casa em Oslo.

Foi-se o edifício antigo, obsoleto, mal protegido e periférico no leste da capital norueguesa. Nesta sexta-feira (22), o museu Munch muda-se para o centro da cidade, dentro de uma torre espaçosa e moderna, mas também criticada.

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"Pode ser o maior museu dedicado a um único artista", disse o diretor do museu Stein Olav Henrichsen, mostrando suas novas salas.

Com 13 andares e mais de 26.000 metros quadrados, o novo edifício apelidado de "Lambda" oferece cinco vezes mais espaço de exposição do que o edifício sombrio que até agora abrigava o tesouro nacional no popular bairro de Tøyen.

Solteiro e sem filhos, Munch (1863-1944) legou sua obra à cidade de Oslo, escolhida em sua velhice em detrimento do Estado norueguês. Herdeiro inicial, o país caiu nas mãos da Alemanha nazista, que considerava este pioneiro do expressionismo um representante da "arte degenerada".

Às margens do fiorde, logo atrás da ópera, o novo museu repara uma injustiça histórica dando ao artista a embalagem que seu trabalho merece.

A previsão é chegar a 500 mil visitantes - e a expectativa é ultrapassar um milhão - para o acervo permanente, que abrigará 200 obras em 4.500 m2.

Além das referências sombrias à angústia, ao desespero e à morte, algumas peças do pintor norueguês abordam questões menos deprimentes como o amor, autorretratos ou paisagens.

Diante da pele pálida de corpos nus, doentes ou sem vida, brilham as cores avermelhadas dos cabelos ou do céu.

Como não poderia ser diferente, a coleção contém "O Grito", emblema do museu apresentado em diferentes versões, e outras obras importantes como "Amor e Dor", "Madonna" ou "A menina doente".

Mas, junto a elas, inúmeras peças menos conhecidas, esculturas, fotografias, um filme ou enormes murais como "O Sol" que, na hora da construção, tiveram que entrar por uma fenda especial, posteriormente coberta.

"Munch queria ter um museu. Ele se referia a suas obras como seus filhos e queria que todas estivessem juntas em uma coleção", explica a curadora Trine Otte Bak Nielsen.

"Acho que ficaria muito feliz em ver o que fizemos."

- "Destruição" em Oslo -

O edifício não gera reação unânime. Sua parte superior oblíqua não convence e as prometidas janelas iluminadas estão agora escondidas por trilhos de alumínio que parecem "barreiras de segurança".

Em 2019, o historiador da arte Tommy Sørbø já denunciava a "destruição" de Oslo, uma "catástrofe anunciada".

Sua opinião não mudou, "pelo menos para o exterior e a entrada".

"O lobby parece um aeroporto, um armazém, um hotel ou um prédio comercial", disse ele à AFP.

"Não há nada na escolha de cores e materiais que anuncie que o lugar abriga (a obra) de um dos grandes artistas do mundo", continua.

A direção resistiu à tempestade. O museu deve provocar como o trabalho de Munch fez em sua época, assegura.

"O edifício enquadra-se muito bem no acervo porque é um edifício monumental, um edifício brutal, situado no coração da cidade e que exige reflexão", estima Henrichsen.

E talvez as tão difamadas "barreiras de segurança" sirvam de dissuasão para pessoas mal-intencionadas que repetidamente tentaram roubar as obras de Munch ao longo dos anos.

Um dos casos mais notórios ocorreu em 2004, quando ladrões roubaram "O grito" e "Madonna" em uma operação que pretendia distrair a polícia um dia após um sangrento assalto à mão armada em um banco. A história teve um final feliz e as duas obras-primas foram recuperadas.

"É provavelmente o prédio mais seguro da Noruega, mas você não vai perceber. A segurança é muito discreta porque queremos que o foco seja a arte", explica Henrichsen.

"Posso proclamar publicamente: não haverá assaltos aqui", garante.

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